Revolução Cubana e a morte de Fidel Castro

Morre Fidel, mas não morre os seus sonhos. Está morto o líder, que como qualquer ser humano é perecível, mas jamais morrerá sua luta...

Fidel morreu aos 90 anos, no dia 25 de novembro
Descrição: Fidel morreu aos 90 anos, no dia 25 de novembro Crédito: EBC

Acordei no último sábado, 26, açodado pela notícia da morte de Fidel Castro. Uma pessoa cuja visão de mundo impactou tantos os amigos quanto os inúmeros inimigos. Durante quase toda a minha adolescência, nos anos 1990, falar de Fidel, ler sobre Cuba era quase um ato pecaminoso. Eu ouvia coisas do tipo: Fidel é assassino; matou todos os inimigos no pelotão de fuzilamento cuba é uma ilha pobre. Essas ideias povoavam os meus pensamentos. Eu ficava muito inquieto porque a força destas palavras soava para mim, à época, como se não houvesse nada em Fidel que fosse bom, honesto e admirável.

 

Quando finalmente pude ir em Havana, ver por mim mesmo, percebi que o cenário de destruição pintado em cores tão fortes, inclusive por professores de história da minha época de escola, não era bem assim. Para uma grande parte dos cubanos que conheci em Havana, Fidel era um líder forte, e foi por ele, como fizeram questão de frisar, que a ilha tinha as condições educacionais que eu podia ver em 2015, tempo de minha visita.

 

Outros, sobretudo, os mais jovens, e filhos de classe média, brancos, não gostava de Fidel. Falaram que a ilha deveria acabar com essa ideia de socialismo e que deveriam mesmo ser uma república capitalista e trabalhar para receber turistas, sobretudo, norte americanos. Eu andei nas ruas de Havana, nos bairros mais afastados do centro de Havana, falei com pessoas que eram tão pobres quanto as que vemos aqui no Brasil. Para muitas destas pessoas, Fidel foi um motivo de orgulho.

 

Quando conversei com alguns turistas estrangeiros, sobretudo na região mais turística, percebi que para muitos havia uma imagem midiática de Fidel, falavam coisas que era o discurso das paixões, ou os que defendiam freneticamente, ou os que o detestavam e torciam para que morresse logo. Para mim esse quadro foi incrível, porque puder perceber com a propaganda contra a revolução cubana houvera sido predatória para a imagem de Fidel.

 

Essa propaganda, sobretudo liderada pelos governos dos Estados Unidos, colocava Fidel como um déspota, ditador, sanguinário. Aliciavam os cubanos para que desde Miami armassem um plano para derrubar Fidel. O que mais me chamou a atenção durante minha viagem a Cuba é que essa imagem dantesca de Fidel, essa de ele ser um demônio, era parte de um plano político para que a revolução nunca prosperasse.

 

Para mim Fidel é um líder como qualquer outro, inclusive perecível como todos os líderes. Todavia, a sua audácia de desafiar aqueles que se auto intitulavam os donos de tudo rendeu a ele e seu povo um duríssimo embargo, que ainda hoje, por mais imoral que isso pareça ainda não foi derrubado. E, com Donald Trump no poder, parece que as cosias ainda vão demorar.

 

Morre Fidel, mas não morre os seus sonhos. Está morto o líder, que como qualquer ser humano é perecível, mas jamais morrerá sua luta. Na Universidad de La Habana, eu sentei nas escadarias e pensei que o legado de Fidel é também os sonhos pela educação. Na escola Latino Americana de Medicina percebi que os sonhos da revolução também a saúde pública.

 

 

Adriano Castorino é professor, doutor em ciências sociais/antropologia

 

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