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Roberta Tum

Roberta Tum


roberta.tum.9 @robertatum
Colunista do editorial Minha Opinião

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Mulheres reagem a adjetivos de Ataídes contra Cinthia: novela não termina

Ataídes usa adjetivos pesados, pessoais e inapropriados para desabafar sua mágoa contra Cinthia
- Atualizada em
Cinthia e Ataídes antes do rompimento Da Web

Tenho lido muita coisa nos últimos dias envolvendo a disputa entre o ex-senador Ataídes Oliveira e a prefeita de Palmas, Cinthia Ribeiro.

 

A mais recente foi uma nota do Estadão, repercutindo a reação das mulheres do PSDB Nacional contra o processo que o ex-senador move contra a prefeita.

 

Antes dela, um post nas redes sociais, de um ex-servidor da prefeitura, exonerado, acusa a prefeita de ter o perfil de traidora dos mais próximos amigos que a ajudaram.

 

Dá o que pensar. E o primeiro pensamento que me ocorre é: se fosse homem, Cinthia estaria ouvindo (ou lendo) metade das críticas que têm sido feitas contra ela em veículos e nas redes?

 

Dificilmente.

 

A segunda pergunta que me faço. Se fosse casada - o que ainda não é, embora seja conhecido seu noivado com Eduardo Mantoan – estaria também sujeita a tantos impropérios públicos contra sua pessoa? Homens costumam atacar mulheres acompanhadas de outros homens a quem eles temem ou respeitam?

 

Ou mudando o foco. Fosse João Ribeiro vivo, Ataídes, ou qualquer outro no lugar dele, atacaria Cinthia com os adjetivos que ele utilizou, sendo o mais gritante a alcunha de “psicopata”?

 

Pode-se entender perfeitamente a mágoa do senador, que perdeu o apoio público da prefeita na última semana de campanha. Mas beira a infantilidade atribuir sua derrota na disputa eleitoral que tinha duas vagas ao Senado, pela retirada do apoio da prefeita da Capital...

 

Assim como é perfeitamente compreensível que Cinthia Ribeiro tenha cansado de esperar de Ataídes a retirada do processo que ele lhe movia de expulsão no PSDB Nacional.

 

Dizer que Cinthia nunca foi votada diretamente é uma forma de desqualificá-la. O mesmo argumento não cabe para o ex-senador, que assumiu o mandato diante da morte do saudoso João Ribeiro?

 

E olha que não se pode retirar de Ataídes o mérito de ter trabalhado muito nos anos de mandato que ganhou de presente por obra de uma fatalidade. Foi assíduo nas sessões, foi participativo nas comissões. Foi capaz de articular com sucesso a liberação de recursos para os municípios que abraçou como base sua. Perdeu a eleição por que enfrentou dois adversários mais hábeis que ele. Mais articulados. Afinal um é Eduardo Gomes e o outro é Irajá Abreu.

 

Quando se olha para a trajetória de Cinthia Ribeiro, também é forçoso entender que ela tem méritos. Não foi lhe entregue a vice de bandeja. É sabido que o senador tentou emplacar antes dois nomes: um deles o do advogado Juvenal Klayber, e o outro de um parente próximo seu. Nenhum dos dois aceito pelo então candidato a reeleição, Carlos Amastha.

 

Desafetos da prefeita, que fizeram parte do grupo ligado ao ex-prefeito, ruminam contra ela todos os tipos de acusações. Que foi ingrata. Que não apoiou Amastha como deveria nas duas eleições que ele disputou ano passado. Que não abriu os cofres da prefeitura para bancar a campanha. E que, no final, não manteve o secretariado de Amastha.

 

Ora, vamos pensar bem. Se não utilizou a máquina na campanha, foi isenta, absolutamente correta. Se não usou de esquemas financeiros na prefeitura para beneficiar candidatura, agiu rigorosamente dentro da lei. E se escolheu trocar os auxiliares, agiu como prefeita de fato e não como um mero fantoche.

 

Há que culpá-la por exercer seu mandato como acha que deve para finalmente ter o que apresentar de seu numa futura eleição? E melhor: se fosse um homem fazendo isso, alguém estranharia?

 

Não. Cinthia não paga o preço de ser “traidora”, quando é desqualificada pessoalmente. Paga o preço de ser mulher. Solteira.

 

E mais: psicopatia é um traço de personalidade ligado a pacientes que sofrem transtornos mentais. Tornou-se usual utilizá-lo hoje em dia como antigamente se usava “retardado”, para desqualificar alguém. Uma alcunha de profundo mau gosto. Primeiro por não refletir a realidade. Segundo por ser extremamente preconceituosa com doentes que carregam patologias que não escolheram carregar.

 

A reação das mulheres do PSDB ao estilo “mexeu com uma, mexeu com todas” é perfeitamente compreensível.

 

Pode ser que o PSDB nacional veja motivos nas queixas do ex-senador Ataídes para desligar a prefeita da Capital dos seus quadros. Pode ser que não. Se não tiver respaldo para permanecer no ninho tucano, o que não faltarão à prefeita são partidos fortes para lhe dar guarida e abraçar o projeto de reeleição.

 

O que sobra dessa novela que não termina é o amargo gosto na boca de que Ataídes pesou a mão e excedeu-se de forma infeliz no desabafo. Passou recibo de um machismo inaceitável nos dias atuais.

 

Poderia degladiar-se com a prefeita, com quem já teve excelente relação, sem descer ao nível que desceu. Seria mais elegante e apropriado fazer outros questionamento.

 

Já a turma do ex-prefeito Amastha, que foi às redes sociais atribuir super poderes à prefeita, dá sinais de uma crise que os dois evitam propagar. Empregos vem e vão. Muitos dos que hoje criticam Cínthia correm o risco de estar no mesmo palanque que ela ano que vem. Pedindo votos para prefeita e para vereador.