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Miranda ameaça deixar palanque após desentendimento com Amastha sobre fala

Uma situação de constrangimento que pode levar ao rompimento entre Carlos Amastha e o governador Marcelo Miranda, marcou o evento do Dia Z do Zika, no Espaço Cultural na manhã deste sábado, 13
- Atualizada em
Descrição: Kátia tenta amenizar clima entre Amastha e Miranda Lourenço Bonifácio

O governador Marcelo Miranda(PMDB), ameaçou descer do palanque no Espaço Cultural, na manhã deste sábado, 13, no Dia Z contra o Zika, após desentendimento com o prefeito Carlos Amastha(PSB) em torno de sua participação no evento, que tinha a presença e participação dos ministros: Miguel Rosseto, do Trabalho e Previdência Social, e da Ministra da Agricultura, Kátia Abreu(PMDB).

 

Tudo teria começado quando o prefeito teria mandado avisar, através de sua equipe, ao cerimonial do governador que sua presença não era bem vinda no Espaço Cultural. O recado chegou para Marcelo Miranda dentro do carro em que ele se deslocava acompanhado de Rosseto. A situação gerou um impasse, com o governador permanecendo no veículo por alguns minutos para decidir o que fazer. O ministro teria reagido: “isto não existe em lugar nenhum. O prefeito não pode transformar o evento em política de interior”. Miranda então teria dito a auxiliares: “O Amastha tem que me respeitar. Vou descer sim”.

 

Segundo outra fonte, que acompanhou o momento anterior à coletiva, em que autoridades permaneceram dentro do Espaço Cultural, os dois chegaram a bater boca na saleta, entre secretários. A informação foi negada pelo Secretário de Comunicação do governador. “Acompanhei o Marcelo lá dentro o tempo todo, e isso não procede. Eles não discutiram”. Outro secretário, que pediu para não ser identificado confirma a discussão: “foi em público, tinha muita gente, todo mundo viu”.

 

Em contato com o portal por telefone no final da manhã, o prefeito também negou que tenha havido discussão entre ele e o governador.

 

No palanque, prefeito resistia em dar a palavra ao governador

 

O clima de constrangimento se estendeu para o palanque, onde a discussão era a ordem das falas. Segundo Silva, o governador queria usar da prerrogativa de falar por último, regra básica de cerimonial. O prefeito teria insistido em falar depois, fechando o evento.

 

No entanto outra fonte, que acompanhou a discussão sustenta que além de não querer que Miranda estivesse presente, o prefeito negava ao governador o direito de fala. “Foi muito estranho, só pode ter havido algum desentendimento pessoal entre os dois. Não dá para entender essa atitude. Isso atrapalha é a relação entre o município e o Estado”, prosseguiu a fonte que disse ter acompanhado a discussão na saleta.

 

" Não neguei fala a ele, inclusive fui eu quem chamei o governador para falar", comentou Amastha com o T1 ao retornar a ligação.

 

Kátia intercede para Miranda falar e segura governador, que queria descer do palanque

 

Com todos constrangidos com a situação, os dois ministros atuaram para que o prefeito cedesse a palavra ao governador, chegando ao ponto de Marcelo Miranda ameaçar descer do palanque e ir embora. “Se o senhor for embora, eu também vou”, disse Rosseto a Miranda.

 

Já Kátia Abreu, intercedeu com o prefeito: “Amastha, você não pode fazer isso”. Diante do gesto de Miranda de caminhar para descer do palanque, a ministra segurou seu braço: “fique… você não vai”.  Uma quarta fonte ouvida pelo T1 Notícias, comentou: “como é engraçada a política tocantinense. Hoje eu vi a senadora interceder para o governador falar e segurá-lo para ele não descer do palanque”.

 

Marcelo usa discurso para dar recado: não guardo rancor"

 

Marcelo Miranda finalmente falou, depois do ministro Rosseto. Fazendo as vezes de cerimonialista, Amastha pegou o microfone das mãos do ministro, disse que havia esquecido alguns cumprimentos e depois de fazê-los, passou o microfone ao governador.

 

Fiel ao seu mote de sempre, Miranda disse que não guarda rancor, e estava aberto a contribuir com quem quisesse ajudar o governo. “Quem me conhece sabe que eu não guardo rancor”.

 

Dívida de R$ 20 milhões

 

No meio da discussão sobre Marcelo falar ou não falar, o prefeito Carlos Amastha teria dito à ministra Kátia Abreu que Miranda “não move uma palha” para ajudar a Saúde de Palmas e que deve R$ 20 milhões ao município e não paga.

 

Para pelo menos duas das fontes ouvidas pelo T1 Notícias, ligadas a Marcelo, os motivos do mau humor do prefeito foi o entrevero em torno da ausência dele do Palácio Araguaia ontem, sexta-feira, quando o governador recebeu o Ministro George Hilton. Fontes palacianas vazaram para os veículos durante toda a tarde, que Amastha deixou de comparecer para não dividir mesa com a vice-governadora e pré-candidata do PV, Cláudia Lelis,

 

“Uma coisa é verdade: ele não foi e mandou mensagem para todos os seus secretários orientando que não era para ninguém comparecer”, afirma um dos ouvidos pelo portal.

 

O T1 Notícias tentou contato por telefone com o governador Marcelo Miranda, e via WhatsApp com o prefeito Carlos Amastha para ouvi-los sobre o ocorrido, e aguarda retorno de Miranda, que teria retornado à sua residência. O prefeito Amastha acompanhou a senadora Kátia Abreu no Aureny III, na mobilização que começou cedo. Ele retornou a ligação e concedeu entrevista sobre o assunto.

 

(Atualizada às 12h14)