Palmas, Tocantins -
Pente fino nas prisões do TO
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Estado faz revistas em presídios de Palmas, Araguaína e Cariri e apreende armas

As ações estão em andamento e devem ser realizadas até o final da manhã de hoje. Até o momento, dezenas de artigos ilegais foram apreendidos nas celas dos detentos
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Artigos ilegais são apreendidos em presídios Foto: Divulgação

A Secretaria Estadual de Cidadania e Justiça está realizando na manhã desta segunda-feira, 9, revistas gerais nas maiores unidades prisionais do Estado, localizadas nas cidades de Araguaína, Palmas e Cariri. Conforme apurado pelo T1 Notícias, equipes das Polícias Civil e Militar, com o apoio de agentes penitenciários e trabalhadores terceirizados nas unidades, fazem a retirada dos presos das celas, para realizarem a revista em todos os pavilhões da Casa de Prisão Provisória de Palmas, Unidade de Tratamento Penal Barra da Grota, em Araguaína, Casa de Prisão Provisória de Araguaína e Centro de Ressocialização Luz do Amanhã, em Cariri.

 

As ações estão em andamento e devem ser realizadas até o final da manhã de hoje. Até o momento, dezenas de artigos ilegais foram apreendidos nas celas dos detentos, como: chunchos (armas artesanais), barras de ferro, cachaça artesanal (feita com frutas), terezas (cordas feitas com lençóis), aparelhos celulares, carregadores e folhas de caderno contendo listas com nomes e valores. 

 

O T1 entrou em contato com a Seciju, por telefone e e-mail, solicitando informações sobre a quantidade de policiais envolvidos e o motivo da revista geral, questionando se esta é uma ação de rotina ou se é uma operação preventiva, iniciada em função das situações de morte e massacre registradas na última semana em prisões do Amazonas e Roraima. A pasta informou que na tarde desta segunda enviará à imprensa um boletim completo com todas as informações das operações.

 

Crise no sistema carcerário do país

O sistema prisional do Tocantins possui pouco mais de 2 mil vagas e mais de 3,3 mil presos. Na última quinta-feira, 5, o governo do Estado recebeu R$ 44 milhões, repassados pelo Ministério da Justiça, para a construção, reforma de presídios e aquisição de equipamentos para a segurança pública.

 

Neste domingo, 8, o ministro da Justiça e Cidadania, Alexandre de Moraes, convocou uma reunião, para o dia 17 de janeiro, em Brasília, com todos os secretários estaduais de segurança pública do país. A medida ocorre após uma semana marcada por rebeliões em presídios brasileiros que causaram ao menos 100 mortes em unidades do Amazonas e Roraima. Por meio de nota, o Ministério da Justiça informou que, na reunião, serão discutidas medidas imediatas para a crise do sistema penitenciário, "a partir dos relatórios que estão sendo produzidos, e a implantação das medidas previstas no Plano Nacional de Segurança”. Entre as principais iniciativas está a criação de 27 núcleos de inteligência e o cronograma de execução dos recursos federais liberados no final do ano passado.

 

Roraima e Amazonas

Nesta semana, diferentes episódios em unidades prisionais no Amazonas e em Roraima deixaram cerca de 100 mortos. Uma rebelião envolvendo presos de facções rivais, iniciada no último dia 1º, resultou na morte de pelo menos 56 detentos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, a chacina no Compaj ocorreu após um confronto entre facções rivais que disputam o controle de atividades ilícitas na região amazônica: a Família do Norte (FDN) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Aliada ao Comando Vermelho (CV), do Rio de Janeiro, a FDN domina o tráfico de drogas e o interior das unidades prisionais do Amazonas. Neste domingo mais quatro presos foram mortos pelos próprios internos em tumultuo na Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, também em Manaus.

 

Já em Roraima, 31 detentos morreram na Penintenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc), zona rural de Boa Vista, também em um confronto entre internos. Segundo o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, no caso de Boa Vista as mortes foram resultado de um acerto de contas entre integrantes da mesma facção, o PCC.