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Roberta Tum

Roberta Tum


roberta.tum.9 @robertatum
Colunista do editorial Minha Opinião

Análise
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Amastha continua sendo... Amastha: nada diferente do que prometeu

Primeira semana do ano foi marcada pela polêmica em torno do aumento do IPTU. Vereadores de oposição barraram o ajuste na Planta e toda a população está sujeita a pagar aumento: não precisava
- Atualizada em
Amastha comenta aumento do IPTU Foto: Júnior Suzuki

Assisti nos primeiros dias do ano a controvérsia dos dias finais de 2016, tomando conta da discussão política e do bate boca das redes sociais em torno de duas coisas, entrelaçadas: o fato da oposição na Câmara ter conseguido adiar a votação do projeto que revê a Planta de Valores Genéricos de Palmas, baixando e retirando percentuais de redução dos impostos em várias quadras da cidade, e o reajuste no IPTU, via decreto, pelo prefeito Carlos Amastha, no dia 31.

 

Ninguém está feliz com um reajuste de 25% - somando todos os índices inflacionários dos últimos três anos - no IPTU de toda a cidade. Nem tem como estar, mas algumas coisas que vi neste fim de ano, dão o que pensar.

 

 

A loja que eu amava visitar para comprar vestidos floridos, perto da Droganita, fundos da JK, fechou. Vou evitar dizer o nome para não constranger os donos. Antes dela, a do lado, que vendia malas, já tinha fechado.

 

Primeira semana do ano fui ao Shopping Capim Dourado levar as crianças, de férias, para brincar e… surpresa: outra loja, que eu amava, com utensílios para casa e decoração, quase de frente à escada rolante… fechou. No lugar dela, abriu outra, mais estilosa, vendendo outras coisas. Tomara que tenha público para isso numa crise dessas, mas enfim.

 

O fato é que Palmas, badalada como uma das 10 melhores cidades brasileiras para se viver, não escapa do momento ruim que abateu a economia nacional ano passado, e que espera-se, já esteja mudando. Desconheço uma empresa que tenha crescido na cidade, apesar da crise. Com exceção da invenção mais fantástica do Dr. Neymar Cabral, e que já ganha o mundo, indo agora para Moçambique, o Medical Help.

 

A retração do comércio, a queda nos repasses de fundos federais, tem tudo a ver com a ginástica feita pela gestão para manter a cidade funcionando como é preciso. Assistindo à polêmica do IPTU que subiu (e que provavelmente vai custar mesmo os pouco mais de 6% do ano passado a mais, diante da reação de diversos segmentos) fico analisando a hipocrisia de alguns. Os mesmos que defenderam o aumento absurdo da Planta de Valores, lá atrás, e que 9 entre 10 palmenses já sabiam que estava acima do valor de mercado.

 

“Ah, mas tem os redutores”, dizia - naquela época - um dos vereadores que no final do ano, abriu guerra contra o projeto por que hoje está em posição politicamente contrária ao prefeito. Antes: argumentou, defendeu e votou. Agora: obstruiu a votação, fez campanha duvidosa nas redes sociais e está na defesa de um decreto legislativo para derrubar o reajuste do IPTU com base nos últimos índices inflacionários. Como sempre, perfeito no seu papel.

 

Aí encontro num badalado ponto de café da capital, um comunicador, também ex-amigo do prefeito, que não poupou críticas nas redes sociais agora, mas que já defendeu de tudo nos últimos anos nessa Palmas. De acordo, lógico, com a conveniência. 

 

Olhando uns e outros e comparando com Carlos Amastha, é evidente que só o prefeito continua igual. Retilíneo. Fiel ao que pensa e ao modo como age. Inclusive quando perde a cabeça no Twitter  -  como há poucos dias, chamando o presidente da OAB, Walter Ohofugi de mentiroso - por conta da nota (com dados errados) divulgada pela OAB sobre o projeto da Planta.

 

O Amastha que mandou o projeto da redução da Planta para a Câmara, mexendo nos redutores de forma a cobrar mais caro dos donos de grandes áreas - que chama abertamente de especuladores - é o mesmo que, sem mandato, já era contra a expansão do Plano Diretor. 

 

Parêntese.

 

Eu era a favor, com ressalvas. Ainda não acho justo que quem comprou lote em área irregular, por que não tinha alternativa, pague o preço da exclusão social. A cidade tem que chegar até eles, legalmente falando. 

 

Fecha parênteses.

 

O Amastha que declara guerra ao G10 e à Emsa - e nomina em entrevista à imprensa os lobistas que desfilaram pela Câmara nos 15 dias finais do ano com suas promessas e favores - não deixaria barato a desfeita de quatro vereadores que seguraram o projeto e manobraram para não votar, certos de que perderiam em plenário. E foram comemorar o prejuízo que deram ao prefeito ao não permitir o incremento na receita, que ele pretendia.

 

A alternativa do decreto é impopular. Eu, pessoalmente, detestei, mas confesso que me irrita mais passar todos os dias pela praça da 307 Norte coberta de mato, que ninguém vem aparar há meses. Ou cair no mesmo buraco depois do quebra molas, há dias.

 

E o tapa buraco já não chega com a mesma rapidez de antes. Dá vontade de ligar reclamando para o Cristian Zini. Mas sei, que desde a época do Marcílio Ávila na Seinsp, a Cidade de Palmas demitiu 1200 homens que faziam roçagem e limpeza de ruas e praças e nunca mais contratou de novo.

 

Lógico que quero a praça limpa e a grama aparada. E é lógico que quero o buraco tapado. Estou acostumada com esse padrão de qualidade. Aliás, fui acostumada de volta a ele, nos últimos quatro anos da polêmica e combatida gestão Amastha. Aprovada com a reeleição do prefeito por mais 4 anos.

 

Agora, não vejo por que tanto espanto, afinal, este Amastha é o mesmo de sempre. Vai arranjar o dinheiro para tocar a cidade, do jeito que for preciso. Se não dá com Projeto de Lei, inventa um decreto. Se não arranja dinheiro nacional para o BRT, arruma empréstimo internacional. 

 

Se não conseguiu o dinheiro da saúde com Marcelo Miranda brigando em público, já mudou de tática e recebeu as parcelas prometidas, agradecendo no Facebook e no Twitter. Só não tenho a menor dúvida de que se precisar brigar de novo, vai brigar.

 

Ele vai, ele volta, mas continua o mesmo. Defendendo as mesmas coisas. Ainda que arrepiando meia Palmas com seus métodos.

 

De minha parte, prefiro que os 10 ou os 20 homens mais ricos da cidade paguem esta diferença do IPTU no caixa da prefeitura. Eles podem mais que nós, meros mortais.

 

E que o IPTU volte aos patamares do ano passado.

 

O resto é falta de clareza, ou de informação.