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Governo inicia obras do Projeto Barraginhas em Conceição do Tocantins

O objetivo do Projeto Barraginhas é armazenar a água da chuva para abastecimento local, conter a assoreamento das fontes e incentivar a agricultura de subsistência.
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Descrição: Projeto Barraginhas Assessoria

O Governo do Tocantins, através da Secretaria do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semades) junto ao Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins), deu início às obras de construção do Projeto Barraginhas. Nessa semana, foram concluídas 38 barraginhas que irão beneficiar 16 famílias no município de Conceição do Tocantins. Inicialmente o projeto prevê a construção de 480 pequenas barragens nos municípios de Conceição do Tocantins e Paranã, região sudeste do Estado, sendo 240 unidades para cada regional, em média três barraginhas para cada família.

O objetivo do Projeto Barraginhas é armazenar a água da chuva para abastecimento local, conter a assoreamento das fontes e incentivar a agricultura de subsistência. Esse procedimento deve contribuir para melhorar o nível do lençol freático na região, especialmente no período de seca. E criar bases de sustentabilidade ambiental com a proteção e revitalização dos recursos hídricos nos principais afluentes dos Rios Paranã, Manuel Alves e Palma, sub-bacias da margem direita do Rio Tocantins.

O secretário da Semades, Divaldo Rezende, falou dos fatores que incentivaram o desenvolvimento desse projeto. “O Estado do Tocantins tem seu regime pluviométrico definido por dois períodos bem distintos; um chuvoso compreendido entre os meses de outubro a março e outro seco entre os meses de abril a setembro. Durante o segundo período há uma deficiência na disponibilidade hídrica principalmente das comunidades da zona rural, agravada principalmente por fatores que envolvem desde a má conservação do solo, por utilização de técnicas que incentivam a degradação, como a compactação do solo e o desmatamento desordenado, à má distribuição das chuvas, que se concentram somente num período do ano”, resumiu Divaldo.

 

Em seguida, Divaldo Rezende, apontou a situação na região sudeste do Estado. “Esse quadro se agrava ainda mais, no sudeste do Tocantins, principalmente por ser a região onde são registrados os menores índices pluviométricos e nos últimos anos vêm sendo castigada por períodos cada vez mais longos de estiagem. Tudo isso tem acentuado o regime de intermitência dos pequenos rios e ribeirões da região, fazendo-se necessária, nessa época do ano, intervenções do governo com medidas emergenciais para socorrer a população e pequenos animais com abastecimento de água com caminhões pipas, construções de cacimbas e cisternas nas propriedades rurais”, lembrou o secretário.

 

Então o secretário da Semades avaliou a solução apresentada pelo projeto. “Nesse sentido, o projeto barraginhas desenvolvido pela Embrapa, que consiste na construção de pequenas estruturas de contenção de águas das chuvas (enxurradas) por represamento, apresentou-se como uma boa alternativa na tentativa de amenizar esse quadro. Porque esse sistema força a recarga das reservas subterrâneas e armazena água de boa qualidade no solo, por meio da infiltração ocorrida durante todo o período chuvoso do ano. Grandes estudiosos afirmam que isso ameniza os efeitos das secas e veranicos em lavouras localizadas em partes úmidas de baixadas, o que permite o plantio de pomares, hortas e canaviais nas partes baixas das barraginhas. E essa iniciativa gera renda, emprego, sustentabilidade agrícola e o fortalecimento regional”, concluiu Divaldo Rezende.

 

A coordenadora de Revitalização de Bacias Hidrográficas da Semades, Poliana Ribeiro, reforçou algumas soluções apontadas por estudiosos desse processo. “Além da elevação de nível do lençol freático, por maior tempo de umidade dos solos de baixada e diminuição dos efeitos de enchentes, essa tecnologia é útil para regiões onde a chuva provoca danos ao solo e em regiões semiárida, onde a escassez de chuvas traz problemas socioeconômicos às comunidades. E com base em estudos de grandes especialistas, esse processo tende, num primeiro momento, a frear a degradação do solo, evitando a desertificação e num segundo momento, revitalizar mananciais, nascentes e córregos, propiciando principalmente aos agricultores familiares alternativas de geração de trabalho, renda e diversificação do sistema produtivo local com sustentabilidade ambiental e econômica”, comentou Poliana.

Visita Técnica

Desde o último dia 3 de dezembro, uma equipe composta por técnicos da Semades e do Ruraltins percorreram a comunidade quilombola Água Branca, no município de Conceição do Tocantins, onde foram realizadas as primeiras demarcações e também iniciadas as obras da construção das primeiras barragens.  Na região, serão beneficiadas em especial as comunidades quilombolas e pequenos produtores rurais de ambos os municípios, mas antes de iniciar o trabalho em campo, os técnicos participaram de uma capacitação para o acompanhamento e fiscalização das obras.

Obra

Cada construção se divide em duas etapas, o referenciamento da área onde ocorre o escoamento das águas da chuva e a abertura de piscinões onde serão contidos os volumes de água da enxurrada.  Cada unidade terá cerca de 1,80m de altura x 20m de diâmetro. O projeto prevê, inicialmente, o investimento de R$ 500 mil, provenientes do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FERH) na construção de 480 unidades para atender na região de Conceição do Tocantins, onde podem ser encontradas as comunidades quilombolas, Água Branca e Matão, além de pequenos produtores e em Paranã que também irá atender aos mesmos critérios.

A fase de execução

Nessa fase do projeto estão envolvidos técnicos da Semades e do Ruraltins de Palmas, bem como das regionais do Ruraltins dos municípios de Arraias, Conceição do Tocantins, Taguatinga e Paranã. (Assessoria)