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Turismo

São Paulo: a cidade mais LGBT da América Latina e suas nuances

A maior cidade do País é também a que oferece mais atrativos ao público formado por gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros.
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São Paulo é pura diversidade dia e noite. #RPM

Se fosse necessário resumir São Paulo em uma única palavra, esta seria diversidade. A capital da cultura na América Latina, maior centro econômico do Brasil, líder também em número de habitantes – são mais de 12 milhões – congrega tantos ‘brasis’ dentro de si que só é possível vislumbrar a cidade por recortes. Um deles está diante de todos, pulsante e crescente, mas ainda é tratado com restrições.

 

Pode-se dizer que, apesar de manifestações recorrentes de preconceito, olhares desviados, ou curiosos, e muitas críticas das alas mais conservadoras da sociedade, a comunidade LGBTIQ+, formada por gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros encontra em São Paulo uma espécie de oásis, recebendo visitantes de todo o país e estrangeiros. Em meio à confusão do trânsito, o comércio intenso, o vai-e-vem de passantes, a profusão de atrações culturais, igrejas, casas noturnas e desigualdade social agressiva, a capital paulistana continua exercendo um poder de atração irresistível.

 

Não é de se admirar que a 23ª edição da Parada LGBT, realizada em maio, tenha movimentado R$ 403 milhões na economia da cidade e reunido 3 milhões de pessoas na Avenida Paulista. Reconhecida principalmente pelo seu turismo de compras, eventos, negócios e saúde, São Paulo também abraça o conceito Gay Friendly, recebendo sem restrições visitantes que querem uma noite agitada, mas também buscam boa gastronomia, hotéis de qualidade, história e cultura.

 

Em função disso, a Secretaria Municipal de Turismo (SMTUR), em parceria com a Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil, realizou o primeiro press trip/famtour segmentado da cidade, com de jornalistas de quatro estados, Distrito Federal e dos Estados Unidos, participantes da 3ª Conferência Internacional da Diversidade e Turismo LGBT, realizada na última semana, em São Paulo. O resultado foi um roteiro que, em grande parte, atende a todos os públicos, provando que a diversidade paulistana é, de fato, para todos.

 

 

História e cultura

 

Bem diferente de Palmas, onde a comunidade LGBT ainda busca afirmação e há poucos ambientes abertamente voltados a este segmento, São Paulo mostra que a convivência pacífica é possível. A capital mais LGBTQI+ da América Latina é uma boa fonte de inspiração e ensinamentos sobre como associar cultura, história e lazer à diversidade de gêneros em ambientes democráticos.

 

O centro da cidade, por si só, é uma provocação aos sentidos. Construções dos mais variados estilos e épocas disputam espaço. Um exemplo desta grandiosidade é o edifício Copam, inaugurado em 1966, com as linhas sinuosas do arquiteto Oscar Niemeyer. Localizado na Avenida Ipiranga, reúne mais de 5 mil moradores – uma comunidade maior que alguns municípios maranhenses.

 

O roteiro não poderia deixar de lado o belíssimo Theatro Municipal, localizado na Praça Ramos de Azevedo, inaugurado em 1911 para receber espetáculos de ópera. A suntuosidade nos remete a um período dominado pelos grandes produtores de café e pela burguesia industrial em ascensão.

 

 

Theatro Municipal marca o esplendor da cidade no início do século 20 - Foto: Seleucia Fontes

 

 

Não muito distante, a região do Triângulo SP reúne os principais edifícios históricos da cidade, entre o Largo São Bento, Pateo do Collegio (local de fundação da cidade) e o Largo São Francisco. Vale à pena uma visita mais demorada ao Centro Cultural Banco do Brasil, que sempre traz exposições e outras atividades, o Mosteiro São Bento, a belíssima Catedral da Sé e o Farol Santander, prédio de 1947 inspirado no Empire State Building de Nova Iorque, que oferece uma visão panorâmica da cidade.

 

Quando se fala em cultura, São Paulo também vem em primeiro lugar, com sua grande variedade de atrações artísticas, centros culturais e museus. Uma passagem pela Avenida Paulista revela extrato destas atividades, incluindo a Casa das Rosas, a Japan House, o Sesc Paulista, o Centro Cultural Fiesp, o Itaú Cultural, o Parque Tenente Siqueira Campos (Trianon), o Conjunto Nacional, o Instituto Moreira Salles.

 

O Museu de Arte Moderna Assis Chateaubriand (MASP) é um capítulo à parte e merece pelo menos meio dia de dedicação. Considerado um dos mais importantes museus do hemisfério Sul, reúne um acervo com cerca de oito mil peças, incluindo obras de Picasso, Renoir, Van Gogh, Modigliani e muitos outros. No momento, também é possível visitar a mostra “Histórias das mulheres e histórias feministas” que resgata o trabalho de artistas mulheres silenciadas no mundo da arte ao longo dos séculos.

 

 

MASP oferece acervo milionário acessível a todos - Foto: Seleucia Fontes

 

 

Já o Largo do Arouche é considerado o reduto gay da cidade. Próximo à Praça da República, e em processo de revitalização, concentra lojas, bares, saunas, restaurantes, padaria, entre outros estabelecimentos direcionados ao público LGBTIQ+ e simpatizantes.

 

E para conhecer um pouco mais sobre a luta desta comunidade, o Museu da Diversidade Sexual está aberto a todos que buscam informações. São apenas três museus no mundo voltados para esta temática, e este é o único da América Latina. Localizado dentro do metrô, na entrada da Estação República, o local recebe entre 1.500 a 2 mil visitantes por mês, incluindo famílias e estudantes. Conta com diferentes atividades culturais, educativas e expositivas com foco nas identidades de gênero, orientações sexuais e expressões de gênero das minorias sexuais.

 

 

Museu da Diversidade está instalado no metrô - Divulgação

 

 

Também na região central da cidade, o Mercado Municipal mais famoso de São Paulo começou a ser erguido em 1924, mas devido à morte do arquiteto Paulo Ramos de Azevedo levou cinco anos para ser concluído. O prédio conta com uma estrutura em estilo grego, com claraboias e vitrais do artista russo Conrado Sogerncht Filho. Ali o visitante encontra uma infinidade de produtos, de frutas exóticas, a bebidas e alimentos importados de vários países, sem contar os restaurantes.

 

 

Dia e noite

 

Localizado na Vila Mariana, o Parque do Ibirapuera também traz a assinatura de Oscar Niemeyer. Sua imensa área verde oferece pista de cooper, ciclofaixa, bicicletário com aluguel de bicicletas, quadras, campos de futebol e aparelhos de ginástica. Também abriga o Pavilhão das Culturas Brasileiras, o Museu Afro-Brasil, a Fundação Bienal, o Museu de Arte Contemporânea (MAC) e o Museu de Arte Moderna (MAM). Impossível conhecer tudo em uma passagem rápida, mas merece pelo menos um dia inteiro de visitação.

 

 

Vila Madalena, uma galeria a céu aberto - Foto: Seleucia Fontes

 

 

A Vila Madalena não pode ser ignorada. Conhecida como o bairro mais boêmio de São Paulo, com uma grande variedade de bares e restaurantes também é um convite à visitação diurna. Difícil será escolher apenas um dos murais coloridos para fazer uma ‘self’. A partir do Beco do Batman, que teria sido o primeiro mural do bairro, as ruas se tornam uma verdadeira galeria a céu aberto, em meio a ambulantes e artesãos vendendo mais que produtos, um estilo de vida!

 

Outro ponto badalado e frequentado por todos os públicos é a Praça Benedito Calixto, em Pinheiros. No local, cercado por bares, acontece desde 1987, sempre aos sábados, das 9 às 18 horas, a tradicional Feira da Praça, com artes e artesanato.

 

Por falar em estilo de vida, não dá para ignorar o amor pela vida noturna da comunidade LGBTIQ+. E são Paulo mais uma vez surpreende, não apenas pela variedade de atrativos, para os mais variados gostos, como também pela presença de empresários ‘heteros’ que, além de ser contrários a qualquer movimento de segregação perceberam que este público é bom consumidor e fiel.

 

Luiz Felipe Granata traz este perfil. A concepção do Castro Buger, na Vila Mariana, envolve boa comida em um ambiente acolhedor, onde até mesmo os animais de estimação contam com seu cantinho. Afinal, o paulistano ama seus cães! O nome do estabelecimento já é uma referência ao famoso bairro gay de São Francisco (EUA), e não é de se admirar que seu público principal seja o LGBT, mas a presença de casais com filhos confirma que o local é para todos.

 

Apesar de não haver restrições ao público, há estabelecimentos voltados ao público LGBT e com movimentação intensa. É o caso do Bar Bitu, frequentado por lésbicas, gays e simpatizantes. Vale à pena visitar em dia de ensaio do bloco Siga Bem Caminhoneira, formado somente por mulheres, é claro, que tocam e cantam sucessos do samba e do axé, com algumas alterações cheias de humor nas letras.

 

 

Bar Bitu é opção para lésbicas em Pinheiros - Divulgação

 

 

A força feminina também foi representada no show Conexão Mulheres do Brasil, que estreou no dia 29 de agosto, no Teatro Liberdade. No palco, Nila Branco, Sylvia Patrícia e Laura Finocchiaro (autora do Hino à Diversidade) interpretaram canções próprias e sucessos de ícones da música, como Lulu Santos e Erasmo Carlos. O trio deve seguir temporada, inclusive circulando por outros estados.

 

Já a boate The Week é considerada uma das mais famosas baladas gays da cidade, além de possuir filiais no Rio de Janeiro e Florianópolis. O local recebe cerca de 2.500 pessoas por fim de semana. Superlativa, como São Paulo!

 

 

Serviço:

Onde se hospedar: Hotel Pergamon, Novotel Jaraguá, Hotel Pulmman Ibirapuera, Hotel Belas Artes.

Onde comer: Mercado Municipal, Restaurante Spot (Al. Ministro Rocha de Azevedo, 72, Bela Vista), Castro Burger (Rua Joaquim Távora, 1.517, Vila Mariana)

Noite LGBT: The Week (Rua Guaicurus, 324, Água Branca), Bar Bitu (Rua Bartolomeu Zunega, 113, Pinheiros), Soda Pop Bar (Av. Dr. Vieira de Carvalho, 43)

Agradecimentos: Secretaria Municipal de Turismo (SMTUR) e Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil.

 

* A jornalista viajou para  São Paulo a convite da Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil.

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