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Roberta Tum

Roberta Tum


roberta.tum.9 @robertatum
Colunista do editorial Minha Opinião

Análise
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Com Siqueira candidato e Marcelo indefinido, Vicentinho lança Dimas e protagoniza

Muitos lances na política tocantinense começam a acontecer depois que Siqueira define candidatura ao Senado pelo Democratas: Vicentinho se afasta de Miranda e abre possibilidade de três chapas fortes
- Atualizada em
Vicentinho Alves, Marcelo Miranda e Ronaldo Dimas Da Web

As jogadas de xadrez da política tocantinense estão cada vez mais interessantes…

 

É o que se lê depois de uma semana de movimentações que dão o que pensar.

 

A afirmação da candidatura ao Senado do ex-governador Siqueira Campos, com sua anunciada filiação ao Democratas, a pré-campanha de Carlos Amastha a todo vapor nas ruas, e especialmente a indefinição do PMDB em assumir publicamente a candidatura à reeleição do governador Marcelo Miranda provocaram efeitos colaterais no grupo que se desenhava ao lado do governador.

 

Senão vejamos…

 

Vicentinho lançou Dimas oficialmente pré-candidato ao governo pelo PR, num movimento que aliados do prefeito podem ter considerado precipitado ou inoportuno, mas que coloca a possibilidade real de uma terceira chapa, independente da vontade do Palácio, ir às ruas com potencial chance de disputa, ano que vem.

 

Ronaldo Dimas quer uma candidatura a governo. Seus movimentos demonstram isso. Mas Ronaldo Dimas prefeito, ainda não precisa se posicionar em oposição ao governo. Ou precisa? Isso só favorece, neste momento, o próprio senador Vicentinho -  entendem aliados que esperavam o carnaval passar e o ano eleitoral efetivamente começar para então colocar ou não o time em campo.

 

Os fatos envolvendo Vicente pai e Vicente filho na base governista, à qual nunca se integraram totalmente, mostravam já uma dificuldade de integração. Primeiro Vicentinho Jr. trombou com a vice-governadora Cláudia Lelis, tomando uma prefeita do PV no Bico. Cláudia reagiu, reclamando para os dois: Vicentinho Jr e Marcelo Miranda, sobre o ocorrido. Sem papas na língua, reclamou também num encontro com jornalistas na sua casa. E deu o recado: não é assim que se faz política de grupo.

 

Cena seguinte: Vicente Jr. reclama das investidas da deputada federal e primeira-dama Dulce Miranda no Bico. Vicentinho pai entrega o cargo da delegada de ensino de Porto Nacional, que era indicação sua.

 

O caminho feito pelo PR, em lançar candidato a governador e senador não é um caminho sem volta, mas demonstra que se Miranda ainda não sabe se vai à reeleição ou ao Senado, Vicentinho sabe que vai ao Senado, e quer na cabeça de chapa um candidato ao governo com chance.

 

Nos bastidores, no entanto, a pergunta que não quer calar é: quem bancará essa campanha? Já que é sabido que o senador não tem o hábito de colocar dinheiro de seu patrimônio pessoal e familiar em campanha. Ronaldo Dimas muito menos. A verdade é que Dimas vinha esperando ser aclamado como o candidato dos grupos políticos tradicionais com melhores condições de vencer Carlos Amastha.

 

O lançamento de Dimas coloca em alerta o “pacote Araguaína”, que era dado como certo em torno de Marcelo Miranda até semana passada.

 

Um exemplo claro é o deputado federal César Halum. Este, que teria lugar certo na chapa de Amastha, meio que desdenhou a fala do prefeito a este portal, quando o apontou como um excelente nome para o Senado. Halum fez o caminho de proximidade com Miranda, mas pode não estar muito satisfeito com a escolha diante do cenário atual. Ontem por exemplo, no badalado reencontro histórico de Marcelo e Eduardo, César Halum chegou, ficou pouco tempo e foi embora discreto.

 

Fontes do portal asseguram que Halum teria sido sondado para ser primeiro suplente do velho Siqueira, e espanado com a ideia.

 

Ficar ao lado de Dimas e Vicentinho para César é impensável, uma vez que Governador e senador de Araguaína, numa mesma chapa, é das coisas que a política tocantinense não permite, com tanto voto espalhado pelo Estado.

 

Prevejo dificuldades também para Lázaro Botelho colocar seu destino político nas mãos de um adversário histórico, já que o cabeça de chapa é quem comanda a eleição.

 

Com a palavra, o PMDB

 

Ouvindo amigos do PMDB - alguns comemorando a expulsão da Senadora Kátia Abreu como um troféu - outro dia, eles reclamavam da inanição do partido em se posicionar. O questionamento era: Marcelo é ou não candidato à própria reeleição. Se não for, terá que explicar por quê. Afinal, se um governo vence seus desafios não tem por que seu líder maior não intencionar prosseguir. Se fracassa, não tem o que dizer no palanque nem como virtual candidato ao Senado. É como se fosse uma obrigação de Marcelo se posicionar e dar norte ao partido. Ou o contrário: o partido ir a campo colocar suas possibilidades.

 

Para onde vai o PMDB? “Tem que primeiro sair do Tabocão”, ouvi de uma liderança importante peemedebista…

 

O fato é que ou governador dá o tom do processo, ou outros darão.

 

Hoje ninguém duvida de que Carlos Amastha é candidato, e de que Kátia Abreu é candidata.

 

Qual o futuro das pré-candidaturas de Dimas, Carlesse, Paulo Mourão, Ataídes, Marlon? O futuro dirá.

 

Parênteses: na mesma semana em que o PT do Tocantins lançou Mourão como seu pré-candidato, a ex-presidente Dilma foi às redes se solidarizar com Kátia Abreu, pela expulsão do PMDB, partido com quem comprou a briga de Dilma - e do PT de Lula - ao se posicionar contra o Impeachment.

 

A ex-presidente chegou a dizer que o Tocantins terá como homenagear Kátia devidamente nas urnas em 2018.

 

O que se vê daqui, ainda meses distante da próxima eleição, é que podemos tranquilamente caminhar com três candidaturas de peso ao governo do Estado, dividindo os votos e talvez provocando o primeiro segundo turno da história política do Estado.

 

Quem viver verá. Mas promete ser cena de cinema. Com direito a pipoca e guaraná.

 

P.S: E que ninguém se engane com suposta aproximação de Marcelo e Eduardo Siqueira. Se o filho quisesse estar no mesmo palanque que o PMDB, teria que enfrentar o Pai, que não quer. Aliás, nenhum dos dois pais querem. Nem o Velho Brito, nem o Velho Siqueira. E ponto final.