Palmas, Tocantins -

Minha Opinião

Ver comentários
Roberta Tum

Roberta Tum


roberta.tum.9 @robertatum
Colunista do editorial Minha Opinião

Análise
1.227 visualizações

Nos ares de um ano de eleição obrigatoriamente mais barata e diferente...

Ano eleitoral traz limites de gastos bem abaixo do que políticos tocantinenses estão habituados a usar. Muitos fiscais no meio do povo tendem a impedir o gasto com cabos eleitorais e lideranças...
- Atualizada em

Janeiro entrou com ares do mormaço de um mês de inverno, com pouca chuva e muito sol no Tocantins.

 

Sem as casas legislativas funcionando, com muita gente ainda de férias, especialmente os políticos, a impressão é de que tudo ainda está por começar. Só que não.

 

Dois dos candidatos mais fortes ao governo do Estado já colocaram o time em campo. A senadora Kátia Abreu, que está em pré-campanha desde o ano passado. E o prefeito Carlos Amastha, de Palmas, que deixou o Executivo para assumir a Frente Nacional dos Prefeitos e que rodará o Estado em três sequências de 14 dias.

 

Marcelo Miranda, candidato natural ao governo, viaja pela Europa. Ronaldo Dimas está às voltas com a administração de Araguaína e virou piada entre os adversários.

 

Ainda tem Mauro Carlesse, presidente da Assembleia, que colocou o nome na disputa e está em recesso, preparando baterias para quando tudo voltar a girar.

 

Enquanto isso, os mais adiantados, montam planilhas de custos e fazem planejamento de campanha. A esta altura é fundamental prever como fazer diante do orçamento reduzido, que a limitação de gastos imposta pela legislação impõe.

 

Conversando com o pré-candidato ao Senado, Eduardo Gomes, dia destes, ele me lembrava que esta será a eleição mais fiscalizada de todas. “Em toda cidade que eu vou, nessas inaugurações, exposições agropecuárias, eventos, shows, você pode notar uma coisa: a pessoa pode não ter muita coisa, mas tem um smartphone. Ou seja: qualquer coisa errada ou fora da lei que o candidato fizer, tem uma câmera perto dele para filmar e fotografar”. 

 

Se incentivados ainda pela Justiça Eleitoral, cidadãos anônimos podem fazer uma diferença enorme nesse processo eleitoral.

 

E quais são os limites?

 

Pela margem do eleitorado em que o Tocantins se encontra, será R$ 4 milhões e 900 mil reais para o candidato a governador, R$ 2 milhões e meio para cada senador. O que totaliza menos de R$ 10 milhões para a chapa majoritária completa.

 

Só para se ter uma ideia, Sandoval Cardoso gastou mais de R$ 12 milhões na última eleição ao governo, contra Marcelo Miranda, que declarou ter gasto algo em torno de R$ 8 milhões.

 

Nas últimas eleições em Palmas, por exemplo, o teto máximo de gastos para cada candidato era de R$ 5 milhões e 800 mil.

 

Um conta básica para uma campanha majoritária inclui produtora (um dos custos mais altos é o programa eleitoral), staff para as redes sociais, avião (a chapa majoritária não consegue rodar com agilidade o Estado todo de carro), veículos (mais combustível)para a equipe, papel (impressões de santinhos e programas de governo) e o quadro de funcionários de campanha. Para ficar no básico, já que comícios estão em desuso, cada chapa precisara fazer pelo menos cinco grandes encontros para abranger Palmas, Araguaína, Gurupi, Sudeste e Bico do Papagaio.

 

Logo se vê que o dinheiro vai ser apertado. Captar já é um problema. Gastar então, terá que ser um ato bem criterioso.

 

Os mais entendidos em campanhas tocantinenses já notaram que ficou fora da lista as habituais  “lideranças” e suas planilhas de custo, que incluíam no passado, da locação de carros de correligionários ao pagamento de cabos eleitorais. Sem falar na famosa boca de urna.

 

Além de estar fora da lei, estes gastos serão triplamente vigiados.

 

Como se vê, o ano começa impondo aos grupos políticos uma reinvenção do modo de fazer campanha. Os atrativos terão que ser outros. O que já não era sem tempo num Tocantins tão vilipendiado.

 

Para encerrar, deixo um comentário que ouvi numa roda outro dia, sobre quem terá mais influência nessa eleição: “Vale o líder, vale o prefeito, o ex-prefeito, o vereador. Mas quem pode mudar o destino dessa eleição é a Polícia Federal. Uma operação, bem intencionada ou não, e lá se vai embora toda a vantagem que um candidato ou outro tiver”.

 

Segura, Tocantins. O ano promete fortes emoções.