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Edy César

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2020 será o ano do OSCAR para 1917

A fotografia é, seguramente, o elemento central do filme. O diretor de fotografia Roger Deakin, que já foi indicado 14 vezes ao Oscar de Fotografia, venceu a estatueta em 2018 com Blade Runner 2049
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O novo filme de Sam Mendes (Beleza Americana) parte de uma premissa simples para o desenvolvimento do roteiro, onde dois soldados, Schofield (MacKay) e Blake (Chapman), recebem uma missão quase suicida de entregar uma mensagem nas mãos do Coronel MacKenzie, para que  retroceda de um ataque aos alemães em um dos frontes de batalha da 1ª Guerra Mundial, mas, para que a mensagem seja entregue em tempo, a jornada de bravura dos heróis é realizada atrás das linhas inimigas.

 

E é com esse roteiro simples, com poucos diálogos e explorando clichês clássicos de guerra, com a já batida jornada do herói – que surpreendentemente e imerecidamente é indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original – que Sam Mendes desenvolve uma obra-prima, um filme belíssimo em estética, edição, fotografia, efeitos. Tudo funciona como um relógio suíço, uma montanha-russa de emoções, neste que, sem dúvida, é o melhor trabalho de direção de 1917, digo de 2019, e certamente saíra vencedor na categoria de direção no prêmio da Academia.

 

A fotografia é, seguramente, o elemento central do filme. O diretor de fotografia Roger Deakin, que já foi indicado 14 vezes ao Oscar de Fotografia, venceu a estatueta em 2018 com Blade Runner 2049. 1917 é um dos seus melhores trabalhos de Deakin, principalmente pelo conceito de plano sequencia utilizado na película, intercalando em planos abertos, lentes em 35,50 mm e grandes angulares, traz uma estética de games como Call e Duty e  Battlefield.

 

O problema é que esse requinte na fotografia traz uma estética charmosa às guerras, o que não deveria fazer, afinal, a Primeira Grande Guerra deixou quase 20 milhões de mortos.

 

Apesar de não ser o melhor trabalho de fotografia de 2019, lugar pertencente ao assombroso O Farol de Robert Eggers, certamente levará o Careca Pelado, digo dourado, afinal o desafio de fotografar em plano sequencia, mantendo a qualidade estética foi, com certeza, um exercício homérico. Detalhe é que a produção é quase toda rodada em tons frios, o que deixa tudo ainda mais mórbido.

 

A edição é um capítulo a parte, Sam Mendes optou por utilizar o audacioso Plano-sequência, ou seja, um filme inteiramente rodado num único plano, sem cortes de edição, pelo menos essa era a ideia, mas o resultado foi um longa com de três ou quatro planos. Houve pouquíssimos cortes de edição, quase imperceptíveis, assim o filme é construído de forma sequencial com a câmera acompanhando os personagens, o que fez o trabalho do editor algo extremamente complexo, quase como truques mágicos na edição, coisa que só Hitchcock fez com primazia, em Festim Diabólico.

 

A Edição e Mixagem de Som é um dos pontos altos do filme, o som dos passos dos soldados quando tocam o chão molhado das trincheiras ecoam em toda a sala de cinema e o bater das assas dos pombos causam arrepios, tudo muito meticuloso e feito para impressionar, assim como a trilha sonora de Thomas Newman que dá cadência e ritmo a todo o espetáculo visual.

 

Enfim, 1917 é uma verdadeira experiência cinematográfica, que nenhum cinéfilo deve perder, nem que seja para falar do roteiro raso e dos personagens unidimensionais. O preciosismo técnico já vale o ingresso, ainda mais pelos prováveis prêmios no Oscar de Filme, Direção, Fotografia e Mixagem de Som.

 

Dirigido por Sam Mendes. Roteiro de Sam Mendes e Krysty Wilson-Cairns. Com: George MacKay, Dean-Charles Chapman, Daniel Mays, Pip Carter, Billy Postlethwaite, Claire Duburcq, Richard Madden, Andrew Scott, Colin Firth, Benedict Cumberbatch e Mark Strong.

 

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