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Alunos de escola rural são estimulados ao exercício da democracia em sala de aula

A ETI Sueli Reche, na zona rual de Taquaruçu, dá início ao projeto "Assembleias Escolares" nesta quinta-feira,13, com alunos de 1ª a 5ª série.
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Descrição: Alunos em sala de aula na ETI Sueli Reche, na zona rural de Taquaruçu divulgação

A Escola Municipal de Tempo Integral professora Sueli Pereira de Almeida Reche, localizada na zona rural de Taquaruçu, desenvolve um projeto que está mexendo com a cabeça da meninada, lá em cima da serra, indo para Buritirana.  Assembleias Escolares é o nome do projeto, cuja proposta foi apresentada este ano para a equipe pedagógica durante o ciclo de formação, na semana anterior ao início das aulas, e que tem como objetivo a participação ativa e consciente dos alunos nos processos decisórios do colégio.

 

Nesta quinta-feira, 13, acontece a primeira assembleia de classe para os alunos de 1ª a 5ª séries; os alunos do 6º ao 9º ano realizarão as suas nos dias 26 e 27 deste mês. Todos os alunos matriculados (atualmente cerca de 200) irão participar do projeto, desde a pré-escola até o 9º ano do ensino fundamental, totalizando 11 turmas.

 

O gestor da unidade de ensino, professor Víctor Fonseca, explica que o objetivo é democratizar as relações de sala de aula e trazer o aluno para uma condição de protagonista, “estimulando sua participação ativa e consciente nos processos decisórios”.

 

A proposta foi apresentada este ano para a equipe pedagógica durante o ciclo de formação, na semana anterior ao início das aulas. O seu grande objetivo é democratizar as relações de sala de aula e trazer o aluno para uma condição de protagonista, estimulando sua participação ativa e consciente nos processos decisórios.

 

“Nosso projeto político-pedagógico define como missão educar com foco na qualidade, buscando a formação de competências que possibilitem aos nossos alunos intervir de forma ativa e consciente na transformação da realidade”, argumenta o gestor da escola. 

 

Nesse sentido, Fonseca acredita que se a escola não proporcionar e fortalecer os espaços de participação democrática, dificilmente irá formar cidadãos no sentido pleno da palavra. E explica, resumidamente, como funciona a metodologia na prática: “cada sala possui um cartaz com os títulos ‘críticas’ e ‘felicitações’; nesse cartaz, os alunos se expressam livremente, manifestando aquilo que reprovam ou que aprovam, respeitando uma regra básica que é não citar nomes”.

 

Esse mural servirá como uma espécie de pauta que será tratada nas assembleias de sala, que acontecerão semanalmente nas turmas do 1º ao 5º ano e quinzenalmente nas séries finais, do 6º ao 9º ano. O professor regente fará a mediação e os registros das assembleias, no caso das séries iniciais, relatando em ata os assuntos discutidos e os encaminhamentos decididos pela maioria. No caso das séries finais, o professor de filosofia ficará com esta atribuição.

 

“É um sistema de participação direta, que complementa a democracia representativa já presente nos órgãos colegiados (conselho de classe e conselho escolar), em que se espera que os alunos desenvolvam o protagonismo estudantil, a liderança e noções de cidadania”, pontua o gestor.

 

Fonseca observa que o projeto está em fase de implantação e que, depois dessa assembleia de quinta, a escola terá uma radiografia de como a unidade é vista sob o ponto de vista dos alunos. “O produto das assembleias, ou seja, os seus registros, será utilizado como matéria-prima para a gestão escolar conhecer o ponto de vista e as propostas dos alunos sobre as problemáticas do dia a dia da escola, e balizar nosso trabalho”, descreveu. 

 

Ele destaca, ainda, que, além das assembleias de sala, haverá também as assembleias de curso, das quais  participam apenas os representantes de turma, e também as assembleias de professores. “Cada uma delas contribuirá para fomentar uma cultura de diálogo e co-responsabilidades sobre as demandas mais importantes”.

 

Victor Fonseca parte do pressuposto de que um aluno que tem essa oportunidade, desenvolve uma maior sensação de pertencimento e amor pela escola, assumindo sua condição de sujeito no processo, que mexe também com a relação professor/aluno. Com a escola efetivamente democrática, a imposição da disciplina pelo medo e o castigo deixa de ser um paradigma e cede espaço para outro modo de disciplina escolar.

 

“A disciplina que queremos construir com este tipo de metodologia é consciente e interativa; acreditamos que a indisciplina irá cair consideravelmente, pois serão os próprios alunos tentando resolver os problemas de cada sala”, ensina o gestor ao citar um exemplo aconteceu na quarta-feira, 12, quando uma aluna do quarto ano chamada Bruna o procurou para reclamar de um colega que a desrespeitou no recreio, tirando dela a bola que o professor havia lhe emprestado.

 

“Os meninos não respeitam a gente no futsal, diretor; pensam que a bola é só deles”, relatou a aluna. O gestor sugeriu, então, que ela escrevesse essa crítica no cartaz da sua sala, para ser discutido na primeira assembleia desta quinta-feira. Esse tipo de solução, segundo ele, é mais duradouro e eficaz, pois vai até a raiz do problema. “Imagine temas ainda mais polêmicos como o bullying sendo discutidos olho no olho? É outro paradigma, muito mais coerente com uma escola democrática como a nossa”, admite Fonseca.