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Dr. Andrés G. Sánchez

Dr. Andrés G. Sánchez

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O que mudou nesta nova onda de Covid-19?

As variantes P1 e P2, detectadas no Brasil, apresentam mutações que tornam o coronavírus ainda mais contagioso, transmitindo-se para um maior número de pessoas
- Atualizada em
Descrição: Imagem ilustrativa Berg Silva/Prefeitura de Niterói

No Brasil, há duas variantes que preocupam: a P1, também conhecida como variante de Manaus, e a P2, identificada no Rio de Janeiro. Em ambos os casos, é possível relacionar a mutação com uma maior capacidade de transmissão e gravidade. Tal mutação aparece num momento em que houve relaxamento das medidas de prevenção, principalmente em feriados, quando ocorre, invariavelmente, maior número de reuniões sociais.

 

 


Primeira Onda de Covid-19 em 2020

 

No início da pandemia, a maioria dos pacientes apresentava sintomas da fase 1 (viral), ou seja, sintomas de gripe (coriza, rinite, febre, calafrios, dor de cabeça, dor abdominal, diarreia, mal-estar), nos primeiros 5 a 7 dias.

 

Após esta primeira fase, aproximadamente 20% dos pacientes passavam à fase 2 (inflamatória), com sintomas de pneumonia (tosse, falta de ar e, em alguns casos, saturação de oxigênio menor que 95, pelo oxímetro de pulso).

 

Na primeira onda, os pacientes mais graves foram os portadores de comorbidades. Dentre eles, os maiores de 60 anos.


Segunda Onda de Covid-19 em 2021

 

Atualmente, estamos atendendo muitos pacientes que passam a primeira fase de modo desapercebido, com poucos sintomas, podendo iniciar o quadro clínico com sintomas de pneumonia. Praticamente, pulam a fase 1 e vão direto para fase 2.

 

Também vemos que, após iniciada a pneumonia (presença de vidro fosco na tomografia de tórax), a evolução e velocidade do comprometimento pulmonar acontecem de forma mais acelerada.

 

Nesta segunda onda, vemos diversos pacientes graves, sem comorbidades, sendo que muitos são menores de 50 anos de idade.


Mutações do Covid-19 

 

Conforme abordado na introdução, as variantes P1 e P2, detectadas no Brasil, apresentam mutações que tornam o coronavírus ainda mais contagioso, transmitindo-se para um maior número de pessoas.

 

Nos pacientes infectados, tem alta replicação viral. Por isso, eles possuem uma maior carga viral, o que causa uma doença com evolução mais rápida e grave, gerando, portanto, maior mortalidade (quase o dobro, comparando-se com a cepa inicial).

 

Fora do Brasil, a linhagem P1 já foi identificada em casos de, pelo menos, 19 países. Dentre eles, estão Alemanha, Bélgica, Colômbia, Coréia do Sul, Espanha, Estados Unidos, França, Holanda, Itália, Japão, Peru, Portugal, Turquia e Venezuela.


Tratamento Medicamentoso 

 

É importante diferenciar o quadro inicial da gripe e o da pneumonia, uma vez que a evolução clínica e o tratamento medicamentoso são diferentes.

 

A pneumonia viral pode evoluir para infecções bacterianas ou fúngicas secundárias. Por isto, o tratamento deve ser individualizado e sob prescrição médica. Na fase inflamatória, podem ser utilizados corticoides, anticoagulantes, antibióticos etc.


O Que Fazer?

 

A vacina é a arma mais eficiente contra o Covid-19. 

 

Enquanto persistir a pandemia, cumprir, de forma rigorosa, as medidas de prevenção: lavar as mãos com água e sabão, usar álcool gel e máscaras, manter ambientes bem ventilados, não compartilhar objetos pessoais, evitar aglomerações (quando falamos em evitar aglomerações, estamos nos referindo ao Distanciamento Físico Sustentado – DFS, ou seja, distância de dois metros entre as pessoas, solução muito eficiente para controlar o aumento exponencial do COVID-19).

 

Para quem tem sintomas de Covid-19: consultar um médico, obter o diagnóstico, iniciar o isolamento e o tratamento de forma precoce (antes mesmo do resultado de testes).

 

Os casos que vão culminar em internação daqui a dez dias estão sendo transmitidos hoje. Então, é importante que qualquer pessoa com sintomas adote o isolamento imediatamente.

 

Reuniões Sociais Versus Comércio

 

Temos visto contaminações em famílias, grupos de trabalho, grupos de amigos, o que nos leva a pensar que as reuniões sociais estão tendo impacto bastante desfavorável para a evolução do Covid-19. Nestas reuniões sociais, a possibilidade de descumprimento das medidas de prevenção é enorme. 

 

Faz-se necessária, por parte do poder público, uma fiscalização rigorosa em relação a reuniões sociais. Tais reuniões têm causado maior dano do que o próprio comércio, cujos comerciantes, em sua maioria, cumprem as medidas de prevenção de forma correta.

 

Dr. Andrés G. Sánchez
CRM-TO 2290
Cardiologista RQE 991
Hemodinâmica RQE 1.001
MBA em Saúde - FGV
Comitê de COVID do CRM-TO

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