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Covid -19
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Pneumologista defende vacina para todos e vê risco de trombose para grupo específico

Com repercussão entendendo contraindicação da Astrazeneca para pessoas com risco de trombose e que poderia desestimular a vacinação, Danilla reafirma: “não estou dizendo que não deve vacinar”
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Após a grande repercussão nas redes de matéria publicada no T1 Notícias nesta manhã, 7, intitulada “Pneumologista desaconselha Astrazeneca para pacientes com risco de Trombose”, a pneumologista Danilla Assad voltou a falar com o Portal alertando: “não é que não é pra vacinar, é pra vacinar. Não é um desestímulo à vacinação, não estou mandando não tomar a vacina. Só estou dizendo que cada tipo de vacina deve ser selecionada para um público-alvo”.

 

Para a pneumologista Danilla Assad, caberia ao Ministério da Saúde (MS) fazer a gestão de cada vacina com indicação para cada público que se adeque melhor. “A gente tem hoje três vacinas no Brasil, a Astrazeneca, a CoronaVac e a Pfizer, então na verdade se fossemos um país sério teríamos uma contingência para ofertar cada tipo de vacina para uma população-alvo. Pacientes com risco de trombose deveriam tomar a CoronaVac ou a Pfizer. Deixar a Astrazeneca para pacientes que não têm risco nenhum de trombose para tirar esse viés e não correr o risco, trombose mata”, ressalta.

 

Diferença de trombose pulmonar por Covid-19 obriga tratamento diferenciado
 

Para Danilla Assad, o alerta deve ser feito a este grupo de risco devido à gravidade dos casos de trombose provocados pela Covid-19 no pulmão, que é diferente das tromboses comuns conhecidas, e que não pode ser tratado da mesma maneira. “O risco de trombose pela Astrazeneca é diferente, ela é uma trombose que causa uma trombocitopenia, uma alteração na plaqueta, com tudo isso ela se torna muito mais grave, pelo fato de você não poder nem tratar igual você trata uma trombose. A trombose é tratada com anticoagulante, a gente anticoagula o paciente para dissolver, já esse tipo de trombose causada pela vacina não pode usar anticoagulante porque o paciente já faz uma alteração na cascata de coagulação, ele diminui drasticamente os valores das plaquetas, que caem para menos de 10000. Então, se você usar anticoagulante tem o risco ainda de fazer com que o paciente tenha uma hemorragia e morra. A trombose causada pela vacina é um evento autoimune e gravíssimo, com risco alto de ser fatal, diferente da trombose pelo anticoncepcional, imobilização, por outras causas”, explica.

 

A intenção do alerta para esse grupo de risco específico é de salvar vidas, assegura a especialista. “Tenho paciente com trombofilia que já fez oito eventos de trombose, eu não vou indicar para tomar da Astrazeneca, eu fiz uma cartinha para ela ir no posto tomar a vacina da Pfizer. É nesse sentido que a gente tem que ser, tentar ser coerentes e poupar a vida das pessoas. Agora se ofertar para qualquer um, igual aconteceu, gestantes morreram com a Astrazeneca até ela ser proibida. Eu já não faço o mesmo com meus pacientes, não que eu quero que eles fiquem sem vacina. Eu quero que eles se vacinem, mas quero que vacinem com uma vacina segura”.
 

A Dra. Danilla esclarece sobre os especialistas responsáveis pelos tipos de tratamento de tromboses. “O vascular não cuida da trombose pulmonar, quem cuida é o pneumologista. O vascular, angiologista, cuidam só das tromboses venosas profundas, trombose arterial de perna e braço. Mas, do pulmão é o pneumologista e das tromboses cerebrais é o neurologista”.

 

Segue abaixo a entrevista publicada pelo T1 Notícias nesta manhã com a pneumologista Danilla Assad

 

T1 Notícias – Qual o prejuízo para o paciente que perde a janela da segunda dose, como aconteceu no TO e em vários lugares do Brasil com a Coronavac?

 

Danilla Assad - A vacina Coronavac é produzida através do vírus Inativado da SARCS - COVID, Pela Cepa CZ02- portanto vírus “mortos” incapaz de causar doença. Ao adentrar no organismo as células começam a se sensibilizar e produzir a primeira resposta imune. Após a segunda dose, as células já sensibilizadas, irão se proliferar de forma explosiva ,multiplicando rapidamente. Devemos, portanto, respeitar o intervalo de 14 a 28 dias para que essa resposta ocorra de forma satisfatória. Ainda não existe estudo sobre esse intervalo maior. Provavelmente não teremos muitos prejuízos , mas faltam estudos para comprovar essa tese. Estudos clínicos da Coronavac mostraram que a vacina tem 50,7% de eficácia contra o Coronavírus após a aplicação das duas doses em um intervalo de 14 dias, e de 73,8% quando o tempo entre as doses é de 28 dias.- Estudo divulgado pelo Instituto Butantã em 11/4/21, publicado no The Lancet porém ainda em Fase de revisão . Devemos, portanto, tomar a segunda dose assim que possível, mesmo após esse período (14 a 28 dias) e continuar adotando as medidas de proteção como distanciamento social e uso de máscara.

 

T1 Notícias – Qualquer vacina pode ser indicada para qualquer grupo de pacientes?

 

Danilla Assad - As contra indicações das vacinas são - conforme estabelecido pelo Plano Nacional de Imunização do Ministério da Saúde, no Brasil - 1)Pessoas menores de 18 anos de idade; 2) Pessoas que já apresentaram uma reação anafilática confirmada a uma dose anterior de uma vacina contra COVID-19; 3)Pessoas que apresentaram uma reação anafilática confirmada a qualquer componente da(s) vacina(s). Outra contra indicação a vacina discutido em fóruns de especialistas, seria imunossupressão grave: transplantados recentes de medula.

 

T1 Notícias – Especificamente a Astrazeneca, deve ser evitada por que tipo de paciente, além das grávidas?

 

Danilla Assad - A Trombose desencadeada pela vacina se deve a mecanismos totalmente diferentes dos outros tipos: como o uso de contraceptivos orais, imobilização prolongada, tabagismo, obesidade, neoplasias, entre outros. A trombose pela vacina é desencadeada por uma resposta imune a algum componente da fórmula, ocorrendo concomitantemente a trombocitopenia (redução das plaquetas) chamada então: Síndrome da Trombose com Trombocitopenia. Sua prevalência se deu em mulheres menores 60 anos e até 14 dias da primeira dose  A prevalência é de 1 caso a cada 100 mil doses aplicadas, tornando-se um risco baixo. 

 

Os estudos sugerem que por serem mecanismos diferentes não temos prevenção e contra indicações.

 

A orientação é que teríamos que aguardar, para ver o que acontece (...). Na minha humilde opinião, acho que a gente não pode arriscar, já que é um evento grave. Então os meus pacientes que tem risco, eu estou pedindo para evitar este tipo de vacina. Eu não vou arriscar oferecer este tipo de vacina a eles e ver o que acontece, eu não tenho esta coragem. Então, os meus pacientes em particular eu peço para evitar, mesmo os estudos mandando aguardar alguma reação.

 

T1 Notícias – Na sua opinião, a gestão destas vacinas poderia ser feita de outra forma pelo Ministério da Saúde? Direcionando a vacina mais adequada a cada tipo de público?

 

Danilla Assad – Na minha opinião o gerenciamento das vacinas está totalmente errado, porque deveria começar do jovem para o idoso. Esse idosos na maioria das vezes ele está aposentado, ele não precisa se deslocar do seu domicílio. O jovem tá na vida ativa, na vida produtiva, ele precisa sair para trabalhar, e trazer o sustento para a sua família. Ele não tem como ficar em casa esperando a vacina, esperando a pandemia passar, por que se não a família vai morrer de fome. Então a vacina deveria ser ofertada para esta classe que tem que sair para trabalhar, e depois os demais.

 

Primeiro os profissionais da saúde, os policiais que estão a ativa, os professores, para a gente poder retomar as aulas, e os jovens que estão aí na fase produtiva e que precisam trabalhar. Por último os idosos. É até engraçado, vacina um paciente de 80, 90 anos que muitas vezes está acamado. Quem traz o Covid para esse tipo de paciente? É a família ou o cuidador, então a gente tem que vacinar é a famíia, é o cuidador. O idosos se ficar quietinho, ele não pega o Covid, mas o jovem não tem como fazer isso por que ele precisa trabalhar.