Palmas, Tocantins -
Transfobia
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Médico destrata funcionária do HGP em frente a paciente momentos antes de cirurgia

“Ele entrou gritando comigo, mandando eu sair da sala de cirurgia e me chamando de rapaz”, relata Byanca
- Atualizada em
Byanca registrou boletim de ocorrência e aguarda investigações do caso Facebook/Reprodução

A servidora pública do quadro da saúde no Estado do Tocantins, Byanca Marchiori, relatou episódio de transfobia sofrida em uma sala de cirurgia no Hospital Geral de Palmas (HGP), momentos antes do procedimento, em frente ao paciente que aguardava a chegada do médico. O episódio aconteceu nesta segunda-feira, 6, mas só veio à tona nesta quarta-feira, 8. Byanca registrou boletim de ocorrência, mas o nome do médico não foi revelado. A servidora é instrumentadora cirurgica.

 

Segundo Byanca, que também é presidente da Associação de Travestis e Transexuais do Estado do Tocantins (Atrato), o médico “(...) entrou gritando e mandando-a sair da sala de cirurgia (...)”. Conforme a nota, o médico teria se dirigido à servidora chamando-a de “rapaz”. As aspas são da nota de repúdio emitida pela entidade, que classifica o episódio como “transfobia por não respeitar a identidade de gênero de Byanca”.

 

Confira o depoimento da Byanca, postado na página da Atrato no Facebook:

 

DPE

 

O caso chegou até a Defensoria Pública Estadual (DPE-TO), que, através da defensora pública Letícia Amorim e do defensor público Sandro Ferreira, recomendou à Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) e ao HGP que, caso ainda não haja procedimento interno para apurar os fatos, que seja instaurada uma sindicância.

 

A Defensoria também oficiou a 1ª Delegacia de Polícia Civil de Palmas solicitando informações quanto ao andamento das investigações, já que a servidora registrou boletim de ocorrência.

 

O órgão também questionou o HGP e a SES-TO se “há por parte do médico denunciado, histórico de recusa de instrumentador cirúrgico ou equipe de enfermagem e, em caso positivo, sob qual motivação”. Também há a solicitação de informação sobre registros de cancelamento ou suspensão de cirurgia em razão de recusa do médico acerca da equipe.

 

A DPE também quer saber se “é permitido, por parte do HGP, que o médico responsável por uma cirurgia desqualifique a equipe designada pelo próprio Hospital na presença do paciente a ser operado, ampliando – dessa forma – o estresse emocional do usuário do Sistema Único de Saúde (SUS)”.

 

Estado

 

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde informou que “está adotando as providências necessárias para a análise da situação e, após um juízo prévio de admissibilidade, poderá ser instaurado o competente procedimento administrativo para apuração dos fatos e, se for o caso, aplicação das penalidades na forma da lei”.

 

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) foi procurada para informar o que já foi apurado do caso, mas ainda não respondeu aos questionamentos do Portal T1.

 

Leia a nota de repúdio da Atrato na íntegra: