Bonifácio diz que Bico foi invadido por aliciadores: “só o povo muda isso"

Aliciamento de lideranças no Bico do Papagaio por candidatos em busca de voto, Assembléia com os trabalhos paralisados e o triste fim de Siqueira foi objeto de entrevista do deputado Bonifácio ao T1

Bonifácio aponta aliciamento de líderes no Bico
Descrição: Bonifácio aponta aliciamento de líderes no Bico Crédito: Lourenço Bonifácio

O deputado José Bonifácio disse ao T1 Notícias nesta quinta-feira, 4, que o Bico do Papagaio foi invadido por aliciadores de lideranças em busca de votos.  “Virou uma coisa absurda. Basta ver os prefeitos, com poucas exceções, se comprometendo aí com candidaturas em troca de benesses”, afirmou.

 

Candidato a reeleição, Bonifácio relata que ofereceram R$ 15 mil reais para o presidente de uma colônia de pescadores que o apoia. “Ele reuniu a turma, contou da proposta e eles decidiram recusar”, relata. 

 

“O Bico é assim, desde os tempos de Goiás, quando vinham candidatos do Sul para cá, buscando complementar suas eleições. E isso foi viciando as pessoas. Agora, só a força do povo nas urnas é que muda isso. Acredito que o eleitor não vai acompanhar completamente as negociatas que a maioria dos líderes estão fazendo”, disparou.

 

A fonte destes recursos, segundo acredita o deputado, são os cofres públicos “surrupiados”  nos últimos anos.

 

Melancólico fim de Siqueira

 

Tradicional apoiador do ex-governador Siqueira Campos, Bonifácio lamenta que o governo tenha deixado de cumprir os compromissos que fez com o povo, e afirma que o governador não governou. “A enganação começou a ser feita com o próprio Siqueira desde o começo do governo”, afirma.

 

“Eu era líder do governo, e depois daquelas demissões só ouvia falar que havia um caixa feito com as economias para lançar um pacote de obras. E fiquei perguntando quando é que lançaria, até que me disseram: não, esse dinheiro não existe mais, foi embora nas asas da Delta”, relata.

 

Siqueira, segundo Bonifácio, foi traído até a última hora, a da renúncia. “Tudo que estamos vivendo hoje é fruto de uma política fatricida, onde um governador renuncia para que alguém possa ser candidato a deputado estadual. Eu nunca vi isso em lugar nenhum do Brasil. Foi um final melancólico, de um governo melancólico, que acabou com o mito do Siqueira que fez, do Siqueira que faz”, analisou.

 

Bonifácio afirma que o grupo dos antigos aliados de Siqueira, de uma vida toda, foi preterido em prol da formação de um novo grupo. “Foram criar uma nova liderança, uma nova força, se aliando aos adversários”, diz. Entre os que foram relegados no processo ele citou seu próprio nome, o de Homero Barreto, Pedro Iran, entre outros.

 

Assembléia não trabalha

 

O deputado José Bonifácio criticou ainda o fato de que a Assembléia Legislativa não se reúne mais, não trabalha, faltando pouco mais de 30 dias para as eleições. “Tem projetos importantes parados, as comissões não trabalham. Tem muitas medidas provisórias vencidas. E eu pergunto, por que isso? É pra impedir o debate? É para que a gente não possa falar dessa escancarada compra de prefeitos, de líderes?”, questiona.

 

Perguntado sobre sua expectativa a respeito da CPI do Igeprev ele afirmou: “as responsabilidades já foram apuradas pela Polícia Federal e pelo Ministério da Previdência. O que nós vamos fazer é compilar esse material e provocar o Ministério Público. Imagina, um presidente como esse Villas Boas, ser indicado diretamente por um doleiro! O que é isso?”

 

O deputado segue questionando: “De onde ele é? Onde ele mora? Onde pode ser encontrado?”.

 

Segundo Bonifácio diversas pessoas intercederam para que ele retirasse o nome da CPI do Igeprev. “O presidente da Casa me pediu, o governador me pediu, alguns prefeitos, inclusive meu irmão. Mas eu ouvi minha família, meus amigos, e o que me levou a decisão final foi ouvir os funcionários da Assembléia. Perguntei a um grupo que estava neste dia trabalhando, o que eles achavam, e a resposta foi unânime. Então eu mantive”, rememora.

 

Bonifácio disse que o quadro político é alarmante, mas que acredita nas eleições de outubro para muda-lo. “O povo é quem tem a força para dar um basta nisso tudo que está aí. Temos que ir para os palanques e deixar isso claro para o eleitor”, finalizou.

 

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