Palmas, Tocantins -
Controle do movimento
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Com salário de R$ 7 mil, Elis Raik vai para as redes convocar quem não aderiu à greve

Derrotado nas eleições para o comando estadual do Sintet, o professor Elis Raik foi procurado pela atual direção para fortalecer o movimento, buscando atrair servidores à greve
- Atualizada em
Professor Elis Raik convida colegas a aderirem à greve Divulgação

Em um vídeo distribuído pelo WhatsApp, e com telefonemas para os mais resistentes à greve em Palmas, o professor sindicalista Elis Raik entrou em campo ontem, quinta-feira, 20, na tentativa de fortalecer o movimento. Derrotado nas eleições para o comando do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Tocantins, conforme informações de fontes ligadas à categoria, Elis Raik foi procurado pela atual direção para fortalecer o movimento, buscando com sua liderança retirar das escolas, professores e servidores que ainda estão trabalhando.

 

O argumento é que se a greve fracassar, direitos ainda mantidos, como o plano de carreiras, serão perdidos. O professor, concursado pelo cargo de nível médio, ascendeu por meio do Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS) e recebe R$7.096,00, conforme consta no Portal da Transparência. Questionado pelo T1 Notícias em entrevista na manhã desta sexta-feira, 22,  sobre sua adesão ao movimento e a participação neste momento da greve ele respondeu que precisa forçar uma negociação por parte da gestão e que mesmo com a data-base sendo paga desde agosto sendo concluída em dezembro, a proposta não atende as reivindicações da classe.

 

“A gente precisa forçar o governo a negociar. Ele tem endurecido cada vez mais. A proposta apresentada não atende a gente. Esse acordo foi feito antes e ele não cumpriu. Além disso, alguns pontos não foram anunciados, como por exemplo, a eleição diretora. Ele não tirou nada do papel, e sequer sinalizou sobre a eleição. Desde 2015 viemos cobrando”, informou.

 

Ao T1 Elis Raik, que é pós-graduado, mas ocupa cargo de professor nível médio, avaliou que os salários dos professores poderia ser melhor. Para ele o piso nacional seria o ideal. “Nós temos um piso nacional que embora não seja bom é o definido e é razoável. Eu acho que pela minha formação e o que é exigido de mim é pouco o que recebo. O professor é muito desvalorizado. A greve não é por reajuste. É pela data-base e plano de carreira, temos diretos que não estão sendo cumpridos. Nós queremos que a lei seja cumprida”, afirmou.

 

Corte de ponto

Em 18 dias de greve o corte de ponto também é um assunto que preocupa os manifestantes que deverão receber seus salários reduzidos pela metade. O professor Elis Raik, que também teve o ponto cortado, comparou a situação com a negociação que o governo fez com os servidores estaduais. “Tem um ponto pior que é o prefeito não negociar o corte de ponto. Essa foi uma das razões do vídeo que gravei. Também me cortaram o ponto. Temos 800 pessoas paralisadas e mais de 1000 que estão trabalhando, mas querem participar e estão aguardando na esperança que seja resolvido. Ele está cometendo uma intransigência unilateral. O servidores do Estado pararam 100 dias e não tiveram seus pontos cortados. Nós também temos direito a reposição”.

 

Na ocasião o sindicalista adiantou que a classe não está disposta a abrir mão do registro de ponto. “Ele tem que criar uma condição de diálogo. Não podemos perder isso. Se ele quiser dialogar com os trabalhadores ele vai ter que sinalizar sobre o corte de ponto”.

 

Questionado ainda sobre as seis decisões judiciais que declararam a greve ilegal, Elis Raik informou que a classe não está disposta a ceder, independente das determinações da justiça. “Não questiono a justiça, mas ficamos intrigados com a agilidade que ele consegue esses posicionamentos jurídicos. Quem está aqui está disposto a ir para o tudo ou nada, independente da posição judicial. Ele não quer ceder e nós também não vamos abrir mão”, finalizou.

 

Entenda o caso

Na manhã desta sexta-feira, 22, Amastha enumerou os benefícios já concedidos para o quadro da educação em que 2.153 servidores já receberam a 1° parcela do retroativo, e 5.229 servidores de nível fundamental, médio e Professor Nível I já receberam com a data-base no mês de agosto. Para os demais servidores, o prefeito apresentou uma proposta de pagamento da data-base de forma escalonada. Os servidores que ganham de R$ 2 mil até R$ 3.500, terão sua data-base paga a partir deste mês de outubro. Num outro grupo os servidores com vencimentos de R$ 3.500 a R$5 mil, receberão a data-base a partir de novembro e, por fim, uma parcela pequena de servidores que recebem acima de R$ 5 mil deverão receber a concessão em dezembro. O prefeito assegurou que até o final deste ano todos os servidores de Palmas terão a data-base paga.

 

Na ocasião, o prefeito também já se posicionou sobre o corte de ponto. “Como a sociedade julgaria um prefeito que paga quem não trabalha. É uma responsabilidade com o dinheiro de todos nós. Como vamos pagar quem não está trabalhando?”, argumentou.

 

Nesta sexta-feira, 22, a greve da educação municipal completa 18 dias, e há 10 dias a categoria ocupa a Câmara de vereadores. Devido à determinação judicial pedindo a desocupação do prédio, os trabalhadores ocupam os gabinetes de 12 vereadores que cederam o espaço, uma vez que, estão apoiando o movimento grevista.

 

Após a publicação da matéria, o professor Elis Raik buscou o T1 Notícias para negar que tenha sido procurado pelo movimento, mas que fez o vídeo por iniciativa própria, como sindicalizado, visando a adesão dos colegas à greve.

 

Além disso, ele pediu para esclarecer sobre sua ascensão profissional: “Eu não sou um profissional de nível médio. Nós temos uma coisa chamada plano de carreira, que permite as progressões e hoje, o meu cargo é de nível 3, portanto, pós-graduado”, explicou.

 

Raik disse ainda que não foi convocado para o comando de greve: “Eu fiz um vídeo convidando os meus colegas de trabalho para entrar na greve, como professor sindicalizado. Não estou sindicalista, porque não ocupo nenhuma função no sindicato”.