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Enterrado como Yasmin, advogado trans terá morte investigada pela Polícia Civil

Morto por um disparo na cabeça na véspera da posse festiva como primeiro advogado trans a compor uma comissão temática da OAB, advogado Igor Potêncio foi enterrado como Yasmim. Civil investiga caso.
- Atualizada em
T1 Notícias

O advogado Igor Lima Potêncio, que tomaria posse em comissão temática da OAB como o primeiro advogado trans da história da Ordem no Tocantins, foi enterrado com o nome de nascimento -  já alterado em vida pelo próprio – Yasmin Lima Potêncio. A informação foi apurada pelo T1 Notícias que teve acesso à certidão de óbito (onde consta o nome já alterado como Igor Lima Potêncio, em contradição ao nome gravado na lápide) registrada em Cartório, e visitou o túmulo em que o corpo do advogado foi enterrado.

 

Por se tratar de crime comum, cujas circunstâncias devem ser esclarecidas, a Polícia Civil instaurou inquérito no 2º DP da Capital, sob comando do delegado Rodrigo Santille. Buscada para maiores esclarecimentos sobre o andamento do caso, a Secretaria de Segurança Pública respondeu em nota que a investigação segue sigilosa.

 

A certidão de Óbito de Igor Lima Potêncio foi registrada com o nome civil alterado, conforme o desejo do advogado em vida. Igor havia alterado certidão de nascimento e CPF, documentos com os quais deu entrada ao pedido de alteração da Carteira da Ordem.

 

No documento consta a descrição do motivo do óbito conforme registrado no atendimento médico feito no HGP, para onde Igor foi levado ainda com vida na noite do domingo, 28 de julho, dia do Orgulho LGBT. O advogado teria desferido um tiro contra si, conforme relato do próprio pai, militar aposentado, em áudios que circularam pelo whatsApp.

 

O crime chocou advogados e a comunidade LGBTQI+ uma vez que Igor se mostrava alegre, satisfeito em ter feito a transição e animado para a posse que ocorreria na segunda-feira, 29. 

 

Disparo foi feito com psitola semi automática

 

Extra-oficialmente, o T1 Notícias teve acesso a informações sobre a arma, uma pistola semi-automática. Conforme relatos trata-se de uma arma que requer habilidade para ser manuseada e só dispara após dois atos: o posicionamento da bala no dispositivo, “tornando a arma quente”, conforme jargão militar e a liberação de uma trava de segurança. 

 

Igor Lima Potêncio não tinha a aprovação nem o apoio da família para fazer a transição de gênero, o que provocava discussões em casa. No domingo, mais uma delas teria ocorrido, em que os pais, evangélicos manifestaram insatisfação e constrangimento com a posse que ocorreria na segunda-feira, 29. 

 

OAB 

 

O T1 Notícias entrou em contato com a OAB, via e-mail, solicitando posicionamento da Ordem sobre o caso, e aguarda resposta. A redação demandou ainda a comissão da Diversidade Sexual sobre os fatos, aguardando retorno sobre a divergência entre  a identificação do sepulcro e a Certidão de Óbito. O espaço continua aberto para manifestações.