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Luciano Coelho

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A política tocantinense, tão lógica de tão improvável

Em artigo o pedagogo comenta o cenário e as jogadas políticas
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Ulysses Guimarães disse: “Em política, estar com a rua não é o mesmo que estar na rua”. Nesses 21 anos de Palmas, vi isso acontecer várias vezes em campanhas politicas. Quem não se lembra dos candidatos tido como fortes um ano antes das eleições e que foram para as ruas, mas as ruas não estavam com eles? O ex-vereador e ex-presidente da Câmara de Palmas, Rogério Alves, em 1996, era um forte sucessor do então prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos, mas ficou inelegível ao assumir a Prefeitura de Palmas a pedido do próprio Eduardo, sucumbiu-se no erro. Surgiu, então, o médico e ex-prefeito de Colinas, Odir Rocha, até então desconhecido em Palmas. As ruas o abraçaram e ele venceu as eleições.

 

Em 2002, eleição que sucederia o então govenador Siqueira Campos, os nomes fortes eram: Darci Coelho, Brito Miranda, João Ribeiro e Leomar Quintanilha. Também foram às ruas, mas as ruas não os abraçaram. Surgiu o improvável. O deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Miranda, como candidato ao governo, contra um candidato faz de conta na oposição, tudo arranjado pelos maestros Brito Miranda e Siqueira Campos. Marcelo tornou-se governador e mito ao derrotar Siqueira Campos na eleição posterior de 2006.

 

O fato mais recente foi a eleição do colombiano naturalizado brasileiro, Carlos Amastha. Derrotou o até então imbatível Marcelo Lelis. As ruas queriam Lelis, mas o queriam puro! Ao aliar-se de forma muito efêmera com o grupo Siqueirista, as ruas não lhe perdoaram e elegeram Amastha.

 

Ulysses Guimarães disse, também, que “Enquanto houver Norte e Nordeste fraco, não haverá Estado forte, pois o país será fraco”. O PT de Lula internalizou essa máxima, acreditou e investiu no Norte e no Nordeste. Bolsa Família é o exemplo que acabou dando quatro eleições consecutivas ao PT à presidência da República.

 

O Tocantins, localizado na região Norte do país, é um celeiro embrionário da economia brasileira, através da sua vocação agrícola e escoamento de grãos. Hoje, o Tocantins está inserido no cenário nacional da política por méritos próprios da senadora e ministra Kátia Abreu, ao assumir o Ministério da Agricultura, orgulho para todos os tocantinenses, queiram os adversários ou não.

 

Mas se há quatro anos alguém afirmasse isso, e fosse mais além ao dizer que o petista Donizeti Nogueira se tornaria senador por intermédio de Kátia Abreu, achariam mais absurdo ainda. Hoje tudo isso está concretizado.

 

Ulysses Guimarães fez, certa vez, a seguinte analogia: quando foi criado o então PSD, no qual José Maria Alkmin e Gustavo Capanema disputavam a autoria da criação do partido, sendo na verdade atribuída a Antônio Carlos. “O rei ao repudiar Pompéia, embora inocentando-a de infidelidade, com o dito famoso: 'Não basta à mulher de César ser honesta, deve parecer honesta'. Essa tirada hábil tem versão brasileira no antológico 'em política, o que importa é a versão, não o fato'.”

 

Pois bem, escuto atualmente nas rodas políticas que Carlos Amastha é um candidato imbatível. Imbatível porque não tem adversário à altura. Porque limpou e organizou a cidade, embora tenha apenas uma obra de sua autoria, “o relógio”! As Escolas de Tempo Integral inauguradas e macrodrenagem são obras iniciadas na gestão de Raul Filho. Vejo Odir Rocha, o melhor prefeito que Palmas já teve, tanto nas obras macro, na limpeza e conservação da cidade, lazer e principalmente na humanização da relação governo e servidor público. Mesmo assim não o deixaram ser reeleito. Nem o grupo político, nem as ruas. O tempo então dirá se o fato ou a versão dos fatos terão mais razão.

 

As rodas políticas dizem que Marcelo, para ser o governador em que os tocantinenses apostaram suas esperanças, tem que urgentemente reconciliar-se com ministra Kátia Abreu. Mas os aliados de última hora, aos quais Marcelo escuta, dizem o contrário e apostam numa aliança até então improvável de imaginar, tudo para tentar derrotar a senadora e ministra Kátia Abreu.

 

Muitos de seus aliados políticos querem ver Marcelo Miranda aliado a Eduardo Siqueira Campos, que hoje tem um mandato de deputado estadual, mas está isolado politicamente, pois quem dá as cartas na Assembleia é o presidente da Casa, deputado Osires Damaso. Pasmem, mas isso é política.

 

Na lógica, seria lógico pensar que a aliança politica entre Marcelo Miranda e Eduardo Siqueira Campos, seria improvável. O improvável é imaginar quem lucra mais com esta aliança: Marcelo Miranda aproximando de Eduardo Siqueira, ou Eduardo Siqueira submetendo Marcelo Miranda a uma aproximação. Hoje, loucura para muitos, sonho para alguns, mas o futuro responderá se “a mulher de Cesar é honesta ou parece ser honesta”.

 

Luciano Coelho de Oliveira é pedagogo e orientador educacional da Escola de Tempo Integral Vinícius de Moraes.

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