Palmas, Tocantins -

Plantão de Polícia


Operação Doutor
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Suspeito de forjar ser quilombola para entrar na UFT é alvo de operação da PF

A  “Operação Doutor” é realizada com cerca de seis policiais federais que cumprem o mandado de busca e apreensão expedido pela 4ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado do Tocantins, em Palmas
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Suspeito de ter fraudado o sistema de Cota da Universidade Federal do Tocantins é alvo de operação da Polícia Federal na manhã desta sexta-feira, 18, em Palmas. O mandato de busca e apreensão é contra um indivíduo de família de políticos de Minas Gerais, suspeito de utilizar Declaração Quilombola falsa para facilitar matrícula no curso de Medicina da instituição. A idade e o nome do suspeito não foram divulgados. 

 

A  “Operação Doutor” é realizada com cerca de seis policiais federais que cumprem o mandado de busca e apreensão expedido pela 4ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado do Tocantins. 
 

O investigado poderá responder pelos crimes de falsificação de documento público, uso de documento falso, estelionato, exercício ilegal de medicina, bem como outros crimes que estão sendo investigados e que somadas as penas ultrapassam os dez anos de reclusão.
 

Investigações 

 

A investigação iniciou no final do ano de 2019 após a utilização de uma Declaração Quilombola falsa, no qual um jovem aproveitou desse documento para burlar o sistema de cotas e angariar de maneira fraudulenta uma vaga no curso de medicina na UFT. 

 

Conforme a PF, a pessoa fez isso “encobrindo as suas verdadeiras raízes étnicas”. A Polícia não divulgou nomes, mas aponta que o investigado pertence a uma família tradicional com envolvimento na política no Estado de Minas Gerais.

 

“Após extensa investigação, inclusive com diligência ao quilombo Gorotuba, no município de Catuti/MG, verificou-se a falsidade da Declaração Quilombola do investigado, inclusive com entrevista da presidente da Associação. Há ainda a suspeita de que o investigado esteja praticando o crime de exercício ilegal da medicina, com registros de plantões realizados na região, como se médico já fosse, fato esse que ainda está sob análise” menciona a PF.

 

Ainda de acordo com a Polícia Federal, a ação visa a proteção ao erário e aos serviços públicos, e espera colher elementos probatórios e eventuais outros fatos criminosos, conexos a investigação em apreço posto que, nos dias atuais, o investimento para se formar em Medicina em uma Universidade particular é superior a R$ 500 mil (quinhentos mil reais).

 

 Além disso, a PF afirma que este tipo de fraude ocasiona a exclusão social de verdadeiros membros de Comunidades Quilombolas, que são os legítimos concorrentes às vagas e acabam perdendo a oportunidade de desenvolvimento social.

 

O nome da Operação “Doutor Palmares” faz referência ao lendário “Quilombo dos Palmares”, símbolo da resistência à escravatura no período colonial brasileiro