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A influência das redes sociais na revisão de ações políticas

Confira o que o jornalista Flávio Herculano tem a dizer sobre as influencias das redes sociais nos dias atuais, bem como os efeitos causados.
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Recentemente, o governo do Tocantins recuou em seu apoio a um projeto da iniciativa privada que previa a instalação de um safari africano no região do Jalapão. Literalmente, um dos motivos alegados pelo poder público para o passo atrás – ou à frente, a depender do ponto de vista – foi a repercussão negativa do empreendimento nas redes sociais. Onde o governo havia enxergado grandiosidade, os internautas viram impossibilidades, no que tange aos riscos ambientais de tal iniciativa, que seria posta em prática em uma área de preservação considerada frágil por especialistas. Apresentadas na rede de computadores de modo imparcial ou irônico, as opiniões levaram ao recuo por parte do Estado, e os empresários interessados não tocaram mais no assunto.

 

Dez dias depois veio um novo episódio, relativo ao horário de verão. O governo entendeu que aderir espontaneamente a ele seria positivo, por alinhar o Estado ao relógio da capital federal. Novamente, a população enxergou o inverso do poder público, contrariada em ter que vir a levantar uma hora mais cedo por cerca de quatro meses – e justo neste período chuvoso, quando os apelos do calor da cama e da escuridão do quarto falam mais alto. Claro, houve o argumento, válido, de que o horário de verão traria pouco ou nenhum resultado prático no Tocantins, em termos da economia de energia elétrica. Alegando uma coisa e outra, a população se fez ouvir, e o Estado novamente recuou.

 

Em ambos os casos, a principal tribuna dos tocantinenses foram as redes sociais, em especial o Twitter, espaço virtual de debate do cotidiano, já que o Facebook é usado mais como “álbum de figurinha” pelos internautas.

 

Se antes as “vozes das ruas” aparentavam roucas ou abafadas, restritas às rodas de conversa, hoje elas interagem na internet, reverberando, multiplicando seus pontos de vista. No caso de Palmas, os usuários que debatem são, é bem verdade, em pequeno número, quase uma “panelinha”, que talvez tenha seu poder de influência superdimensionado. Mas são jornalistas, publicitários, advogados, professores e até políticos, que mostram a cara e apresentam opiniões, em regra, fundamentadas.

 

Quando não furam os veículos de comunicação, aprofundam as informações transmitidas por eles, com a vantagem (ou desvantagem, já que muitos adaptam a informação às suas conveniências) de estarem livres dos limites impostos pela busca da isenção e da imparcialidade, ao trocarem ideias e reflexões, o que não cabe no jornalismo cotidiano.

 

Com maior ou menor grau de penetração, tal grupo de internautas é, sim, formador de opinião, tendo tirado dos jornalistas a exclusividade desse título. Embora componham uma “elite”, eles democratizaram a informação e o poder de mobilizar, alguns possuindo número de seguidores no Twitter próximo da quantidade de leitores de um jornal impresso de pequena tiragem. Num instante, seus pensamentos percorrem os espaços e chegam à cúpula do poder, incomodando, acrescentando, levando à reflexão e, mesmo, à revisão das decisões.

 

As novas tecnologias, que reduzem distâncias e aproximam pessoas, estão ajudando os governos a enxergarem que eles não compõem ilhas, isolados do restante da população. Os agentes políticos, que estão à frente das máquinas administrativas, se submetem à vontade popular a cada dois anos, avaliados nas urnas. Por isso, hoje eles têm consciência da necessidade de estarem alinhados à opinião pública. Sendo assim, que ouçam as vozes que vêm das redes sociais como orientadoras duas suas decisões, sem esquecer que também merece atenção uma massa excluída digitalmente, que continua tão invisível quanto outrora.

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