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Leis que definem datas comemorativas evangélicas provocam reação negativa

As leis promulgadas pela presidente da Câmara, Janad Valcari, que estabelecem o Dia Municipal da Igreja Internacional da Graça de Deus e o Dia do Pastor Evangélico causaram reação negativa
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Descrição: Presidente da Câmara Municipal de Palmas, Janad Valcari (Podemos). Leidiane Silva - Câmara Municipal de Palmas

A promulgação das duas novas leis que incluem datas comemorativas de cunho evangélico a partir deste mês de janeiro de 2021, definidas como Dia Municipal da Igreja Internacional da Graça de Deus e o Dia do Pastor Evangélico causou reação negativa de outras entidades religiosas da Capital.

 

Promulgadas pela presidente da Câmara Municipal de Palmas, Janad Valcari (Podemos), a lei nº. 2.586, que inclui o Dia Municipal da Igreja Internacional da Graça de Deus, a ser celebrado anualmente no dia 13 de novembro, é de autoria do vereador Moisemar Marinho (PDT). A lei nº. 2.587 estabelece a inclusão no calendário o Dia do Pastor Evangélico, comemorado no segundo domingo do mês de junho, de autoria do vereador Rogério Santos (Republicanos).

 

O portal entrou em contato nesta sexta-feira, 8, com o vice-presidente da Federação das Casas de Culto de Matriz Afro Brasileira do Tocantins (Feccamto) e fundador do Instituto Umbandista Tenda do Caboclo. Pai Gil afirmou que as leis representam intolerância religiosa e são um “retrocesso para a cidade de Palmas. Sendo que todas as comemorações públicas e de cunho municipal são arcadas com os impostos de todos os cidadãos, evangélicos, católicos, umbandistas, candomblecistas, espíritas, além de outros grupos que não são citados pelo histórico municipal de Palmas”.

 

Para ele, religião nenhuma tem que ser favorecida através de autarquias públicas. “É necessário que a população faça uma movimentação contra esse tipo de administração pública, pois a cidade não congrega o evangelho, é uma cidade mista que é de todas as religiões. Temos inúmeras religiões em Palmas que mantêm o funcionalismo público. Precisamos nos posicionar, fazer um ato de repúdio contra isso”.

 

O líder religioso afirma que a mistura entre religião e administração pública afeta a laicidade do Estado que deveria assegurar a liberdade de todas as religiões. “A legislação direcionada ao cunho religioso é controvérsia ao papel da Câmara, que deveria trabalhar pelos cidadãos e para a comunidade como um todo. É uma vantagem muito desonesta e ao meu ver até criminosa, porque seleciona certos grupos religiosos para administrar e envolver dinheiro público. Igreja é igreja e administração pública é administração pública”, finalizou Pai Gil.