Palmas, Tocantins -
Miracema do Tocantins
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Prematuro nascido em cirurgia de alto risco realizada por clínico geral passa bem

Foi nas mãos do clínico geral Demerval Martins Cunha Júnior, auxiliado por uma enfermeira e um técnico de enfermagem, que o recém-nascido veio ao mundo
- Atualizada em
Divulgação Secom

É estável o quadro de saúde do bebê prematuro que precisou aguardar 12 horas após o seu nascimento para dar entrada na UTI Neonatal da Maternidade Dona Regina, em Palmas, no último domingo, 10.

 

Mas a chegada da criança ainda no oitavo mês de gestação foi marcada por uma série de riscos com potenciais agravantes, não fosse o profissionalismo da equipe de plantão do Hospital Regional de Miracema no sábado anterior a sua internação. 

 

Foi nas mãos do clínico geral Demerval Martins Cunha Júnior, auxiliado por uma enfermeira e um técnico de enfermagem, que o recém-nascido, cujo nome não foi divulgado, veio ao mundo. No momento do parto, a unidade não contava com um médico especialista.

 

A mãe K.V.B.S. enfrentou uma gravidez de alto risco, conforme diagnosticado no pré-natal da adolescente de 16 anos. No último ultrassom obstétrico, em que se avalia a saúde e o desenvolvimento do bebê no ventre materno, ficou constatado que a criança sofria de uma anomalia congênita, a gastrosquise.

 

Após o rompimento da bolsa, na madrugada do dia 9 de março, a mãe chegou a ficar horas à espera de vaga no hospital público de Palmas, para onde seria transferida. Entretanto, a evolução do trabalho de parto obrigou que a equipe plantonista da unidade de Miracema, ainda que na ausência do obstetra, realizasse a cesariana.

 

Segundo o médico Demerval Martins, o nascimento do bebê de 32 semanas surpreendeu a todos os profissionais escalados naquele dia, sobretudo pela resistência demonstrada por mãe e filho.

 

Além da malformação da parede abdominal, o que acarreta a exposição do intestino, a criança também tinha o cordão umbilical enrolado no pescoço ao nascer, às 12h55.

 

Foi à distância, por telefone, que chegaram as primeiras orientações pediátricas do pós-parto. Depois de medicado, outra batalha começava a ser travada...

 

Com 2.508 gramas, o recém-nascido ainda encarou 12 horas de espera por uma vaga na UTI de Palmas e uma viagem de 84 km até a Capital, onde só então pôde receber com mais segurança os cuidados exigidos por sua tão frágil condição.

 

Mesmo aos 20 anos de experiência, tendo já se habituado a situações adversas que o ofício traz, o clínico geral comemorou em seu perfil nas redes sociais o bem sucedido atendimento, livre de maiores complicações, no que esteve ao seu alcance.

 

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) esclareceu que "fez todas as medidas possíveis para resguardar a vida da paciente e seu recém-nascido".

 

Confira a íntegra:

 

Nota de esclarecimento

 

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) informa que tem trabalhado para garantir um atendimento digno e humanizado a toda população usuária do Sistema Único de Saúde (SUS), no Tocantins, mesmo diante da dificuldade de contratação de profissionais médicos para cobertura das escalas de plantões, apesar do chamamento público aberto há anos.

 

Diante disso a SES esclarece que algumas unidades, em momentos ocasionais, ficam desassistidas de especialistas, contando apenas com os plantonistas que recebem as demandas e as encaminham para unidades de referências.

 

Sobre a paciente questionada por este veículo, a SES destaca que a mesma estava realizando acompanhamento de pré-natal, no Hospital e Maternidade Dona Regina Siqueira Campos (HMDR), tendo sido orientada sobre os riscos que sua gravidez apresentava. Por se tratar de uma paciente adepta à cultura indígena, houve uma demora na procura de auxílio médico.

 

A paciente foi acolhida no final de semana, no Hospital Regional de Miracema que a atendeu em caráter emergencial e fez todas as medidas possíveis pra resguardar a vida da paciente e seu RN, os quais foram transferidos e encontram-se atualmente sob os cuidados da equipe multiprofissional da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do HMDR. Baseada no artigo 1º da resolução n.º 1.638/2002 do Conselho Federal de Medicina, a SES não pode repassar seu estado de saúde.