Palmas, Tocantins -
Caso foi parar nas redes
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Advogado e testemunhas negam agressão a adolescente em manifesto contra Bolsonaro

A OAB/TO, também por meio de nota, disse que irá apurar os fatos e que o advogado ficará afastando de seu cargo até a conclusão da averiguação do caso
- Atualizada em
Denúncia foi feita por mãe de adolescente nas redes sociais Divulgação

O advogado e presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/TO, Edy César, emitiu uma nota neste domingo, 30, afirmando que não procede a acusação feita por um adolescente de 14 anos, que o denunciou em vídeo postado nas redes sociais, por uma suposta agressão no manifesto #EleNão, contra Jair Bolsonaro, ocorrido em Palmas no último sábado, 29. A OAB/TO, também por meio de nota, disse que irá apurar os fatos e que o advogado ficará afastando de seu cargo até a conclusão da averiguação do caso.

 

O vídeo postado pelo adolescente, no Youtube, mostra uma discussão ele e o advogado. O adolescente diz que Edy bateu em sua bicicleta com um bastão, porém as imagens não mostram qualquer agressão ao adolescente.

 

 “A OAB/TO repudia atos de intolerância e toda manifestação de ódio e por essa razão, seguirá firme acompanhando as apurações e definições de eventuais responsabilidades de membros inscritos em suas fileiras”. No comunicado enviado por Edy, o advogado nega qualquer agressão e ressalta que pediu “com firmeza”, para que os meninos se retirassem do local e parassem com provocações “em um ambiente que não tinha essa finalidade”.

 

O autônomo Aguinaldo Leal, que fez a segurança do evento, disse ao T1 na manhã desta segunda-feira, 1º, que o adolescente estava acompanhado de mais um jovem e que ambos estavam provocando os participantes do evento. “Eles estavam mal intencionados”, disse. Em áudios, ele comprova que chegou a pedir a outro companheiro da segurança que acompanhasse de perto os adolescentes, que estavam proferindo palavrões e portando um spray, supostamente de pimenta. Em certo momento, Aguinaldo chega a pedir ao colega que solicite ajuda policial.

 

Na versão divulgada pela mãe do adolescente, nas redes sociais, ela assegura que o filho foi agredido pelo advogado com um bastão, somente pelo fato de o adolescente estar usando uma camiseta com a imagem de Bolsonaro. “O rapaz agrediu o Fernando porque ele estava usando esta camiseta do Bolsonaro. Pessoal passou chamando ele de fascista, mandou ele estudar e começaram a discutir.  O rapaz tem em torno de 30 a 40 anos. Eu vi no ‘face’ que o nome dele é Edy César... Ele pegou um taco semelhante a este (neste momento ela apresentada um taco de beisebol) e uma faca. Agrediu meu filho e bateu em sua bicicleta”, diz a mãe.

 

A estudante Laiane, que não quis divulgar seu sobrenome para se preservar, afirma que estava junto com o advogado no momento da confusão, e pontuou que Edy chamou a atenção dos adolescentes porque eles estavam aborrecendo as mulheres que estavam saindo do evento #EleNão. “Estavam com as camisetas sobre os ombros, nenhum deles estava vestindo a camiseta de Bolsonaro na hora do ocorrido. Eles estavam sem camiseta na hora que passamos. Ambos”, ressaltou.

 

Laiane ainda alega que Edy foi acompanhá-la até o carro porque os “meninos estavam ameaçando todas as mulheres que passavam lá para pegar os carros. Eu estava com minha filha de 3 anos e fiquei com medo de passar sozinha por eles. Eu estava com ele até que ele saiu do estacionamento, o carro dele estava ao lado do meu. Eu vi tudo que aconteceu”, completa.

 

Sobre a suposta agressão, a estudante destaca que isso não aconteceu. “Ele foi firme com os garotos e gritou para eles irem embora, porque estavam com spray de alguma coisa, não sei se de pimenta. Estavam no escuro, jogando pedras, e ofendendo a todas que passavam lá. O Edy foi firme com a voz porque estávamos com duas crianças, a minha filha e a dele. Ele me esperou sair do estacionamento, entrou no carro dele com a filha dele e saiu logo atrás de mim”, finaliza.

 

Confira abaixo as notas de Edy César e da OAB/TO:

 

Nota de Edy César

 

Após participar da mobilização pacífica em repúdio a candidatura de Jair Bolsonaro #elenão realizada em Palmas neste sábado, 29, no Parque dos Povos Indígenas, afirmo publicamente que NÃO COMETI NENHUMA AGRESSÃO CONTRA NINGUÉM, muito menos contra uma CRIANÇA.

 

Acompanhado da minha família, esposa, filha e amigos que havia participado do ato,  aconteceu o seguinte fato: ao me dirigir para o estacionamento percebi duas pessoas, sem camisa, jogando pedras nos veículos que estavam parados próximos à praça e ofendendo manifestantes.

 

Diferente do que foi afirmado nas redes sociais locais,  no ocorrido não houve NENHUM TIPO DE AGRESSÃO. Ou seja, não houve nenhuma agressão, lesão ou confronto corporal.

 

Preocupado com a segurança das pessoas que estavam próximas a mim, apenas pedi com firmeza para que os meninos se retirassem dali e parassem com provocações em um ambiente que não tinha essa finalidade. Afinal, a mobilização contou com a participação de crianças, jovens, mulheres e várias pessoas idosas que se mobilizaram pacificamente.

 

A pessoa em questão, ao contrário do que vem sendo afirmado, estava descamisado, depredava veículos  e proferia ofensas e xingamentos às pessoas que passavam, intimidando os participantes com o spray de pimenta que portava.

 

A notícia é tão falsa que o vídeo postado nas redes sociais não mostra absolutamente nenhuma violência física contra qualquer pessoa .

 

Defendo e sempre defendi a democracia e a liberdade de expressão. Não acredito em violência e nunca agi dessa forma. Diferente do que as pessoas que apoiam a candidatura do deputado Jair Bolsonaro pregam.

 

Vale destacar que a mobilização de ontem teve como objetivo justamente isso: mostrar que o caminho que queremos seguir é o do respeito às diferenças, da paz, amor, direitos iguais e da busca por uma sociedade mais igualitária. Esses são os valores que carrego comigo.

 

Reafirmo, não pratico ou pratiquei nenhuma violência.

Acredito e confio que a Justiça será feita.

 

 

Nota da OBA/TO

 

A Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional do Estado do Tocantins, por meio de sua Diretoria,  vem manifestar-se sobre o vídeo que viralizou nas redes sociais, em que supostamente o Presidente da Comissão de Direitos Humanos teria agredido um adolescente de 14 anos.

 

Na semana que antecede as eleições, em que grupos se manifestam democraticamente nas ruas, nas redes sociais, conforme permite a Constituição Federal, a OAB/TO vem à público reafirmar o direito de reunião, direito de expressão, mas, sempre com respeito e dignidade.

 

A Entidade rejeita quaisquer atos de violações ao Estado Democrático de Direito, bem como, qualquer ato de violência, física ou verbal.

 

Informa ainda o afastamento do membro da Comissão e pugna pela ágil e competente apuração dos fatos e responsabilidades, zelando sempre pelo devido processo legal.

 

Por fim, a OAB TO repudia atos de intolerância e toda manifestação de ódio e por essa razão, seguirá firme acompanhando as apurações e definições de eventuais responsabilidades de membros inscritos em suas fileiras.

 

O compromisso da OAB TO é com o cumprimento da Constituição Federal e assim seguirá seu mister.