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Pesquisa IBGE
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Pacientes percorrem em média 202 km no TO para tratamentos de alta complexidade

No cenário regional, Tocantins é o estado do Norte com a menor média de deslocamento, para atendimento de baixa e média complexidade.
- Atualizada em
André Araújo

Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Regiões de Influência das Cidades (Regic) 2018, mostra que no Tocantins as pessoas precisam percorrer, em média, 94 km para atendimento de baixa e média complexidade, como consultas médicas e odontológicas, exames clínicos, serviços ortopédicos e radiológicos, fisioterapia e pequenas cirurgias, dentre outros. Já a busca por tratamentos especializados de alto custo exige do paciente mais que o dobro do deslocamento. Em média, 202 km para internações, cirurgias, exames complexos e tratamentos de câncer.

 

Divulgada nesta quinta-feira, 25, a Regic é realizada a cada dez anos. Ela define a hierarquia dos centros urbanos brasileiros e delimita as regiões de influência a eles associados. A pesquisa saiu a campo no segundo semestre de 2018 e investigou, entre outros aspectos, o deslocamento dos usuários da rede pública e privada de saúde, que saem de seus municípios com destino a outros para acesso a esses serviços e a curso de nível superior; atividades culturais; atividades esportivas; a busca por aeroportos e de produtos.

 

No cenário regional, Tocantins é o estado do Norte com a menor média de deslocamento, para atendimento de baixa e média complexidade. Considerando todo o país, Manaus (AM) é a cidade que recebe pacientes que tiveram que percorrer as maiores distâncias, em média, 418 km. Já Goiânia (GO) é o município que atende pacientes do maior número de cidades, 115 no total. Santa Catarina é o único estado onde ocorrem deslocamentos médios inferiores a 40 km, os menores do Brasil.

 

Em relação ao deslocamento para tratamento de saúde de alta complexidade, Tocantins tem a segunda menor média da Região Norte. Considerando todos os estados, Roraima e Amazonas apresentaram as maiores médias, 471 km e 462 km, respectivamente, seguidos pelo Mato Grosso com 370 km. A menor distância percorrida ocorreu no Rio de Janeiro, com 67 km.

 

Para o gerente de Redes e Fluxos Geográficos do IBGE, Bruno Hidalgo, esses dados da Regic, quando cruzados com outros dos órgãos de saúde, fornecerão informações importantes para o enfrentamento da pandemia. “É possível identificar, por exemplo, municípios onde podem ocorrer superlotação das unidades de saúde. Os órgãos poderão correlacionar com a quantidade de respiradores e verificar pontos no território menos assistidos, julgando necessária a instalação de pontos de atendimento. São inúmeras as possibilidades de uso dos dados”, comentou ele.

 

Dados gerais

 

Segundo a pesquisa, Tocantins apresenta, em geral, média de deslocamentos elevada (129 km para todos os temas pesquisados pelo questionário), mas inferior à média dos demais estados da Região Norte. Considerando que essa distância média é dada em linha reta entre a cidade de origem e a de destino, a distância real pode ser consideravelmente maior.

 

A média das distâncias em cada temática pesquisada no Tocantins responde, em geral, ao seguinte comportamento: nos temas em que as centralidades do interior são capazes de atender, pelo menos em parte, à população residente nas cidades próximas, tais como compra de móveis e eletroeletrônicos e acesso a serviços de saúde de baixa complexidade, as distâncias médias são menores (93 km e 94 km, respectivamente). Para a aquisição de vestuário e calçados, a média foi ligeiramente superior (98 km) por conta da atração que Goiânia (GO) exerce nesta temática.

 

No tema da atração de moradores de outras cidades para ensino superior, Tocantins apresentou média de 108 km. Outra temática com maior distância, também reflexo da polarização de Palmas e Araguaína, é a busca por aeroportos, que corresponde a 183 km para as cidades tocantinenses, a segunda maior média no estado dentre os temas pesquisados.

 

Rede urbana

 

O Tocantins compõe o limite norte da região de influência da metrópole de Goiânia, que abrange quase todas as cidades do estado. Em geral, a ligação com a capital do Goiás se dá somente através de Palmas, exceto por cinco cidades no sul do estado que não participam da rede urbana de Palmas por estabelecerem vínculos com Campos Belos (GO) e Talismã (TO), cujo destino principal é Porangatu (GO).

 

Ainda que esteja quase totalmente na região de influência da metrópole goiana, cidades tocantinenses próximas aos limites estaduais apresentam influência também das metrópoles vizinhas. A influência de Belém (PA) se restringe a Couto Magalhães atraída por Conceição do Araguaia (PA), enquanto que a de Salvador (BA) ocorre somente em Taguatinga, que apresenta dupla subordinação para Dianópolis e Luís Eduardo Magalhães (BA). Já a influência de Fortaleza (CE), sobretudo a partir de Imperatriz (MA), tem atuação em 18 cidades.

 

Em termos de hierarquias urbanas, a grande maioria das cidades tocantinenses manteve sua classificação em relação à Regic 2007: 93% das cidades não tiveram alteração, indicando estabilidade geral da rede urbana no estado. As mudanças no sentido de aumento de centralidade ocorreram em: Gurupi, Paraíso do Tocantins, Porto Nacional, o arranjo populacional de Tocantinópolis - Porto Franco (MA) e Augustinópolis. Também houve expansão da atração direta da capital no norte e no sul, bem como fora do estado, até Santana do Araguaia no Pará e, pela primeira vez, ao Mato Grosso, através de Confresa e Vila Rica.