Palmas, Tocantins -

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Roberta Tum

Roberta Tum


roberta.tum.9 @robertatum
Colunista do editorial Minha Opinião

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Na hora da virada, Amastha se despede dos palmenses entre aplausos e lágrimas

Prefeito de Palmas ousa numa festa popular na zona Norte da cidade, quebra preconceitos e deixará uma cidade renovada para a vice, Cinthia Ribeiro administrar
- Atualizada em
Amastha recebe elogios de cantor e se emociona em reveillon na Praia das Arnos Fernando Cardoso

Midiático. Emotivo. Temperamental e vaidoso.

 

Realizador. Ousado. Corajoso e visionário.

 

Qualquer dos oito adjetivos acima cabe bem no perfil do empresário, político, quase ex-prefeito de Palmas, Carlos Enrique Franco Amastha.

 

Antipatizado por uns, idolatrado por outros, Amastha teve a ousadia de fazer do reveillon deste ano na Zona Norte da cidade -  em “My Arnos Beach” - o palco de sua despedida da prefeitura da Capital, diante de um público estimado pela prefeitura em cerca de 50 mil pessoas.

 

Numa época em que político não se arrisca a abrir show, temendo vaias, o prefeito foi ovacionado. Falou por mais de 30 minutos, brincou com o público, se despediu no sexto reveillon que faz na cidade (o primeiro promoveu quando já estava eleito e Raul Filho permitiu que ele organizasse a festa).

 

“Cumpri meus compromissos, vou agora para outros desafios”, disse ele que entregará no começo de abril, praticamente dois anos de mandato pela frente nas mãos de Cinthia Ribeiro, viúva do saudoso senador João Ribeiro, passando o comando da cidade ao PSDB.

 

As lágrimas não faltaram no final. E nem se pode dizer que são falsas, pois é do perfil do colombiano naturalizado brasileiro, expor livremente suas emoções. Seja de raiva, alegria, ou paixão pela cidade que não cansa de dizer que é ä mais linda do Brasil”.

 

De um Zezé di Camargo, que cantou em dupla com seu irmão Luciano (e que tem sido avesso à política) só ouviu elogios.

 

A praia lotada, as pessoas descendo de suas casas a pé para o show; A iluminação de Led; 15 minutos de queima de fogos e todo o clima de Paz da passagem de ano atestam que a decisão, polêmica,  foi acertada.

 

Sua oposição diz que o público foi menor que o esperado. Usa cálculos atribuídos à Polícia Militar, mas  está difícil negar que a opção por quebrar o paradigma de fazer uma festa popular numa região periférica da cidade, porém formada por pioneiros e trabalhadores, foi um absoluto sucesso.

 

Nenhum celular roubado. Nenhuma briga. Uma única ocorrência, provocada por um bêbado ao volante.

 

A passagem do ano nas Arnos com Show de Zezé de Camargo foi emblemática.

 

Se coube ao então prefeito Eduardo Siqueira Campos criar as três primeiras quadras - Arno 31, 32 e 33 - distribuindo lotes e acabando com a invasão que aconteceu próxima dali no início dos anos 90, coube a Amastha resgatar a região e acabar com o preconceito de que as Arnos são quadras violentas, onde não se pode arriscar um evento para o grande público.

 

Fora isso, a cidade inteira respirou boas opções. Quem foi para a Graciosa se divertiu sem problemas. O Coronel’s, a boate Wood’s, a festa da AABB e tantas outras mostraram uma Palmas pujante, que de fato vive tempos de luz.

 

A autoestima do palmense passeou linda também nos parques da cidade no primeiro dia do Ano. Cesamar e Parque Indígena lotados. Gente praticando esportes variados.

 

Esta é uma herança que Cinthia Ribeiro receberá com a imensa responsabilidade de não deixar a peteca cair. Evidente que não administrará sozinha, mas tem sob os ombros, o peso de fazer dar certo para politicamente, não comprometer o projeto do prefeito que deixa a capital para buscar o governo.

 

Gostem dele, ou o detestem, simpatizantes e adversários não podem negar o que a cidade ganhou estes anos todos.

 

Carlos Amastha vai às urnas, de fato. Não tem volta. 

 

Provocará uma discussão adulta, que trará à tona suas qualidades e defeitos, como as que elenco no começo deste texto, mas o pré-candidato do PSB não pode mais ser ignorado.