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Roberta Tum

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Partida de Iris Rezende encerra ciclo da política pós abertura em Goiás

Ex-governador de Goiás, Iris Rezende morreu nesta terça-feira, 09, em São Paulo - SP, após de passar mais de três meses internado por conta de um Acidente Vascular Cerebral (AVC)
- Atualizada em
Divulgação/Twiter Iris Rezende

O Tocantins e Goiás tiveram sua história intrinsecamente ligada por longas décadas, até a luta separatista se confirmar na Constituição de 1988. Desta forma, a partida de Iris Rezende, que foi prefeito de Goiânia antes da virada do século, governador do Estado e posteriormente prefeito de Goiânia novamente, é repleta de significados, pois encerra o ciclo dos grandes líderes forjados na abertura do regime, com o retorno dos que foram presos e exilados, ou que optaram por deixar o País, no período em que durou os governos militares no Brasil.

 

Quando ouvi nos últimos dias que Iris estava no final de suas forças físicas - e sua morte chegou a ser anunciada prematuramente no final de semana - foi inevitável que a memória me transportasse para minha infância em Jataí.

 

Era o tempo dos embates duros entre a Arena e o MDB. Na minha cidade, a família se dividia. De um lado meu tio Juri (Jurandir) era Arena roxa, partidário dos carvalhos, amigo e seguidor do Dr. Luziano de Carvalho, figura histórica da política jataiense. Minha mãe, professora primária, leitora voraz de Gregório de Matos Guerra, era uma admiradora de Iris Rezende e de sua história. E eu com meu tio, passeava dentro de um fusca, pelas carreatas e foguetórios de campanha em Jataí. Ele, Mauro Borges, eu, gritando o nome de Iris Rezende. Ainda bem que ele tinha na época mais paciência do que eu tenho hoje com a rebeldia dos meus filhos.

 

Iris havia retornado, década de 80, incensado como um resistente, revolucionário e foi eleito governador em seguida. Me lembro de tê-lo conhecido no próximo desfile cívico. 31 de maio, dia do aniversário de Jataí, não havia um programa mais importante do que desfilar. E eu, com boas notas, fui escalada para entregar um buquê de flores ao governador, em nome da minha escola, Colégio Estadual Marcondes de Godoy.

 

Quanta emoção, subir no palco e entregar as flores ao governador. Tempos áureos da política goiana. Época de grandes e belos discursos, de esperança, de retomada da democracia. Iris seguiu seu caminho, de fazer mutirões, ele próprio arregaçando as mangas e construindo não sei quantas casas em um dia, na periferia de Goiânia. Eu trilhei o movimento estudantil, e como a maioria dos jataienses na época, apoiei os “modebas”, Mauro Bento e Maguito Vilela...e depois, parti.

 

Goiânia, UNE, pedagogia, jornalismo, ICHL e tudo que formou minhas concepções políticas.

 

Com o tempo passei a enxergar populismo nas ações de Iris. Trabalhando no Diário da Manhã, do inteligentíssimo Batista Custódio, conheci e entrevistei Mauro Borges, que havia acabado de perder a esposa. Me aproximei do PT e do PC do B. Abri mão de integrar partido, para militar no partido da notícia.

 

Hoje quando os goianos se preparam para velar e enterrar Iris Rezende, é impossível não relembrar o quanto a geração dele contribuiu para o fortalecimento da democracia em Goiás e para a formação da geração de políticos pós ditadura.

 

Com Iris se encerra e se enterra parte da história política do vizinho e mais velho irmão, Estado de Goiás. Que hoje vive a era Caiado, Vilela, mas também Accorsi e tantos outros mais que seguem o bonde e fazem a nova política goiana.

 

Tocantinense por escolha há 30 anos, de cá deixo meu Ode à vida e ao legado de Iris Rezende Machado e tudo que ele representou. Lutou o bom combate. Que descanse em paz!

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