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Após incidente na Graciosa, menor é espancado e tem carro alvejado por militares na porta de casa

Um jovem de 17 anos, que era escoltado por viaturas da Rotam e da PM após se envolver em incidente com ambulante na Praia da Graciosa foi espancado por militares na porta de casa, após receber vários disparos no carro da família, uma Dodge Ram, na ma...
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A madrugada de sexta-feira, 15, terminou marcada pela violência para a família do menor identificado como M.C.A.J, em Palmas, que teve a porta de sua residência marcada por tiros de militares da Rotam  após cerca de 40 minutos de perseguição entre a Praia da Graciosa e a 806 Sul. O jovem de 17 anos, tem marcas provocadas por pontapés e choques, nas costas, rosto e pescoço e teria sofrido espancamento diante de casa, segundo relato da irmã Giulliane Araújo Alves que interveio aos gritos para suspender a ação. Alertados pelos disparos, vizinhos saíram para a rua e acompanharam o desfecho da cena, que terminou com a apreensão do carro.

Segundo informações da família da vítima ao Site Roberta Tum, na manhã desta segunda-feira, 18, o rapaz teria ido a Praia da Graciosa, acompanhado de um amigo, e ao passar próximo a uma movimentação na orla da praia com vários carros e sons automotivos, teria derrubado uma caixa de isopor de um ambulante. Algumas pessoas que bebiam e ouviam música no local teriam começado a atirar latas contra a caminhonete Dodge Ram que conduzia, levando M.C.A.J a estacionar mais adiante e retornar ao local para averiguar o ocorrido.

Retornando para verificar os danos

O amigo do menor que o acompanhava teria descido do veículo para verificar se teria danificado algum material enquanto M.C.A.J., estacionava o carro próximo a Náutica. Neste momento ele teria sido abordado por um policial que pediu a identidade do garoto. “Eles pediram a identidade do meu irmão, e começaram a zombar dele por ser do Estado do Pará. Disseram que ele era um playboy e que aqui a polícia é diferente. Eles também ameaçaram e agrediram meu irmão chegaram a dar tapas no rosto dele”, explicou a irmã da vítima.

Após ser abordado, os policiais determinaram que  M.C. A. J os acompanhassem até a delegacia. “Ele saiu da praia escoltado pela Rotam e por uma viatura. Ele ficou com medo das ameaças que sofreu e fugiu, foi aí que começou a perseguição”, conta Giuliane que ficou sozinha em casa com um bebê de três meses enquanto o esposo foi à Graciosa alertado pelo amigo do irmão, que teria avisado a família diante da abordagem.

Perseguição e disparos

Segundo disse a irmã do menor, mais de oito tiros desferidos pela polícia atingiram o veículo conduzido por M.C.A.J. Um dos tiros atingiu o pneu do veículo próximo a Quadra 806 Sul. Já dentro da quadra, de frente à residência da família foram disparados mais tiros e o garoto foi agredido pelos policiais com pontapés e choque no pescoço.

“Escutei o barulho dos tiros e fiquei assustada, eu não consegui sair de casa porque meu esposo deixou o portão trancado quando foi à Praia da Graciosa" contou Giulliane, "Eu bati no portão, tentei pular o muro, mas não consegui. Subi no muro e vi os policiais batendo no meu irmão e gritei falando que ele era de menor e não era assim que se tratava uma pessoa, só aí eles pararam”.

Segundo a irmã da vítima os policiais jogaram a chave de M.C.A.J pelo muro para ela sair da casa e conversar. A família afirma ter procurado a delegacia para registrar boletim de ocorrência e encaminhou o menor para realizar exame de corpo de delito. O resultado deve ser liberado dentro de dez dias.

“Meu pai deve chegar hoje do Pará para resolver essa situação. Meu irmão foi tratado como um criminoso foi ameaçado, espancado e está com medo. Isso não se faz com ninguém. Estamos inconformados”.

O outro lado

O Site Roberta Tum entrou em contato com a assessoria da Polícia Militar, para ouvir a versão do comando sobre as agressões sofridas pelo menor durante a abordagem policial. O resumo da ocorrência fala apenas em direção perigosa por parte do menor na saída da Praia da Graciosa, e informa ter havido uma perseguição e disparos. Procurada pela manhã e pela tarde ao longo da apuração da reportagem, a assessoria de imprensa da PM informou que por se tratar de caso envolvendo menor, só haverá manifestação sobre o assunto após conclusão do inquérito que apurará os fatos.