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Neurocirurgião de Palmas alerta pais e professores sobre desafio “quebra-crânio”

"É uma atitude que pode causar a morte de alguém, dependendo das estruturas da cabeça que forem afetadas"
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A Sociedade Brasileira de Neurocirurgia divulgou nesta semana um comunicado alertando sobre os riscos de uma perigosa “brincadeira”, que ganhou as redes sociais nos últimos dias, em que crianças e adolescentes dão uma rasteira em outro colega. Apelidado como desafio “quebra-crânio”, a ação arriscada é desempenhada por dois jovens, que se posicionam ao lado de um colega, que é orientado a pular e, então, recebe uma rasteira, vindo a cair em seguida e a bater a cabeça no chão. Segundo o neurocirurgião Márcio Figueiredo, coordenador do Núcleo de Neurologia e Neurocirurgia do Hospital IOP, em Palmas, essa “brincadeira” pode levar à morte.

 

“É uma atitude que pode causar a morte de alguém, dependendo das estruturas da cabeça que forem afetadas. Isso pode causar uma fratura de base de crânio, na parte posterior da cabeça, e ocasionar até uma hemorragia, sendo necessário que a vítima seja submetida a um procedimento cirúrgico”, afirma o neurocirurgião.

O médico alerta que quando alguém é derrubado desta forma, como ocorre no desafio, a pessoa não consegue se defender ou evitar a queda. “Naquela região posterior da cabeça temos o seio transverso, o seio sigmoide, que é por onde drenamos o sangue que vai para o cérebro. Aquela parte que bate primeiro no chão, a ponta do occipital, é por onde circula esse sangue. Um trauma nessa região da cabeça, além de ocasionar o rompimento desses vasos e machucar o cérebro, pode causar ainda uma hemorragia intracerebral, que pode levar à morte dependendo da situação. Quando somos derrubados inesperadamente não temos defesa alguma. Nosso cérebro pode sofrer, ainda, um contragolpe. Com a velocidade da queda, o cérebro se desloca para a região do crânio, onde temos ossos pontiagudos. Esse movimento brusco pode levar nosso cérebro em direção a esses ossos e machucá-lo”, explica o neurocirurgião Márcio Figueiredo. 

 

O especialista chama a atenção dos pais, professores, crianças e adolescente de todo o Tocantins, para que evitem qualquer tipo de envolvimento neste desafio. “É algo muito grave, que pode não levar a nada, mas pode ser fatal ou deixar sequelas, submeter o paciente a dias de internação no hospital, por exemplo. Não há necessidade desse tipo de ‘brincadeira’, de submeter nossos amigos, colegas, familiares, a um acidente, a uma fratura, apenas por ‘diversão’. Colocar em risco a vida de alguém que você gosta, que confia em você, é errado e depois você não poderá voltar atrás. Minha orientação para as crianças, adolescentes, e até mesmo os adultos, é que não repitam esse tipo de ação, que pode resultar em sérias consequências”, finaliza o médico.

 

Crime

 

Conforme o comunicado da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, o caso pode ser enquadrado como um crime. "O que parece ser uma brincadeira inofensiva, é gravíssimo e pode terminar em óbito. Os responsáveis pela ‘brincadeira’ de mau gosto podem responder penalmente por lesão corporal grave e até mesmo homicídio culposo", aponta a SBN.

 

Caso no RN

 

Uma adolescente morreu após participar de uma brincadeira que se popularizou na internet. Emanuela Medeiros, de 16 anos, bateu a cabeça no chão, na Escola Municipal Antônio Fagundes, em Mossoró, no Rio Grande do Norte (RN). Ela sofreu traumatismo craniano, foi socorrida pela direção do colégio e levada ao Hospital Regional Tarcísio Maia, mas acabou morrendo. O caso aconteceu em novembro do ano passado e viralizou esta semana.

 

A adolescente participava de uma brincadeira com outras duas meninas que guiavam a colega sobre como proceder. Após pular e sofrer uma rasteira, ela bateu a cabeça no chão e acabou se ferindo. 

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