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Melck Aquino

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Balões de ensaio e o jogo eleitoral no Tocantins

Em artigo, Melck Aquino diz que A velha tática dos balões de ensaio vira e mexe é sempre uma cartada que políticos experientes e marqueteiros afetos à “magia” acham por bem tirar da cartola...
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A velha tática dos balões de ensaio vira e mexe é sempre uma cartada que políticos experientes e marqueteiros afetos à “magia” acham por bem tirar da cartola. O mais novo balão de ensaio responde pelo nome e sobrenome de Mudança de Rota pelo Bem do Tocantins. Agora é a vez de fontes fidedignas da direção estadual do PSDB (e não é que o ninho tucano ainda existe) dizerem que Siqueira Campos pode antecipar sua renúncia junto com João Oliveira, para ser candidato ao Senado e levá-lo a tiracolo. E mais: e vem o coelhinho da cartola, pelo bem do Tocantins, anunciando que Sandoval Cardoso pode ser o nome numa eleição indireta na Assembleia e até mesmo o ungido para o pleito de outubro de 2014. Quer mais? Tá bom: Eduardo Siqueira Campos estaria disposto a se candidatar a deputado federal ou estadual.

Tudo parece bem desenhado e lógico, uma equação tão perfeita como dois e dois resultando em quatro. Ocorre, que pra muito além da poética de Caetano Veloso, capaz de encontrar cinco na soma de dois e dois, a política funciona meio assim, ilógica, incongruente e fantasiosa. À parte a tentativa de aplacar os ânimos e a alimentar ilusões de aliados recém embarcados, a bem da verdade o que se vê é uma cortina de fumaça para deixar turva a visão de muitos, em especial dos oposicionistas. E não se iludam, tudo é fruto de leituras minuciosas de pesquisas quantitativas e, em especial, das qualitativas onde comportamentos, atitudes e motivações do eleitorado são colocadas na berlinda.

A frustação das expectativas com a gestão de Siqueira, que se vendeu como o “Siquerido”, que chegaria com todo gás para acabar com a fome, com o déficit da moradia, baixar o preço da energia elétrica, moralizar a farra dos cargos comissionados, rever os contratos de terceirização de frota que ele dizia enriquecer políticos, construir 18 hospitais regionais, combater implacavelmente a expansão das drogas e da criminalidade, e por aí vai, criou uma situação, no mínimo, passível de muita observação e que confere um ar de credibilidade ao balão de ensaio da semana.

Junte isso à performance pífia nas primeiras pesquisas de intenção de voto que já circulam nos bastidores quando se trata do secretário de Relações Institucionais, Eduardo Siqueira Campos, filho do atual Governador e virtual candidato ao Governo com as bênçãos do pai. Aliás, pai que até chegou a lançar o seu nome em um evento público de inauguração (e não me perguntem porque o Ministério Público ainda não tomou providências severas quanto a isso).

Positivo para a oposição todo esse quadro? Assim como parece positiva a “conversa fiada” de um Eduardo Siqueira desistindo da disputa ao Governo. É o que nos sugere um primeiro olhar mais despretensioso. Porém, há de se constatar também que há uma certa anemia da oposição que não consegue dialogar com o contingente de eleitores que dizem querer mudanças e nem tampouco com a camada mais pragmática, que quer somente ver suas demandas básicas atendidas. E digo isso, porque percebe-se que ainda falta a construção de um discurso, de um programa, de apontamentos programáticos que extrapolem o limite dos nomes de A, B ou C. E, de quebra, falta acertos dentro de casa, acabar com a antropofagia política ainda existente.

E é para minar e confundir que balões de ensaio assim servem. Saber lidar com eles, construir um programa e encontrar um bálsamo para as feridas que alimentam divergências pessoais talvez sejam os grandes desafios que as oposições no Tocantins terão para o próximo período.  Pelo bem da democracia, precisamos de candidatos fortes. E não precisa ser aquela polarização de 2010, até porque duas candidaturas oposicionistas fortes podem se tornar essencial para viabilizar um segundo turno e um quadro mais competitivo. É esperar pra ver...

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Melck Aquino é jornalista e consultor político. Trabalhou em campanhas eleitorais em Goiás, Minas Gerais, Maranhão e Tocantins.
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