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Roberta Tum

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roberta.tum.9 @robertatum
Colunista do editorial Minha Opinião

Opinião Roberta Tum
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MDB para no tempo e vai numa aventura com Marcelo: um eterno deja vu...

Partido, que ainda é um dos maiores do Estado, com bancada forte na Assembléia, faz uma homenagem ao ex-governador duas vezes cassado. Pode render desgaste nos próximos dias...
- Atualizada em
Da web

O partido do Movimento Democrático Brasileiro referendou na tarde desta sexta-feira, 31, o nome do ex-governador Marcelo Miranda no comando do partido. Uma decisão que parece um afago, um deja-vu, uma vontade de que as coisas fossem diferentes.... mas não são.

 

O público emedebista recebeu os Miranda calorosamente no plenário da Assembléia Legisaltiva. No histórico coração modeba, Marcelo ainda reina com seu jeito de boa praça, amigo de fé, irmão camarada.

 

A mesa, formada mais ao final, é uma demonstração disso. De novo havia pouco, ou quase nada. Estava ali o velho Derval, que mesmo morador do Tabocão, está eleito no diretório metropolitano de Palmas como vice. 

 

Vento novo no partido, o senador Eduardo Gomes, liderança mais expressiva da legenda nacionalmente, pisou devagarinho no chão. Se anunciou apto a vaga de filiado e militante, rendeu homenagem a Brito Miranda e terminou por apoiar a unanimidade: Marcelo presidente.

 

Mas não se iludam, há problemas. E graves. O primeiro é que uma decisão dessas, de um sentimentalismo exacerbado, pouco prática e pouco racional pode ter nas cenas dos próximos capítulos, manchetes constrangedoras. Uma exposição desnecessária da figura do ex-governador que poderia viver seus dias de recolhimento, de período sabático. 

 

O MDB, ex-PMDB ostenta uma história interessante no Estado. São vários mandatos de governador: começando lá em 1991 com Moisés Avelino, que poderia ter tido em sua sucessão, o então popular João Cruz, abatido nas urnas por Siqueira, na segunda eleição do Estado. Naquela eleição, modebas sabotaram modebas, com medo do crescimento da estrela do ex-prefeito de Gurupi.

 

Parêntese.

 

Avelino, aliás,  cravou seu nome na história política do Estado e enfrenta, como Siqueira, as consequências da idade, com suas limitações, as doenças e fragilidades que ela traz.

 

Enfrenta com galhardia, diga-se.

 

Avelino, segue na luta contra o câncer na bacia.

 

Siqueira enfrenta mais um quadro infeccioso, num organismo resistente, mas fragilizado.

 

Dois ex-governadores importantes com os quais o Tocantins ainda conta, vivos. Retratos da nossa história.

 

Fecha parêntese.

 

Voltando ao MDB de Marcelo. O que se viu ontem foi um partido declarando lealdade a um governador duplamente cassado.

 

Sem entrar no mérito das duas decisões, elas são incontestáveis. Literalmente, incontestáveis do ponto de vista jurídico.

 

As duas, fatos jurídicos consumados. Imagine que Marcelo Miranda, numa teimosia parecida com esta, candidatou-se a senador e venceu as eleições. O povo tinha por ele um sentimento de fora injustiçado. Mas cassado, não podia assumir mandato, não podia voltar a ser gestor de recursos públicos. E todos aqueles votos foram para o ralo.

 

O Tocantins ficou com Vicentinho Alves, senador, o terceiro colocado. Foi um excelente senador para o Estado, diga-se. Mas muitos líderes do MDB amargam ainda aquele resultado com a dúvida: se tivesse cedido a vaga para outro companheiro do partido, Miranda poderia ter permitido que outro emedebista fosse o senador.

 

E o que argumenta a defesa de Marcelo Miranda para dar fôlego e sobrevida a essa empreitada de ter o ex-governador no comando do partido que o abriga? Que ainda correm recursos. Que a chapa foi cassada, mas que Cláudia Lélis pode concorrer e tomar posse como deputada. Que Marcelo pode votar e ser votado.

 

Não pode.

 

Ontem ainda, pode ser votado entre os seus. Ocorre que o bastião partidário não passa incólume às leis. Mesmo o regimento e estatuto internos do partido podem oferecer óbice a Miranda se sua eleição for questionada nos próximos dias. E por que? Por que condenado em segunda instância Marcelo Miranda não pode em absoluto, gerir dinheiro do fundo partidário. Recursos públicos.

 

Sabendo de tudo isso e elegendo o ex-governador, volto a dizer, o que o MDB faz é ignorar solenemente a lei e suas consequências. 

 

Há um anseio muito grande pela assepsia da prática política.

 

O que o MDB fez ontem foi a política do avestruz: enfiar a cabeça na areia e pensar que - não vendo todas essas adversidades -ninguém mais verá.

 

Ao final da tarde, consagrado presidente do MDB, mesmo duplamente cassado, Miranda se colocou de novo, na pauta da imprensa nacional.

 

Nos próximos dias poderá certamente enfrentar uma contestação.

 

Com muitas lideranças e outras opções, o MDB faz a escolha equivocada. Poderia ter dado a Miranda o posto de presidente de honra do partido. Reconhecendo seu valor, sem expo-lo ao que certamente virá.

 

É, pois é. Fazer o que? Esperar as cenas dos próximos capítulos.

 

Porque há aqueles que mesmo passando duas vezes pelas mesmas lições, têm suas dificuldades em compreender.