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Luciano Coelho

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Escola de Tempo Integral adaptada, um erro!

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O modelo de Escolas de Tempo Integral no Brasil, desde a sua primeira concepção na década de 50, em Salvador, pelo professor Anísio Teixeira, tinha um viés político eleitoral como pano de fundo, tanto que foi amplamente explorado na década de 60 pelo presidente Juscelino Kubitschek e pelo Governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola.

 

Em Palmas, não foi diferente. O então prefeito Raul Filho endossou o projeto apresentado pelo então Secretário Municipal da Educação, professor Danilo Melo. Danilo é da mesma escola teórica de Anísio Teixeira, desde os tempos da academia, sonhava em implantar este modelo de escola. 

 

A primeira Escola Tempo Integral implantada foi a Padre Josimo Tavares em 2007, em seguida a Eurídice de Melo em 2008. As duas com o mesmo objetivo: agregar votos do eleitorado Palmense. Deu certo, o prefeito Raul Filho foi reeleito com o mote das Escolas de Tempo Integral. O marketing na época foi bem explorado e positivo, que vieram mais 2 outras escolas no mesmo padrão, mesmo com o elevado custo cada uma.

 

O total de recursos investidos na construção das 4 escolas do modelo integral, daria para construir 10 escolas modelo parcial na época. Salas de aulas que vieram a fazer falta nos anos seguintes. Enquanto as 4 escolas de modelo integral geram 4.800 vagas, as escolas parciais o número de vagas ofertadas seria de 10 mil. Não satisfeito, o governo Raul Filho investiu pesado na tentativa de universalizar o ensino de Tempo Integral na rede municipal, chegando a transformar 13 escolas parciais em Tempo Integral adaptadas com condições bem inferiores que as padrões. 

 

Um erro que as consequências inevitavelmente vieram a estourar nos anos posteriores e ficar insustentável em 2019 e 2020 com a falta de vagas na rede pública municipal e um número elevado de migração da rede particular para pública municipal.

 

Cada escola parcial transformada em Tempo Integral, reduziu em 50% o atendimento, o que provocava a gestão construir 13 novas escolas com capacidade para 600 alunos ou 6 escolas Integral padrão com capacidade para 1.200 alunos. Ação de governo que não aconteceu.


 

Na época da mudança, muitos professores foram contra e o Sindicato dos professores também, mas a ferro e fogo prevaleceu a vontade do governo. Muitos professores adoeceram neste período e continuam adoecendo, um campo de pesquisa fértil, basta o Setor de Recursos Humanos da Prefeitura disponibilizar as informações e compilar os dados e as causas de servidores da educação em desvio de função nos últimos 10 anos. Beira os 20%. Algo extremamente preocupante e que o gestor precisa ligar o alerta para minimizar e acima de tudo melhorar as condições de trabalho no ambiente escolar Integral.

 

Veio a gestão de Carlos Amastha, vendo a capilaridade eleitoral das escolas de Tempo Integral, seguiu o mesmo caminho de seu antecessor, mas com uma visão pior, a empresarial. Amastha reduziu o número de servidores na máquina pública, principalmente nas unidades escolares. Contratou a peso de ouro uma consultoria, a Àquila, que prestou um desserviço à nossa educação municipal. Reduziu drasticamente a modulação (quadro de servidores por unidade escolar), ocasionando mais carga de trabalho aos nossos servidores e claro, adoecendo cada vez mais.

 

A gestão da prefeita Cinthia Ribeiro paga um preço alto, pois herdou ônus e bônus das últimas 2 gestões. Mas o que fazer? Bem, estamos chegando a mais um pleito eleitoral e tanto a atual gestão como os demais pré-candidatos precisam elaborar um plano de gestão com um olhar diferenciado para nossa educação. Hoje é impossível construir 13 unidades escolares em Palmas. O foco tem que ser a construção de Cmeis. E para resolver a situação é necessário coragem e um bom planejamento para transformar as escolas de Tempo Integral adaptadas em Tempo Parcial novamente, corrigindo um erro na linha do tempo da nossa educação.

 

Mas alguém pode contestar essa teoria. Então eu busco outras informações complementares que ajudam a consolidar a tese. Nem todas as crianças têm o perfil para o ensino Integral e a elas, precisamos garantir o ensino adequado ao seu perfil. Outro fator importante é o IDEB. Se pegarmos os números de 2011 a 2017, nenhuma escola de Tempo Integral figurou entre as melhores colocadas.

 

Ou seja, quantidade de horas dentro de uma escola, não traduz qualidade. Hoje nossas crianças passam 9 horas dentro de uma escola, ele passa mais tempo na escola do que com a família, trazendo um prejuízo muito grande na relação familiar. A educação é partilhada entre a escola (Estado) e a família.

 

Também pode vir um outro questionamento daqueles que pensam somente nos recursos financeiros, que o valor do repasse para escola Integral é o dobro em relação a escola parcial. Sim é verdade, mas podemos ofertar no contraturno atividades como: dança, teatro, modalidades esportivas e reforço escolar que contemple 3 horas diária e o repasse permanece inalterado.

 

Enfim, para concluir esta é uma questão a ser debatida em ano eleitoral com toda a sociedade. Não dá mais para esperar e o modelo atual das escolas adaptadas fracassou e está no limite e grita por socorro!

 

Luciano Coelho de Oliveira

Pedagogo – Orientador Educacional – Diretor da Escola de Tempo Integral Adaptada Daniel Batista.

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