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Luciano Coelho

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Sucessão 2018, mais do mesmo ou o novo com cara de velho?

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Descrição: Professor Luciano Coelho Foto: Divulgação

Meus caros leitores. Há quase um ano não escrevo sobre política, mas depois que os principais grupos políticos fizeram suas movimentações neste início de ano de 2017, não resisti e trago neste texto algumas reflexões que considero importantes e que nortearão quem comandará o Palácio Araguaia na gestão 2019/2022.

 

Começamos pelo grupo do criador do Tocantins, o ex-governador Siqueira Campos. Quem ficará com seu espólio politico? Uma parcela significativa do eleitorado, fiel ao Siqueirismo, está órfã, não tem um líder que conduza o bastão deixado por Siqueira. Pelo que se observa nos bastidores, seu filho, Eduardo Siqueira Campos não consegue decolar para um cargo além de deputado estadual. É nítido que Eduardo Siqueira está desmotivado com o parlamento estadual, não consegue ampliar e qualificar o debate em nível de Congresso Nacional. A mesma desmotivação é percebida no deputado Paulo Mourão. Ambos passaram pelo Congresso Nacional onde o debate tem mais qualidade. Na legislatura passada quem também sofreu da mesma síndrome foi o ex-deputado Freire Junior.

 

O segundo grupo, da família Miranda, que atualmente comanda o Palácio Araguaia, não correspondeu às expectativas criadas na campanha de 2014. A insatisfação da população e dos companheiros é geral. Seus auxiliares tentam justificar colocando a culpa no antecessor, na crise nacional, na queda da receita e nos planos de cargos, carreira e salários dos servidores públicos estaduais que ele mesmo, Marcelo, iniciou com as concessões em 2006, sem pensar nos impactos futuros.

 

Marcelo Miranda tem carisma, humildade, mas lhe falta coragem em fazer uma mudança profunda no seu governo. A troca de auxiliares urge. Hoje estes auxiliares contribuem de forma significativa para que seu governo seja mal avaliado. O famoso discurso de choque de gestão não veio. Com vista na sucessão 2018, o grupo político começa a desenhar alianças e o senador Vicentinho é o nome da vez. As perguntas que precisam ser respondidas são: é para compor a chapa como candidato a Senado ou a Governo? Se for a Senado tem grandes chances, tem uma base politica sólida para concorrer à reeleição, principalmente se a segunda vaga for ocupada pelo deputado Cesar Halum ou Josi Nunes. Agora para governo, não vislumbro no senador Vicentinho tamanha força. O senador João Ribeiro, que tinha muito mais carisma e respaldo político não conseguiu emplacar uma candidatura ao governo em 2010.

 

Uma coisa é certa, o PMDB é forte no estado, e demonstrou isso no seu congresso estadual. Sua militância da velha e nova guarda atendeu ao chamado de seus líderes, mas ficou na plateia, ouvindo calado e deu um recado estrondoso, por meio de silêncio. Não houve palmas acaloradas e muito menos gritos de incentivo aos líderes, apenas vieram, ouviram e foram embora.

 

O terceiro grupo, em fase de construção, é o grupo da senadora Kátia Abreu. Competente, arrojada, muito influente em nível nacional e internacional, com capacidade técnica e política indiscutível. Forte candidata ao Palácio Araguaia. Sua dificuldade é construir um grupo competitivo. Sua dificuldade é conquistar o eleitorado, uma vez que pesam contra ela muitas brigas politicas, alguns adversários e o carisma do eleitor. Mês passado eu estava no cartório da Sagramor, a senadora chegou, sentou, fez o que tinha que fazer e foi embora, não cumprimentou e não pegou na mão de ninguém. Se fosse um político carismático, demagogo, não sairia do cartório sem antes cumprimentar a todos ali presentes. Talvez seja este o seu diferencial, não tem nela o ranço da demagogia, do tapa nas costas e do cumprimento falso.

 

O quarto grupo é do prefeito de Palmas, Carlos Amastha. Tem a Capital como seu berço político e tenta expandir seus tentáculos pelo interior, por meio de políticos conhecidos e de forte influência no interior do estado. Junior Coimbra (que tenta trazer Vilmar do Detran a tira colo), Ricardo Aires, Zé Geraldo, Alan Barbiero são alguns que compõem este exército colombiano. Uma base consolidada na Câmara Municipal o fortalece. Amastha é um fortíssimo candidato. É organizado, extremamente midiático, discursa o que o povo quer ouvir, é contra todos da “velha politica”, provou ser um bom gestor, segundo pesquisas de avaliação, apesar de não ter uma obra de grande relevância na cidade que não seja o relógio. Cumpre com as obrigações, faz cortes ou aumentos impopulares, já acumulou alguns adversários, é destemido.

 

Hoje a disputa, apesar das dificuldades e características semelhantes entre ambos, a sucessão de 2018, está entre a senadora Kátia Abreu e o prefeito Carlos Amastha. É esperar para ver se o eleitor continuará com o mais do mesmo, dará uma oportunidade a uma mulher comandar o Palácio Araguaia ou a um estrangeiro, que hoje é um ícone do discurso do “novo”, com as mesmas praticas da “velha política”.

 

Caro leitor e eleitor, finalizo com a frase de Torsh, que resume bem o momento. “Nossa política é como uma casa de vidro; temos as pedras, e a chance de atirá-las, mas as pessoas têm medo de se cortar com os cacos”.

 

Professor Luciano Coelho de Oliveira é pedagogo e funcionário público municipal.

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