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Roberta Tum

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Análise
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Palácio agrega em torno de Carlesse, ativo político para 2022

A terça-feira, 13, será marcada por reengenharia política do comando do Palácio Araguaia, com vistas a 2022...
- Atualizada em
Esequias Araújo/Governo do Tocantins

Em Palmas, a terça-feira, 13, será marcada por um ato político que pretende ser discreto, mas que revela a reengenharia política do comando do Palácio Araguaia, com vistas a 2022.

 

Ainda que o momento seja de enfrentar a pandemia e depois dela a pauta seja recuperar a economia do Estado, fazendo circular recursos na área de infraestrutura, o “Homo Politicus” nunca deixa de fazer... política.

 

No caso do governador Mauro Carlesse, que assina ficha de filiação nesta terça-feira ao lado do vice-presidente Nacional do PSL, a sabedoria está em antecipar-se e construir o cenário que lhe seja mais favorável para disputar o Senado. Afinal, este é o plano. A não ser que o cenário seja muito atípico e determine a permanência dele no governo até o último dia.

 

Coisa que o governador não tem descartado.

 

Na última semana, o governador deu dois passos importantes, mostrando que está de olho em duas agendas simultâneas: a política e a administrativa.

 

Mesmo ainda sem perspectiva de data, integrou o grupo de governadores que sinalizam querer comprar a vacina russa Sputnik V, que está aguardando liberação da Anvisa. Todos os governadores que querem retomar um mínimo de normalidade na rotina produtiva dos seus estados sabem que vacinar é essencial. Carlesse acenou com uma intenção de compra de 1 milhão de doses da vacina russa, que tem custo baixo e só necessita da aplicação de uma dose.

 

O gesto político foi estender a mão à prefeita da Capital, Cinthia Ribeiro, em um processo de fritura desencadeado por adversários. Carlesse convidou a prefeita inclusive para se filiar com ele no PSL. Um ato difícil para Cinthia, que está bem instalada no PSDB, com todas as garantias do comando da legenda no Estado e respaldo da Nacional.

 

Porém, num gesto de aproximação, o secretário de governo do Paço, Rogério Ramos, filia-se junto com o governador nesta terça-feira, demonstrando que o Paço está com um pé no Palácio e, por conseguinte, se reposiciona mais próximo do governador.

 

 

Na Assembleia, o clima é de pacificação entre deputados

 

Na reunião que fez semana passada com os deputados,  Mauro Carlesse deixou claro que seguirá comandando seu destino na política, seja como senador ou como governador. E quer saber quem está com ele para além dos arranjos administrativos.

 

É um gesto de liderança, que mostra comando, e deixa claro que quem quiser estar no grupo precisa se posicionar. São 20 os deputados hoje na base do governador. Alguns, que não estiveram com ele na campanha, já demonstram estar em seu projeto por vontade própria, graças à relação construída nos últimos anos.

 

É o caso da deputada Claudia Lelis, do PV, que foi vice-governadora do Estado no mandato de Marcelo Miranda, que Carlesse sucedeu após a cassação.

 

“Eu tô com o Carlesse”, resumiu ao ser ouvida pelo Blog. “O governo tem nos ouvido, tem atendido nossas demandas. Inclusive agora recente, fizemos uma sugestão sobre o Refis, que foi ouvida, e que ajuda muito o empresário a passar pelas dificuldades desta pandemia”, argumentou.

 

Não é só. A deputada tem criticado também a permanência de vacinas contra a Covid-19 paradas em municípios que não conseguem vacinar. “Propus um remanejamento. Sei que existe um Plano Nacional de Imunização que precisa ser seguido, mas não dá para ter vacinas paradas em diversos municípios e gente morrendo por falta de imunizar”, defende Claudia. O governador foi favorável à ideia, e o assunto é tema de estudo da Sesau.

 

Essa dinâmica administrativa, a recuperação da condição fiscal do Estado e o ritmo de obras grandes (hospitais, ponte de Porto, estradas) anima os aliados do governador.

 

Fazendo um contraponto, ouvi de um parlamentar mais crítico ao governo que a escolha do sucessor merece cuidado, pois não pode ser uma “continuação”, já que dificilmente daria certo. “Tem que ver direito quem vai disputar o governo pelo grupo. Para ser governador tem que discutir o Estado, tem que avançar, tem que ter projeto”, levantou a lebre na semana passada um dos líderes próximos do governo.

 

Essa definição, como se sabe, não será tomada agora. A política tocantinense é cheia de surpresas. Afinal, já tivemos vice-governador renunciando antes do próprio governador na história recente do Estado.

 

De concreto, o passo que Mauro Carlesse dá nesta semana é de quem está planejando seu caminho e agrupando gente que pensa igual.

 

Na sua oposição estão a senadora Kátia Abreu (PP), o deputado federal Vicente Jr. (PL), o ex-prefeito Carlos Amastha (PSB) e outros que ainda não se colocam abertamente.

 

O que o grupo trará como alternativa e quem será o nome da oposição, ninguém ousa ainda arriscar.

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