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Operação Flak
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PF prende em Palmas investigado por tráfico internacional de cocaína em aviões

Moysés Woberto Tosin Júnior foi preso enquanto almoçava em um restaurante na Praia da Graciosa, em Palmas; ele havia sido preso na primeira fase da Operação Flak, mas respondia processo em liberdade.
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Modelo de avião usado pelo grupo criminoso. Divulgação

A Polícia Federal (PF) cumpriu nesta quarta, 11, um mandado de busca e apreensão em Tucumã (PA) e um mandado de prisão preventiva expedido pela 4ª Vara Federal do Tocantins em desfavor de Moyses Woberto Tosin Júnior, um dos investigados da Operação Flok, que havia sido colocado em liberdade no último dia 18 de julho.

 

A prisão foi decretada pelo juiz federal Pedro Felipe de Oliveira Santos em razão de ameaças proferidas contra um representante de uma empresa nomeada como administradora judicial de parte dos bens apreendidos, responsável, dentre eles, por propriedade rural e rebanho. Moysés Woberto foi preso enquanto almoçava em um restaurante na Praia da Graciosa em Palmas. Ele havia sido preso na primeira fase da Operação Flak, mas respondia processo em liberdade.

 

Ele foi levado para a sede da PF na Capital para prestar depoimento, depois seguiria para exame de corpo delito no Instituto Médico Legal (IML) e na sequência para a Casa de Prisão Provisória de Palmas (CPPP).

 

Deflagrada pela PF e pelo Ministério Público Federal no Tocantins, em 21 de fevereiro de 2019, a Operação Flak investiga uma organização criminosa de mais de 40 pessoas que transportava drogas entre Colômbia, Bolívia (países produtores), Venezuela, Honduras, Suriname, Guatemala (países intermediários) Brasil, Estados Unidos e alguns países da Europa (países destinatários).



Durante a Operação, foram expedidos mandados de prisão, de busca e apreensão, assim como de sequestro, que foram cumpridos no Tocantins, no Goiás, no Pará, no Ceará, no Distrito Federal, no Paraná, em Roraima e em São Paulo.

 

O grupo era especializado em transportar cocaína, utilizando aviões de pequeno porte modificados, em grande parte das vezes, para serem abastecidos em voo, ter maior capacidade de carga e burlar a fiscalização. Estima-se que em cada voo eram transportados aproximadamente 400 kg da droga.

 

Segundo o procurador da República Fernando Antônio de Oliveira Júnior, o trabalho de investigação foi realizado em parceria com a PF.  “A investigação se iniciou ainda em 2017 e durou cerca de dois anos. Foi feita, sobretudo, por meio de interceptações telefônicas e de um trabalho meticuloso de vigilância de agentes da Polícia Federal. Por ser um esquema grande de transporte de droga, conforme os números indicam, levou um certo tempo até ligarmos todos os pontos e entendermos como o transporte internacional era realizado e por quem”.



Ao longo da Operação, foram emitidos 54 mandados de prisão, sendo que 37 pessoas foram presas, destas, duas estão no exterior. Dezessete pessoas foram consideradas foragidas e dentre essas, três estão desaparecidas devido a notícias de acidentes aéreos.

 

Muitos dos presos já foram soltos, “a maioria dos denunciados foi solta por decisões proferidas pelo TRF da 1ª Região. O líder, por exemplo, apesar de possuir várias fazendas com milhares de cabeças de gados e controlar uma frota de dezenas de aeronaves, foi solto em um habeas corpus com uma fiança de apenas cinco salários-mínimos”, relatou o procurador do caso Fernando Antônio de Oliveira Júnior.

 

 

Manifestações

Nesses seis meses da Operação, o MPF se manifestou em 21 pedidos de restituição e uso de bens sequestrados e 69 pedidos de liberdade provisória.

 

 

Denunciados 

Já foram denunciadas 43 pessoas em sete denúncias, sendo quatro, pelos crimes de associação para o tráfico (art. 35 da lei 11.343/2006) e organização criminosa (art 2º da lei 12.850/2013), divididas por núcleo de atuação na organização criminosa: núcleo operacional, núcleo dos pilotos, núcleo dos mecânicos e dos fornecedores/compradores. 

 

Outras três denúncias pelos crimes de financiamento ao tráfico de drogas (Art. 36 da Lei 11.343/2006), tráfico internacional de drogas (Art. 33 c/c Art. 40, incisos I e V, ambos da Lei 11.343/2006), atentado contra a segurança do transporte aéreo (Art. 261 do Código Penal) e ainda comunicação falsa de crime ou de contravenção (art 340 do Código Penal).

 

 

Valores

Foram apreendidas 33 aeronaves, mais de 7 mil cabeças de gado e diversos imóveis urbanos e rurais, bem como automóveis. Apenas com os voos identificados nos últimos dois anos, o grupo criminoso teria arrecadado cerca de R$ 13 milhões, mas esse valor pode ser muitas vezes maior, a considerar o tempo de toda a prática criminosa e os outros voos ainda não identificados.

 

Próximos passos

A Operação Flak é uma investigação complexa, pois envolve diversos investigados e é preciso identificar o papel de cada um dentro do esquema criminoso. Mas, apesar disso, muito já foi feito em apenas seis meses, e muitas ações ainda estão por vir, como explica Fernando Antônio, ao ser questionado sobre os próximos passos da operação: “ainda existem algumas denúncias a serem oferecidas e muito material apreendido a ser analisado. É difícil prever uma duração específica, mas o que posso falar é que o trabalho da Polícia Federal e do Ministério Público, neste caso, está apenas começando”.

 

Além disso, com o objetivo de solucionar mais rapidamente o caso, “a Polícia e o Ministério Público trabalharam em estreita cooperação com diversas autoridades internacionais, o que facilitou bastante o sucesso das investigações”, finaliza o procurador.

 

 

Íntegra das denúncias:

 

Denúncia Núcleo Compradores e Produtores

Denúncia Núcleo Mecânicos

Denúncia Núcleo Operacional

Denúncia Núcleo Pilotos

Denúncias 123, - pelos crimes de financiamento ao tráfico de drogas, tráfico internacional de drogas, atentado contra a segurança do transporte aéreo e comunicação falsa de crime ou de contravenção (Com informações do MPF-TO)

 

 

Flak é uma expressão cunhada na Segunda Guerra Mundial, deriva da palavra alemã Flugabwehrkanone, que significa arma antiaérea.