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Roberta Tum

Roberta Tum


roberta.tum.9 @robertatum
Colunista do editorial Minha Opinião

Bastidores
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Com ajuste à LRF e projetos saindo do forno, Carlesse começa a governar de fato agora

Cúpula do governo aposta que enquadramento e projetos em andamento nas diversas áreas alavanque a economia do Estado, gere empregos e afaste o fantasma da crise na Saúde
- Atualizada em
Governador Mauro Carlesse

O clima de pessimismo que tomou conta do Estado com a crise provocada na Saúde pela exoneração de médicos, comissionados e redução de número de contratos entre outras medidas impopulares pode estar com os dias contados para acabar.

 

É que mesmo sem comunicar bem suas intenções e medidas tomadas nos bastidores, o governo trabalhou em silêncio para ajustar as despesas do Estado e colocar a máquina nos trilhos.

 

Os resultados deste esforço conjunto em diversas áreas devem começar a ser sentido nas próximas semanas, garantem pelo menos dois dos principais articuladores da política de governo que acontece em torno do governador Mauro Carlesse.

 

“O governador não admite que a Saúde fique como ele recebeu. A crise se tornou mais aguda sim, por que diferente de áreas onde simplesmente pagar as contas atrasadas resolvia -  a exemplo do Detran – a Saúde afeta vidas”, revelou uma das fontes ouvidas pelo portal em busca da resposta para a pergunta que muita gente vem se fazendo nos bastidores da política tocantinense: para onde vai o governo?

 

Parêntese

 

Incomodado com a repercussão da falta de médicos nos hospitais, o governador teria usado da franqueza que lhe e peculiar para mandar um recado direto a seus auxiliares na pasta: "ou resolve, ou dá licença para quem dê conta de resolver".

 

O Secretário de Saúde, Renato Jaime - contam as más línguas - passou perto da exoneração.

 

Com a contratação dos médicos com melhores salários e recondução da maioria deles (os que permaneceram no Estado), o clima parece ter amenizado na categoria.

 

Direções de hospitais importantes foram renovadas, antigos quadros substituídos e a exigência é que a crise seja contornada na próxima semana.

 

Uma das medidas que ajuda é a compra de medicamentos determinada judicialmente a empresas que não queriam mais vender para o Estado. 

 

O montante da dívida herdada com fornecedores da Saúde de 2015 ao final de 2017 é assustador. São R$ 187 milhões que serão submetidos a auditoria com a participação de representantes das empresas e Ministério Público para negociação dos débitos.

 

Do começo de 2018, até Carlesse assumir o comando da máquina eram mais de R$ 50 milhões. Destes, R$ 15 milhões foram pagos para dar um “respiro” às empresas que continuaram atendendo.

 

Fecha parêntese.

 

Num ano atípico, com uma cassação e duas eleições, os dispositivos legais criados para proteger a equidade da disputa impediu de cara, enxugamento da folha. Demitidos tiveram que ser recontratados por ordem judicial.

 

A saúde, justificam os homens fortes do governo Carlesse, ficou engessada por mais de 2.400 ordens judiciais. “Era um constante apagar incêndio. Recursos bloqueados judicialmente o tempo todo. Não sobrava margem para atender a imensa maioria da população, que não estava com ordem judicial para realizar cirurgias entre outras medidas”, relatam.

 

O ajuste fiscal que vai permitir ao Estado no final do primeiro quadrimestre o enquadramento oficial na LRF é resultado deste esforço. A folha de pagamento vem reduzindo desde novembro de 2018 até março deste ano.

 

O enquadramento e a classificação positiva do Tocantins permitirão a liberação de recursos para infraestrutura. Um grande canteiro de obras deve melhorar a perspectiva de emprego, renda e circulação de recursos que há muito tempo o comércio não vê na rua.

 

Agricultura impulsiona projetos São João e Manuel Alves

 

Um investimento forte nas estruturas do Projeto São João, que estavam depauperadas pela ação do tempo e pela falta de uso – muitos proprietários apenas mantiveram os lotes sem colocá-los em produção – e a retomada de lotes reservados apenas para especulação, promete dar resultados.

 

Uma gestão mais efetiva também no projeto Manuel Alves, que hoje já tem farta produção de banana irrigada, deve movimentar a exportação de frutas para o Nordeste. Um impulso nessa comercialização é esperado, especialmente com a instalação de um vôo cargueiro para Recife, mercado importante do Nordeste. Esta linha que não existia, já está em vias de implantação a partir do barateamento do custo do querosene para aviação.

 

Redução de custos com pessoal envolve aproveitamento de jovens estagiários

 

Outra boa notícia é que o governador só aguarda a chegada do presidente da Fieto, Roberto Pires, para assinar um termo de cooperação que contratará cerca de 3 mil estagiários para atendimento ao público nas estruturas do governo do Estado. Gente jovem, bem treinada, capacitada, e que ganhará a oportunidade de uma primeira inserção no mercado. Esse contingente de trabalhadores de primeiro emprego não pesará encargos na folha de pagamento. Solução inteligente e de impacto social muito positivo.

 

Com a estrutura mais enxuta, e a meta de enquadrar o Tocantins com ações de gestão impopulares mais consideradas absolutamente necessária pelo comando do Palácio Araguaia, o governo quer ter resultados favoráveis para apresentar até o final do ano.

 

Os remédios amargos já foram aplicados. Entre eles o congelamento das progressões até a retomada do crescimento do Estado.

 

Um passivo que restará para ser negociado depois com os servidores, que em sua maioria apoiaram o governador e se sentiram traídos pelas medidas.

 

“Ele teve muita coragem. Resta ver os resultados dessas medidas. Se conseguir colocar o Tocantins nos trilhos, isso gradativamente será um impacto a ser absorvido”, me confidenciou um deputado federal esta semana.

 

A expectativa é grande de um governo para todos os tocantinenses. O exercício que resta ao governo Carlesse é conseguir fazer isto informando seus passos à sociedade tocantinense, tão ávida por boas notícias.

 

Se virar esta página de tantas dificuldades, o governador tem chance de entrar para a história como aquele que enfrentou os problemas modernizando a máquina administrativa. 

 

A torcida é grande para que o otimismo suceda esse começo atribulado. O Tocantins merece que as boas expectativas se realizem.