Palmas, Tocantins -

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A pesquisa como marketing eleitoral

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No dia 16 de março de 2000, participei na ULBRA de um seminário, organizado pelo Jornal do Tocantins e Editora Perfil Brasileiro. Participaram do evento como palestrantes Carlos Manhanelli, Tadeu Carmelatto e Claudino Kosteski. Foi um dia inteiro de debates e reflexões sobre como administrar recursos públicos, como vencer uma eleição e etc.

Me recordo muito bem, que um destes palestrantes falou sobre o Marketing político e sua relação com as pesquisas eleitorais. Sua frase foi mais ou menos o seguinte: “Quando um candidato está sem verba suficiente de campanha ou está bem abaixo nas pesquisas, compra se um instituto e manipula-se o resultado da pesquisa de modo a colocá-lo em primeiro lugar. Depois disto feito vem o trabalho do marketing e da militância em fazer com que isto se torne verdade absoluta em meio aos eleitores sobretudo os indecisos, pois se sabe que ninguém gosta de votar em candidato que vai perder”.

O palestrante falou assim porque estava ministrando um curso para preparar futuros candidatos e profissionais da área do marketing político. Eu naquela época estava no evento como presidente do D.C.E da ULBRA, militante estudantil, olhei para aquele moço e refleti internamente: "como que uma pessoa vem até aqui e me fala uma besteira destas?" pois naquele momento não acreditava ser possível manobrar resultados e vencer uma eleição apenas com o jogo dos números.

Pois bem o que esta história tem haver com o nosso quadro eleitoral atual em Palmas? Tudo, pois o instituto “IBOPE-TO” que até ontem merecia crédito por suas pesquisas, deu sinais claros de que entrou no jogo de algum marketeiro abonado em dinheiro e fabricou o resultado divulgado amplamente por um canal de televisão, uma pesquisa colorida.

 O Raul Filho cresceu em Palmas? Lógico que sim, é inegável, ele tem a máquina administrativa municipal nas mãos, é o atual prefeito, é do partido do presidente Lula, está com um bom quadro de lideranças políticas experientes ao seu lado, mas a ponto de distanciar da candidata Nilmar 12 pontos percentuais e inverter a rejeição em 6 dias, é querer chamar os eleitores e militantes, pais de família de Palmas de burros, otários e outros adjetivos mais.

Para finalizar, se esta pesquisa fosse verdadeira, a Rede Globo em seus telejornais seria a primeira a publicar, como tem feito semanalmente no Jornal da Globo mostrando como está a disputa nas capitais. Porque esta pesquisa em Palmas não apareceu a nível nacional?

Fica aí um alerta para quem não pensou nisto. De um militante político não lunático, mas sóbrio, que aprendeu com as chibatas do passado que é preciso enfrentar sim, ir para luta, mesmo que a batalha seja perdida de forma desonesta, mas que continua acreditando que o grão de mostarda no meio do deserto pode fazer a diferença entre a imparcialidade e a parcialidade, dos veículos de comunicação do Estado, que na política apesar dos vícios ainda podemos avançar basta querer e acreditar e não se intimidar.