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Roberta Tum

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roberta.tum.9 @robertatum

Colunista do Editorial Blog da Tum


Análise
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Cinthia fica só e pode recuar no fechamento da cidade: uma conta a ser dividida

Com governo recomendando abertura e extensão do funcionamento do comércio e TJ mandando ver nas liminares, Cinthia fica só
- Atualizada em
Descrição: Prefeita de Palmas Cinthia Ribeiro (PSDB) Edu Fortes

Caros, a prefeita de Palmas, Cinthia Ribeiro - por mais apoio que tenha nas redes de formadores de opinião e de quem enxerga o caos que se tornou, não só a capital, mas os maiores centros de excelência médica do País no atendimento a casos de Covid-19 -  começa a semana só.

 

No cenário político, o decreto do governo do Estado, cheio de recomendações (que somadas significam bem pouco apoio no controle da pandemia aos prefeitos) na verdade serviu como um instrumento de mais pressão de empresários e comerciantes que querem abrir.

 

Dia desses, uma conversa num grupo de WhatsApp do CDL apontava para a próxima estratégia que alguns dos maiores querem tomar: ameaçar a prefeita com um plano de demissões e jogar na conta dela as reduções de pessoal que querem fazer. Isso, depois da cidade aberta desde junho do ano passado, e enfrentando a sua maior crise.

 

O fechamento do comércio essencial, não chegou a 14 dias (uma semana epidemiológica inteira). E termina amanhã, 16. Se alguém disser que quebrou por causa disso, está brincando de ser empresário.

 

As coisas estão difíceis? Muito. Para todos. O ano passado teve impacto em centenas de empresas? Correto. Mas dizer que vai demitir por que a cidade fechou parcialmente de 6 a 16 é brincadeira de mau gosto. 

 

Liminares garantem que os mais ricos funcionem: e os pobres, como ficam?

 

Com dinheiro para pagar bons advogados e contando com a visão que permeia boa parte de juízes e desembargadores, dezenas de empresas já estão desobrigadas de cumprir o decreto municipal. A maioria delas para fazer delivery no domingo, único dia em que a cidade deveria ficar completamente fechada. Um sacrifício para a classe média que não quer cozinhar no final de semana. Incrível o que isso significa e fala sobre nós como sociedade.

 

A verdade é que os mais pobres, donos de pit dog, ou food truck, restaurantes mais periféricos, ficaram na restrição. Então, qual a lógica disso? Se vale para um, tem que valer para todos. 

 

Esta e outras realidades, é o que a prefeita vai enfrentar hoje até o final do dia para decidir se reabre a cidade, mesmo que em etapas, ou se deixa fechada e assiste o judiciário esvaziar o decreto.

 

Mesmo problema, cria o Ministério Público, que como se sabe, atua com independência funcional. São tantas requisições e exigências que a equipe da prefeita não sabe se para a fim de responder, ou se concentra esforços em tudo que tem sido feito.

 

E não adianta a claque adversária pregar que a gestão não faz nada. Precisa entender de competências, ver quanto dinheiro entrou e quanto tem sido investido nas ações. As duas UPAS, por exemplo, já são praticamente hospitais de estabilização, tamanho o investimento feito lá. Duas unidades abrigarão urgências e emergências em cada canto da cidade. Uma já funciona na Policlínica Francisca Romana. Outra, que vai abrigar o serviço emergencial da UPA Sul, vai funcionar na UBS José Hermes. Mais oito unidades estão funcionando em regime estendido: das 7 às 19 horas, duas delas até as 21hs.

 

A sabotagem interna e a guerra política: caso de polícia

 

A prefeita enfrenta também a sabotagem interna, de servidores ligados a vereadores. Coisa de polícia. Como por exemplo, desligar a usina de Oxigênio numa das UPAS, informação que chegou ao Blog pela manhã nessa segunda feira. É muita intenção de atrapalhar. Mas daí extrapola os limites e passa a ser crime.

 

Diante de tudo isso e em que pese que outras medidas poderiam ter sido tomadas (cada um de nós, se fosse prefeito, agiria à sua maneira) o enfrentamento que a prefeita da Capital faz aos efeitos danosos dessa doença que tem levado tantos amigos, é o mais corajoso que se viu até aqui no Estado.

 

Está só e deve recuar até onde o braço (público, municipal) alcança.

 

Uma coisa é certa: a verdade é algo que não se pode esconder e que salta aos olhos mais cedo ou mais tarde. E a verdade é que Palmas não suporta a circulação de pessoas levando o vírus para todos os lugares. Não tem sistema de saúde que suporta e não tem mais recursos profissionais, médicos, e enfermeiros para tanto. Nem São Paulo tem.

 

E sem querer profetizar o caos, a reabertura que caminha para chegar custará mais vidas humanas. Mais do que as que já perdemos. Infelizmente. 

 

Só que essa conta, amigos, anotem aí: tem muitos responsáveis e deverá ser bem dividida no final.

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