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Minha Opinião

Roberta Tum

Roberta Tum

roberta.tum.9 @robertatum

Colunista do Editorial Minha Opinião


Análise
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O encontro de Amastha e Dimas e o enigma das oposições para 2022

Mesmo com as eleições a governador, senador, (uma vaga), deputados federais e estaduais do ano que vem distantes, a articulação começa agora. Para as oposições um caminho desafiador...
- Atualizada em
Descrição: Dimas e Amastha conversam em Palmas Instagram/Carlos Amastha

Decifra-me, ou te devoro!

 

O enigma da esfinge de Tebas, que se tornou conhecido como um símbolo do auto-conhecimento necessário ao homem para sobreviver, me veio à mente ontem, 13, quando vi a postagem do ex-prefeito Carlos Amastha, de um almoço seu com Ronaldo Dimas, ex-prefeito de Araguaína.

 

Dimas, que deixou a prefeitura com bons índices de aprovação e fez o sucessor, prefeito Wagner Rodrigues. Este que ontem, terça, era convidado do governador Mauro Carlesse no Palácio Araguaia, ao lado de Josi Nunes, prefeita de Gurupi, Cinthia Ribeiro, de Palmas, e Dr. Kasarin, do PSL de Colinas. O evento do dia foi a filiação do governador ao PSL, antes do que se reuniu e almoçou com prefeitos.

 

Na política tudo está ligado. Aliás, os destinos estão ligados, para o bem ou para o mal.

 

No caso dos políticos, as ligações mudam de acordo com a ocasião e a necessidade. Carlos Amastha, por exemplo. Tinha situação confortável na prefeitura de Palmas quando anunciou que deixaria o cargo para disputar a eleição a governador do Estado em 2018.

 

Enfrentá-la contra Marcelo Miranda, então governador, era um cenário. Mas a mudança dos fatos com a cassação de Miranda e a assunção de Mauro Carlesse mudou todo o quadro.

 

Naquele momento do jogo, todos decidiram testar sua musculatura. E o resultado da eleição favoreceu, em primeiro turno, Carlesse e Vicentinho Alves, deixando Carlos Amastha em terceiro e Kátia Abreu em quarto, com Marlon Reis em quinto lugar.

 

A disputa que veio a seguir trouxe um divisor de águas, com Amastha enfrentando Carlesse com apoio de quase toda a oposição. O resultado, 75% para Carlesse. E um destaque: a vitória de Amastha em Araguaína, então comandada por Dimas, que apoiava o governador.

 

Para entender o cenário atual e fazer qualquer projeção futura, é preciso compreender os movimentos de afastamento e proximidade. Alguns são temporários e movidos por fatores sazonais.

 

Abre parênteses.

 

Encontrei numa noite daquelas de 2018, num restaurante japonês em Palmas, o então prefeito Dimas, acompanhado da deputada Luana Ribeiro. Os dois, à época, firmes com Carlesse.Sentei à mesa para trocar dois dedos de prosa sobre política enquanto esperava meu pedido para voltar para casa.

 

Conversando sobre política e futuro (estávamos no intervalo entre a primeira e a segunda eleição daquele ano), Dimas questionava quem teria força para enfrentar o governador nas urnas. E duvidava do potencial ofensivo de Amastha.

 

Havia naquele momento, uma supremacia da força política do governador, muito clara e evidente.

 

Amastha já não tinha desde abril, a articulação de Júnior Coimbra (falecido em acidente de carro na primeira campanha). E o que se viu foi  a incapacidade de levar uma mensagem que dividisse o eleitorado mais igualitariamente, e trouxesse perspectiva de vitória para a oposição.

 

Fecha parênteses.

 

De volta aos dias atuais e ao início desse artigo, o que acontece é que a oposição segue desarrumada, um ano antes das eleições para governo e Senado, no ano que vem.

 

O cenário é de pandemia, onde as pessoas estão preocupadas em sobreviver, se recuperar economicamente. Tudo isso envolve atos administrativos, decisões acertadas, tanto em adquirir vacinas e imunizar o mais rapidamente a população, como em dar respostas à crise econômica, que já existe, em razão do enfrentamento ao vírus que já vai para o segundo ano.

 

O encontro de Amastha e Dimas, anunciado no Instagram do ex-prefeito, com a legenda de que “podemos sonhar com um Tocantins melhor”, anuncia um gesto de tentativa de aproximação.

 

Ouvi de um inteligente articulador político há duas semanas, que para a oposição se acomodar e tentar construir um projeto para discutir o Tocantins eleitoralmente, Carlos Amastha precisa dar dois passos atrás, para dar um à frente.

 

Depois de sucessivas derrotas (ao governo, duas vezes, e à prefeitura de Palmas, ano passado) , Amastha já não é protagonista no processo político eleitoral. Pode estruturar o PSB para disputar uma candidatura a deputado federal, mas precisará investir em quadros que componham a legenda de 90 mil votos, para fazer um.BEm articulado, o PSB pode construi chapa para eleger dois deputados estaduais...

 

Mas principalmente precisará definir com quem vai se articular numa candidatura à governador. Com quem formar grupo. Qual líder seguir.

 

Dimas, do Podemos, está hoje em oposição ao Palácio Araguaia. É potencial candidato ao governo. Elegeu o filho, deputado federal Tiago Dimas. Tem relacionamento pessoal próximo com o senador Eduardo Gomes e relacionamento político de apoio mútuo ao longo dos últimos anos.

 

O ativo político eleitoral dos ex-prefeitos como ele e Laurez Moreira é grande nas maiores cidades do Estado.

 

O que virá deste rearranjo das oposições é que dirá como será a eleição ano que vem. Até por que Carlesse é pré-candidato ao Senado. Terá que escolher no seu grupo, o candidato a governador. Se prevalecer o vice-governador Wanderley Barbosa, o cenário é um. Se for Eduardo Gomes, Carlos Gaguim, Antonio Andrade, muda tudo.

 

Nas oposições também não está claro o projeto da Senadora Kátia Abreu, que detém o comando do PP e do senador Irajá, que comanda o PSD. Só ela terá o mandato de senadora encerrado ano que vem, quando acontece outra eleição.

 

Se a oposição decifrar o enigma de si mesma, a tempo, poderá encontrar o caminho de garantir mandatos populares importantes. Os que forem possível. 

 

No caminho, há egos enormes a serem contornados. Se não forem incontornáveis poderemos assistir uma eleição que discuta projeto de Estado na eleição do ano que vem. De lado a lado.