Palmas, Tocantins -
Luciano Coelho

Luciano Coelho

350@teste.com

Opinião
782 visualizações

As “lideronças” e suas planilhas!

No Tocantins, a classe política permitiu criar a cultura da “liderança” política no período eleitoral, que se valorizam a ponto de fazer do candidato um refém
- Atualizada em

Acompanhando a romaria dos candidatos a deputado estadual, federal ou a senador da República em busca do voto, percebe-se nos bastidores que os atuais mandatários sofrem muito do que os candidatos sem mandato e explico os motivos.

 

No Tocantins, a classe política permitiu criar a cultura da “liderança” política no período eleitoral, que se valorizam a ponto de fazer do candidato um refém. Quem são estas pessoas denominadas de “lideranças”? Prefeitos, ex-prefeitos, vereadores, ex-vereadores, líderes comunitários, etc.. Esse pessoal, em sua maioria, esquece tudo que foi feito nos quatro anos de mandato de seu representante, seja na Assembleia Legislativa ou no Congresso Nacional. Os recursos federais destinados por seus representantes pouco tem peso na época da eleição, muito menos uma lei de grande relevância para a sociedade. O candidato se submete à pressão de uma porcentagem significativa de líderes e suas famigeradas “planilhas de custo” que cada “liderança” apresenta aos seus candidatos. Em sua maioria, nenhuma “liderança” dessas que apoia por meio de “planilha de custo” avalia a trajetória politica ou a relevância do trabalho no período do mandato, ou mesmo o currículo do candidato. O que pesa é a planilha de custo.

 

Então podemos questionar, para que servem as emendas parlamentares? Para que serve a luta do representante político em busca da construção de escolas, postos de saúde, infraestrutura para as regiões representadas, se na hora que ele precisa deste reconhecimento do seu trabalho, uma maioria esmagadora de “lideranças” exige o cumprimento de uma planilha e com cifras totalmente fora da realidade? Apenas é dado por esse “líder” ao mandatário o direito preferencial da “compra”! Uma verdadeira extorsão do eleitor “liderança” contra o candidato.

 

O eleitor comum, que não vive da política partidária, que tem seu comércio, sua pequena empresa ou até mesmo um empregado do setor privado ou público que não detém o título de “liderança política”, não se envolve diretamente no processo eleitoral do corpo a corpo em busca do voto, que escolhe o seu representante com base no seu currículo, sua qualificação técnica e tudo que fez ao longo de sua trajetória política. Pouco peso tem para mudar esta triste realidade.

 

A culpa da corrupção não está 100% no político corrupto. Está, sim, no eleitor corruptor que extorque, na base da pressão, aquele candidato que bate a sua porta. É chegada a hora de uma mudança de postura dos candidatos frente a estes que se intitulam “lideranças”. No meio político tem-se outro nome, o de “lideronças”, que adoram uma nota de real que tem como símbolo uma onça pintada.

 

Como podem os principais líderes políticos incluindo prefeito e vereadores da cidade de Araguaína deixar de apoiar para o senado federal, um político que muito já fez por aquela cidade, em detrimento de outro que nada fez ou pouco se fez? A famigerada planilha foi atendida dentro das condições impostas pelos líderes? Como pode Gurupi, que tem uma representante na Câmara Federal, que destinou cifras significativas de recursos federais, além de aparelhamento público para o município representado, no qual beneficiou diretamente a gestão do atual prefeito, e apenas três vereadores apoiam sua continuidade no mandato parlamentar?

 

Desta maneira temos exemplos em todos os 139 municípios tocantinenses. Ou voltamos ao primeiro amor, à escolha por um ideal, ou legitimamos logo os cargos representativos como uma mercadoria de prateleira ou de um leilão. Detém o cargo quem paga mais por ele e esse recurso volta em benefícios oficializados à população.

 

Do jeito que está é que não dá mais para aguentar e fingir que não acontece. O financiamento público de campanha nada mais é do que um livre balcão de negócios de mandatos. O que percebo é que esta eleição terá o maior calote em lideranças já vista na história. “Pois é, é isso aí”...

 

Luciano Coelho é professor e foi candidato a vereador em Palmas nas eleições de 2016.