Palmas, Tocantins -
Adriano Castorino

Adriano Castorino

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Em Debate
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O lugar de Lula       

Confira o novo artigo do Em Debate 'O Lugar de Lula'; o autor Adriano Castorino faz uma análise do momento vivido no país em que um ex-presidente é condenado pela Justiça brasileira.
- Atualizada em
Adriano Castorino Arquivo Pessoal

O processo contra o qual Lula tem se voltado demonstra como a parcialidade da justiça é prejudicial. A justiça é uma instância da organização do estado que deveria julgar sem paixões, mesmo se o crime a ser julgado nos causasse horror. Ao menor sinal de parcialidade, a justiça que se busca num processo, já se perde. Uma forma de parcialidade na justiça é a sua lentidão, claro. Mas também a sua pressa pode explicitar ainda mais o quanto uma decisão judicial pode ser perversa.

 

Lula é julgado num processo no qual seus acusadores, pessoas pagas com dinheiro público, apontam que o ex-presidente é o chefe de uma quadrilha. Por ser o chefe recebeu um presente. As pessoas que o acusam, embora estejam convictos de que Lula é um crápula, um facínora, um larápio, não conseguiram colocar nos autos as provas, límpidas e contundentes.

 

O juiz do processo, homem de palestras, fotos com pessoas do quilate de Aécio Neves, não deu por isso, nem importância deu a fragilidade das provas, tascou uma condenação de nove anos. O debate se incendiou. Lula com forte apelo social, é sem dúvidas o candidato favorito ao pleito eleitoral para este ano. De um lado, aqueles que desejam sua condenação e de outros, aqueles que desejam votar nele para presidente.

 

Mais três juízes lascaram sobre o lombo de Lula suas palavras mascadas com a autoridade daqueles que são protegidos pelo estado. Todos os juízes de Porto Alegre versaram em coro a condenação de Lula. Há provas, um monte de provas, bradavam os julgadores. Todos homens isentos de quaisquer suspeitas. Até lamentaram a condenação. Que lindo, que justo, justíssimo!

 

O crime de Lula, como já escrevi antes, é ele ser Lula, ser o que foi quando era presidente. Lula está pagando por ter desafiado os donos da casa grande. Lembro muito de Damião, personagem de Tambores de São Luís, de Josué Montello. Lembro também de Maria da Fé, personagem de Viva o povo brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro.

 

Essas duas personagens compõem histórias nas quais é possível ver ilustradas as contradições de uma sociedade marcada pelo viés colonialista. Na condenação de Lula, assim como foi a condenação de Mandela, está a mensagem inequívoca da ira dos que se sentiram desafiados. Todavia, assim como ainda restam os recursos jurídicos neste sistema de aparências, o sonho de Lula vai se fortalecendo. Condenaram Lula, sim, condenaram. Mas não conseguem, por mais que tentem (e tentam) condenar os sonhos de Lula. Uma grande parte do povo brasileiro se sente dentro dos sonhos de Lula, isso sempre foi a sua força.

 

Lula nunca será absolvido, com provas ou não. Ele sempre condenado e sua condenação será ratificada em todas as instâncias. Isso é um dado cristalino. Lula tem de ser banido, é a extinção de Lula que a classe que mais poder tem sobre o estado deseja. Na verdade Lula não é nada, é só uma pessoa, nordestino e de origem pobre, como muitos dos brasileiros que o apoiam. Mas mesmo sendo um nada, ousou desafiar as pessoas da casa grande.

 

Essa insolência irritou muita gente, é óbvio. Todas as pessoas sabem que Lula roubou, todas as pessoas sabem que Lula tem várias fazendas, todas as pessoas sabem que Lula tem milhões de cabeça de gado. Na cara dos juízes que confirmaram a condenação estava a certeza de que Lula era dono do apartamento, que tinha lavado dinheiro embora não tive guardado a bolada em um apartamento, embora o imóvel não constasse em seu nome. No direito moderno as fazendas de Lula, os gados, os imóveis, não precisam estar em seu nome, basta que alguém afirme que ele os possui. Isso é prova e o condena.

 

O dilema da casa grande é a pressa. Sempre desejam resolver logo as demandas e limparem a sujeira, fazer uma maquiagem e posar com ar de normalidade. Do lado dos sonhadores sempre está a história. Ninguém lembra o nome do juiz que condenou Mandela.

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