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Caso de assédio em escola do município é denunciado ao MP; Cleizenir repudia ato

Mãe da adolescente procurou escola para denunciar professor. Mais de um mês depois, sem sindicância instalada, avó tomou frente e denunciou à Polícia e ao MP. Secretária repudia ato
- Atualizada em
Descrição: ETI Margarida Lemos Divulgação

Um assédio feito por parte de um professor a uma aluna da ETI Margarida Lemos, denunciado pela avó da mesma em Boletim de Ocorrência à Polícia Civil, e em depoimento ao Ministério Público Estadual, deve chegar à Câmara Municipal de Palmas esta semana, com pedido da família para afastamento do autor e do supervisor da escola.

 

O caso ocorreu ainda em setembro e provocou a busca da família por solução na própria escola, o que não ocorreu, provocando a revolta da avó da menina, Selda Lima de Souza, que procurou o portal T1 Notícias na semana passada para relatar a indignação, não só com o fato, mas também com o tratamento que recebeu na Secretaria Municipal de Educação, por parte da secretária Executiva, Fátima de Sena.

 

Segundo a avó, o professor A.E.L.F vinha constrangendo a menina com elogios, assim que as aulas presenciais retornaram, mas chegou a tocá-la “por diversas vezes”, nas bochechas. Uma das ocorrências está documentada em vídeo e as imagens recolhidas para embasar a investigação.

 

“Minha neta relatou que ele só tocava nela, em nenhuma outra aluna”, relata Selda ao portal. A filha de Selda, mãe da adolescente de 14 anos, esteve na escola ( em 20/09) ocasião em que se reuniu com o diretor e o supervisor, que chamaram o professor para confrontá-lo com a denúncia. Na ocasião, o supervisor teria adotado uma postura de repreensão à adolescente. Anteriormente, ele havia dito -  segundo relato da avó -  que “poderia ter sido a aluna a aliciar o professor”. O B.O só foi registrado em 18/10, por orientação do MP, em razão da avó ter aguardado que a própria escola desse andamento na solução do caso.

 

Indignada, Selda aponta vínculo de amizade e proteção entre supervisor e professor e quer o afastamento dos dois. O professor afastou-se três dias após a reunião na escola, com atestado médico para dois meses, conforme relato da avó, no entanto o supervisor permanece na escola, o que estaria causando constrangimentos à menina, sempre que se encontram, devido à postura do mesmo.

 

Avó reclama que secretária Executiva minimizou o fato

 

A avó da menor foi procurada no final da semana que passou, por telefone, pela secretária Cleizenir Divina dos Santos, que afirmou ter sido comunicada da complexidade do caso naquela data. “Quando fui na secretaria, me encaminharam para a Fátima Senna resolver. A Fátima fez foi me amendrontar, que ou eu deixava a secretaria resolver... aí eu falei: eu vim foi resolver, por que três dias depois do fato o professor pegou foi um atestado, que tá louco. Não existe isso aí”, relata a avó.

 

“Quantas mães já não falam mais nada, por que não tem força? Eu vim foi pra resolver, Fátima, eu falei pra ela”, conta dona Selda. A avó disse que solicitou o protocolo da denúncia encaminhada pela escola para a secretaria, e saber a providência tomada. O BO foi registrado em 20 de setembro. “Aí ela me disse que a escola não tinha encaminhado nada para lá e que ela estava sabendo do assunto por alto. Eu disse, uma semana quase? Aí ela veio com a proposta que eu desse para ela até o dia 6 que ela ia tentar resolver no colégio, e me disse: agora se você não deixar a secretaria resolver, e for procurar a justiça, a secretaria lava as mãos, por que aí o atestado acaba, ele ainda volta para o colégio e vai conviver com sua neta. Ela tipo me amedrontou, ou eu aceitava do jeito que ela queria, ou então o professor voltaria. Ainda me disse mais, que nós não podia fazer nada contra o professor, e nem a justiça, pois ele estava seguro por um atestado. Falei, então você acha que lá dentro da justi;ca o promotor é burro? Ainda se ele fosse um burro, ele veria que o professor depois de três dias de uma situação dessas, tá mostrando lá nas câmeras, tudo ele pegar um atestado de loucura ele tendo 15 anos de profissão?” relata a avó.

 

A avó afirma que “ninguém vai calar sua boca”. E continua: “Sabe por que? Hoje foi minha neta, amanhã, ninguém sabe quem vai ser, por hoje nós tamo (sic) vivendo num mundo que nós não tamo sabendo em quem confiar...nossos filhos, nossas crianças tá sendo estupradas por pai, por tio, por tudo. Então, vai servir de lição pra ele não fazer com nenhuma mais outra”.

 

Segundo Dona Selda a secretária entrou em contato pedindo que ela fosse lá para sentar com ela e o jurídico da secretaria para tentar resolver. “Eu digo, não. Eu fui na secretaria para tentar resolver mas o que eu recebi daí foi tipo como me amedrontar”, disse a avó para a secretária. “Ela me disse que a Fátima não poderia jamais ter dito isso, que a secretaria lava as mãos”,

 

Secretária de Educação repudia casos de assédio e afirma que pasta vai apurar o caso

 

Procurada pela reportagem na última quinta-feira, 28, a secretária Cleizenir disse lamentar os fatos, e esclareceu que não consegue acompanhar todas as demandas da escola, designando no caso a secretária Executiva da pasta para atender a avó. Após ser informada da complexidade do caso, a secretária afirma ter conversado diretamente com a avó da adolescente e requisitado as imagens das câmeras. “Quando isso acontece com um professor contratado, ele é imediatamente desligado. Mas no caso de um professor concursado, tem todo um trâmite a ser seguido pelo departamento jurídico, levantando os fatos e abrindo a possibilidade de defesa por parte do acusado”, explica.

 

A pasta emitiu uma nota curta sobre o caso. Confira:

 

A Secretaria Municipal de Educação repudia toda e qualquer forma de assédio. Assim que soube do caso, a secretária Cleizenir Santos tomou as providências necessárias quanto às denúncias apresentadas contra o professor da ETI Margarida Lemos.

 

O servidor foi afastado preventivamente da unidade educacional até que tudo seja esclarecido. Também foi  instaurado um processo investigativo, por meio da Comissão de Sindicância.

 

Cleizenir Divina dos Santos

Secretaria Municipal de Educação