Palmas, Tocantins -

Estado


Operação Reis do Gado
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Polícia Federal diz que lavagem de dinheiro pode superar R$ 200 milhões

Recursos de origem ilícita adquiridos em razão de contratos celebrados entre o Estado e alguns empreiteiros teriam sido canalizados para pessoas da família do atual governador
- Atualizada em
Descrição: Coletiva da PF à imprensa Foto: T1 Notícias

Em coletiva de imprensa na manhã desta segunda-feira, 28 a Polícia Federal (PF) detalhou mais aspectos sobre a Operação Reis do Gado, que tem como objetivo desarticular uma organização criminosa que atuava no Estado do Tocantins praticando crimes contra a administração pública e promovendo a lavagem de dinheiro, segundo a PF, por meio da dissimulação e ocultação dos lucros ilícitos no patrimônio de membros da família do governador do Estado. Marcelo Miranda (PMDB) está na sede da Justiça Federal prestando depoimento. 

 

Arcelino Vieira, superintendente da Polícia Federal, explicou o que está sendo investigado. “O que a Policia Federal investiga hoje é um esquema de lavagem de dinheiro proveniente de recursos de origem ilícita adquiridos em razão de contratos celebrados entre o Estado e alguns empreiteiros. Esses recursos foram canalizados para pessoas da família do atual governador. Esses recursos foram utilizados na compra de gados, fazendas e imóveis. Foi constituída uma sociedade entre laranjas e pessoas da família do governador. Depois era feito um destrato, registrado em cartório, desfazendo essa sociedade, fazendo com que os bens retornassem para o patrimônio da família do atual governador”, disse.

 

Ainda segundo Vieira, “a investigação da PF começou cerca de um ano e meio atrás, mas ela menciona fatos que aconteceram desde a primeira gestão até a atual gestão”.

 

O chefe da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado, Cleyber Malta, que também está participando das investigações, afirmou que o quantia lavada inicialmente apurada no valor de R$ 200 milhões pode ser ainda maior.

 

“O que a gente tem por enquanto é por volta de R$ 200 milhões, de patrimônio que foi de alguma forma lavado ou transferido para terceiros e que depois retornou ao patrimônio da família. O valor pode ser maior. Temos um valor grande de contratos movimentados. Sendo que do valor analisado após quebra de sigilo bancário, temos quase R$ 7 bilhões. Deste valor temos analisado até agora apenas referente aos laranjas identificados corresponde ao valor de R$ 200 milhões” explicou Malta.

 

Bloqueio de bens

Conforme Arcelino Vieira, superintendente da Polícia Federal, os bens de Marcelo Miranda, Brito Miranda, pai do governador, e Júnior Miranda, irmão do governador, foram bloqueados pela decisão da Justiça.

 

Governador depõe

O governador Marcelo Miranda prestou depoimento nesta tarde na sede da Justiça Federal e, por possuir foro privilegiado, foi ouvido pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Mauro Campbell.

 

Em entrevista à imprensa ainda nesta tarde, o advogado de defesa do governador Marcelo Miranda, Solano Donato, disse que Miranda se apresentou espontaneamente para prestar depoimento na sede da Justiça Federal assim que tomou conhecimento do mandado de condução coercitiva aberto contra ele, e que ele negou qualquer envolvimento em fraudes.“Ele não estava em Palmas, mas assim que ele chegou ele veio direto para a Justiça Federal, foi ouvido normalmente e está colaborando com as investigações”, disse Donato.

 

Questionado sobre as evidências apresentadas pelas investigações, Solano refutou: "nem sempre o que a polícia constata ou investiga quer dizer que seja realidade. Nós estamos acostumados a ver inquéritos policiais que as acusações são bastante sérias, mas que lá na frente, quando são esclarecidas as questões, chega-se a conclusões totalmente diversas como vai acontecer no presente caso”, defendeu. O advogado disse ainda que Miranda esclareceu o que lhe foi perguntado, se tinha envolvimento com as empresas citadas no inquérito, o que foi negado. “Ele respondeu tudo naturalmente”.

 

 

(Atualizada às 17h32)