Palmas, Tocantins -
Thaís Souza

Thaís Souza

417@teste.com

Dia das Crianças
14.646 visualizações

A magia de ser criança, a ausência de Laura e o sequestro de uma inocência

- Atualizada em
Laura Vitória está desaparecida desde janeiro Foto: Divulgação

12 de outubro! Dia Nacional da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, e também Dia das Crianças. Certamente uma data não tem nenhuma relação com a outra, apesar de poucos saberem, o feriado nacional não é pelo Dia das Crianças, e sim por se tratar de um feriado católico, em que a Padroeira do Brasil é venerada em inúmeros municípios, principalmente nesta data.

 

O País não é laico? Sim! Mas quando o assunto é feriado, não importa qual seja, o importante é a folga, não trabalhar, descansar, enfim fazer qualquer outra coisa e pouco me interessa o catolicismo, não é mesmo?

 

Vamos ao que de fato interessa, ou que ao menos interessa a mim. Apesar de aparentemente não existir relação alguma com a coincidência das duas datas, eu, que nasci e formei minha visão espiritual dentro do catolicismo, vejo uma ligação inexplicável entre elas.

 

Primeiro, porque conheço as inúmeras nomenclaturas que Nossa Senhora recebeu, mas sei que se trata de uma única mulher, Maria, a mãe de Jesus, a escolhida por Deus em um universo inteiro para gerar o seu filho e torná-lo humano. Não vem ao caso a história dos pescadores de uma vila que encontraram a imagem de uma santa durante uma pescaria e começaram a reverenciá-la e dar a ela o nome de Aparecida. Basta-me saber que se trata de uma mulher, sem pecado, a escolhida!

 

Depois de algumas horas de pesquisa, para entender o motivo que o Brasil comemora o Dia das Crianças em 12 de outubro, aceitei a simples explicação que a data foi instituída por um político na década de 1920, e na década de 1960 o mercado econômico aproveitou a comemoração para fortalecer o comércio por meio de campanhas publicitárias. A partir daí, nenhum pai quer deixar o filho sem presente, mesmo que não esteja presente.

 

Não me convenci da explicação lógica dos fatos. Tem coisa mais abençoada por Deus, pelo Universo, pelos Santos, ou por qualquer que seja a sua crença do que uma criança? São os “pestes” mais inocentes do mundo, mal sabem o que o futuro lhes reserva. Às vezes me pego admirando as crianças no prédio onde moro, a inocência. Para eles não existem barreiras, sol, cansaço, fome ou sede, passam horas brincando e se divertindo como se a felicidade se resumisse ali. E resume.

 

Tornamo-nos adultos, passamos a exigir mais que uma caixa de lápis para colorir, e partirmos para a insatisfação e frustração pessoal. Não é sempre assim?

 

Nas redes sociais, tenho me deparado com inúmeros amigos que trocaram as fotos de seus perfis, minha Time Line está cheia de nostalgia, de felicidade explícita em cada imagem, o contentamento, a beleza em ser criança.

 

Sabe de quem eu me lembrei? De uma menina, Laura Vitória, nove anos de idade, desaparecida há nove meses. Como ela sumiu? Foi fazer o mesmo que eu fiz a infância inteira para meus pais, ir ao supermercado comprar algo, só que consegui voltar todas às vezes.

 

Em março, dois meses após o desaparecimento da criança, um suspeito de envolvimento no caso da menina foi detido. Passou 30 dias preso e foi liberado por falta de indícios. Um ex-namorado da mãe biológica de Laura também foi ouvido durante as investigações. A polícia realizou exames toxicológicos, investigou o caso, a família fez inúmeras manifestações em que clamaram por justiça. A imprensa, por diversas vezes, relembrou o assunto, deu notoriedade quando uma ou outra nova informação aparecia. O fato é que, são nove meses em que uma criança de nove anos foi ao supermercado e sumiu, como num passe de mágica. Mas nós adultos, já deixamos de acreditar em bruxas, feitiços, conto de fadas. O mundo real já nos foi apresentado, e ele não é tão lindo, com finais felizes como contam as histórias infantis.

 

Há um dia para o Dia das Crianças, a pergunta que não me sai da cabeça é: alguém consegue dizer onde está Laura? A sociedade vai deixar que mais um caso seja arquivado? Mais um rosto que entra para a lista de desaparecidos. Mais uma família continua no sofrimento. Mais uma criança é privada do direito de viver a única fase que lhe é permitida? A total inocência!

 

Thaís Souza é jornalista, especialista em Docência do Ensino Superior, membro do Instituto CrespasTO e trabalha em assessoria de comunicação.