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Roberta Tum

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roberta.tum.9 @robertatum

Colunista do Editorial Blog da Tum


Análise
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Por trás do arranca rabo de Vicente Jr e Marcelinho no Twitter, o ataque ao mercado

Ao tentar polemizar e com isso se tornar o opositor preferencial dos que querem votar contra a prefeita Cinthia, deputado faltou com a verdade sobre verba publicitária para 2020 e causou reação...
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Descrição: Silva, da Public, desmentiu e desafiou o deputado no Twitter Divulgação

A temperatura subiu no Twitter no final de semana e o “arranca rabo”, literal, entre o deputado federal Vicente Jr. e o publicitário Marcelo Silva, sócio proprietário da Public, foi parar no Painel da Folha de S. Paulo.

 

O motivo:  a acusação do deputado de que a prefeitura de Palmas estaria "desperdiçando" R$ 12 milhões de reais em gastos com propaganda em plena pandemia, irritou o publicitário. Em seu Twitter, Silva que via  a Live, apelidou Vicente Jr de "deputado mentirinha", e o respondeu provocando uma discussão que desceu a níveis escatológicos. 

 

 

Na Live que fez para se apresentar como pré-candidato, Vicentinho Jr. chegou a sugerir que estes recusos (os supostos R$ 12 milhões) deveriam ser empregados para comprar vacinas contra a Covid (ainda em fase de testes), ao invés de ser destinado à três agências ("uma de Palmas e duas do Goiás").

 

Ele criticou ainda ausência de "Kits" contra a Covid nas Unidades de Saúde, que pelo seu cálculo, custariam em torno de R$50,00 e preveniririam o virus. (sic)

 

Detalhe: a Public é apenas uma das vencedoras da disputa. O contrato para as três agências foi assinado 21 de Julho, tem duração de um ano (podendo ser renovado) e não há no orçamento da prefeitura este valor. O total orçado para este ano é de R$ 3 mihões de reais. 

 

Com um detalhe. Até julho não houve gastos e depois de 15 de agosto até o final do processo eleitoral, nenhum centavo de real poderá ser gasto. Daqui para frente, o município só poderá investir em campanhas sobre a pandemia.

 

Estratégia do marketing é que pré-candidatos polemizem contra prefeita

 

A afirmação de Vicente Jr. lembra uma pegadinha. Na verdade o deputado mirou na prefeita e atingiu todo um mercado, que não aceita mais ser criminalizado. Ao que parece, o discurso é orientado como parte de uma estratégia do deputado para criar polêmica e assim atingir o sonho de todos os 16 pré-candidatos a prefeitura da Capital: polarizar com a prefeita Cinthia Ribeiro, natural candidata à reeleição. Mas é difícil acreditar que os marketeiros que orientam a pré-campanha do deputado tenham a pontaria tão equivocada...

 

Explico: num cenário tão dividido -  e apesar das pesquisas de ocasião – Cinthia lidera a preferência do eleitorado da Capital. Ainda que enfrente uma rejeição enorme por parte do empresariado e toda sua rede de influência pelas medidas duras que tomou no começo da pandemia. Seu adversário natural vem da sua antiga base, mas ao lado dele, pelo mais 15 querem ocupar o posto.

 

Potencial adversário de Cinthia, ainda é Amastha, que não pode disputar e apoia Thiago

 

A liderança da prefeita é compreensível já que ela herdou uma gestão que ia bem nos principais índices de avaliação de políticas públicas. Resultados consolidados pelo ex-prefeito Carlos Amastha (PSB), em mais de cinco anos à frente do comando da capital (um mandato de quatro, mais um ano e três meses), do qual saiu para disputar o governo. E Cinthia soube manter em dia funcionalismo, progressões, obras, pagamentos  a fornecedores.

 

A saída antecipada pelas eleições suplementares, no caso de Amastha trouxe consequências, num ano em que tivemos duas corridas pelo Palácio Araguaia.

 

No andar da carruagem, com estilos diferentes e dada a decisão da prefeita em governar independente do grupo consolidado pelo ex-prefeito, começaram os desencontros entre os dois, que termina com a chegada neste 2020, com Cinthia, a vice que assumiu o mandato, em oposição a Amastha, com que quem se elegeu. O ex-prefeito tem o maior recall na lembrança do eleitor e a capacidade de influenciar o voto. Vai apostar no companheiro de partido, vereador e seu ex-secretário de governo, Thiago Andrino.

 

Mas não é disso que se trata nossa conversa de hoje.

 

Ao faltar com a verdade, deputado atinge mercado que sustenta milhares

 

O fato que animou as conversas pelo Zap é que na estratégia de bater na prefeita e na sua gestão, escolhendo para isto a licitação das agências de Comunicação, o deputado Vicente Jr. passeou entre os argumentos bolsonaristas (no caso da Covid, uma vacina que ainda não existe, e um Kit sem eficácia científica) e a falta da verdade, entrando num terreno perigoso.

 

Não existem estes R$ 12 milhões anuais em orçamento para a comunicação em Palmas. Como deputado que é, e conhecedor de como funciona o serviço público, poderia o pré-candidato ter feito uma consulta à Camara de Vereadores da Capital, que aprovou orçamento de R$ 3 milhões para 2020. Um ano eleitoral, cuja vedação para anunciar obras, campanhas de utilidade pública e serviços começou neste agosto. Afinal, não se pode gastar o que não está orçado, nem o que não foi empenhado. Questões técnicas que todo candidato tem obrigação de saber.

 

E qual o maior problema da mentira, neste caso? O perigo de criminalizar todo o mercado da comunicação - que está muito além de três agências e seus funcionários - numa estratégia de campanha que quer dizer para a população que estes gastos são milionários e desnecessários.

 

Não são.

 

Prefeitura ficou 10 meses sem gastar um real com comunicação

 

A verdade é que a Prefeitura de Palmas fez seu último investimento em campanhas no Festival Gastronômico de Taquaruçu, ano passado. Daquele setembro, cujas mídias foram pagas em outubro, se passaram dez longos meses sem qualquer investimento em publicidade municipal.

 

A cidade entrou numa crise de saúde pública no enfrentamento da pandemia, com consequente retração da economia  - comércio em sua maioria fechado por quase 90 dias – e os veículos de comunicação prestaram um serviço GIGANTE e gratuito à cidade, mantendo uma cobertura intensa, real, crítica, verdadeira de todos os atos do poder público estadual e municipal.

 

Quando o município tentou fazer uma campanha, com verba em torno de R$ 900 mil reais, para levar informação clara e direta sobre as precauções necessárias na pandemia, a intenção foi abortada por uma ação conjunta de adversários da prefeita e gente do Tribunal de Contas que considerou os gastos desnecessários.

 

O fato é que este é um mercado gigante não só no gesto e no espírito público. É um mercado que alimenta milhares de famílias. E deveria ser considerado por quem imagina comandar uma capital como Palmas.

 

Os serviços prestados pelas agências de publicidade englobam centenas de outros fornecedores. Além do que fazem os profissionais contratados nas agencias (são três vencedoras da licitação em Palmas), planejamento e criação de campanhas publicitárias e de utilidade pública há toda uma cadeia produtiva.

 

Pela agência, emitindo notas próprias, passam as produtoras, as empresas de identidade visual e todas as que envolvem serviços gráficos. Estamos falando dos que trabalham pelas ruas com carros de som, as empresas de outdoor e mídia indoor e só então as rádios, TVs, jornais e websites.

 

O Estado do Tocantins tem 60 rádios comunitárias, 26 rádios comerciais e 22 rádios on line. Só em Palmas são dez emissoras.

 

No caso das televisões são 28 geradoras, oito delas instaladas na capital. A rede de veículos de comunicação engloba 63 sites de notícias ativos e produzindo conteúdo no Estado. São 56 só em Palmas. Além destes, muitos outros profissionais sobrevivem do mercado da comunicação.

 

Tentar criminalizar um segmento todo, jogando a população contra quem contrata e quem executa esses serviços é de muita má fé. 

 

Pode até ser que ano que vem, em 2021, existam R$ 12 milhões para o município investir em publicidade. Mas isso vai depender do Orçamento que os vereadores aprovarem no final deste ano. E se o prefeito ou prefeita que se eleger em 15 de novembro, julgar necessário. É teto, não é piso. É opcional, e não obrigatório.

 

Explicações que quem está numa campanha, brigando para polarizar e vestir o papel de opositor da vez, não está interessado em dar.

 

 

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