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Analista político comenta cenário das eleições 2020 e campanha em Palmas

Ele diz que Palmas necessita de um Projeto Municipal de desenvolvimento, só assim será capaz de gerar emprego e renda.
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Descrição: Marcos Milhomens arquivo pessoal

A pouco mais de nove meses das eleições municipais, não há como evitar que a tribuna parlamentar, tanto na Assembleia Legislativa quanto na Câmara de Vereadores, se torne um palanque eleitoral, o que não significa que as discussões e os debates acerca das políticas públicas fiquem em segundo plano. O raciocínio é do comentarista político e publicitário Marcos Milhomens. Em conversa com o T1 Notícias, no domingo, 9, ele considera esse viés político como um processo natural e inerente à democracia, “tendo em vista que as discussões de forma civilizada acontecem nos parlamentos”.

 

“Se um vereador que está no seu terceiro ou quarto mandato, por exemplo, é extremamente legítimo que ele pleiteie ser prefeito e coloque na ordem do dia as discussões sobre a sucessão eleitoral em plenário; que, aliás, é um ambiente sagrado e berço democrático”, defende.

 

 

Na sua avaliação, o candidato a prefeito não pode ser difuso às ideias de um novo perfil de eleitor que surge e sugere aos postulantes ao Paço este ano que apresentem projetos e ideias claras, sob pena de terem suas candidaturas ameaçadas já no nascedouro, “porque o eleitor é exigente no que tange a programas que venham atender às suas necessidades mais prementes”.

 

 

Para Milhomens, esse cenário que se avizinha faz parte também do processo democrático e que é mais uma ferramenta que passa a contribuir para o eleitor fazer sua aferição. No seu entendimento, democracia não é um regime de concessão, “é um estado de consciência, de conquistas e lutas; agora, o eleitor tem que saber mensurar se o candidato que ajudou a eleger no passado merece ser reeleito e se ele cumpriu bem o seu mandato dentro daquilo que propôs em campanha”.

 

 

“A gente tem que parar de demonizar a política, de achincalhar a política, de malversar a política”, especula ele, para quem não existe saída para qualquer problema social que não seja pela política. “O que de fato legitima a democracia é o processo eleitoral, é o povo indo às ruas votar e sendo agente participativo desse processo. Se a escolha foi mal feita, cabe ao próprio eleitor compreender que seu voto vale muito e mudar nas próximas eleições", emenda.

 

Palmas

 

Sobre Palmas, o comentarista político acha que a cidade precisa de um candidato que esteja preparado, que tenha história, que tenha serviço prestado e que tenha laço, relação com a cidade. “Temos que deixar de apostar em estagiários, em candidatos camicases, esses que se caracterizam como "salvadores da pátria" isso é tudo conversa fiada; nada contra os estagiários, mas a cidade de Palmas não pode mais esperar” pontua.

 

 

Na sua análise, a Capital precisa de um Projeto Municipal de Desenvolvimento, que seja embasado na geração de emprego e renda, que fomente o processo de industrialização do município. E considera que esse processo passa, impreterivelmente, pela iniciativa privada, porque, segundo afirma, é ela que fomenta a economia. Milhomens cita como exemplo de incentivos a recente medida do governo estadual prorrogando até 2021 o diferencial da alíquota do ICMS, com desconto de 75%, beneficiando milhares de empreendedores em todo estado. 

 

Uma articulação encabeçada pelo vice-governador Wanderlei Barbosa e pelo presidente da Associação Comercial e Industrial de Palmas (Acipa), Joseph Madeira, empresário que emprega na Capital mais de 1.280 colaboradores.

 

“Nossos empresários já "matam um leão por dia", então quando há sensibilidade de governo no que tange a políticas de incentivo fiscal, todos ganham”, afirma Milhomens ao garantir que a política resolve os problemas, sim, “quando feita com compromisso e espírito público e a iniciativa privada é imprescindível nas discussões políticas deste ano”, sustenta.

 

Destaca que só a geração de emprego e renda é possível resgatar a dignidade do povo ao citar que, hoje, em nível nacional existem 38 milhões de brasileiros na informalidade.

 

 “É a primeira vez na história que nós temos um número maior de comerciantes informais do que formais nas relações de trabalho. Isso é uma tragédia. Não há precedente histórico no mundo, pós-guerra, em que um país que precariza a mão-de-obra do trabalhador tenha conseguido qualquer êxito econômico”, explica o comentarista político.

 

 

Pelos seus cálculos, hoje, 100 milhões de trabalhadores brasileiros sobrevivem com pouco mais de R$ 400 por mês. “A maioria do nosso povo está fazendo bico, tentando sobreviver e sustentar sua família aos trancos e barrancos e isto é um problema que só a política pode resolver", comenta, acrescentando que uma política de geração de emprego e renda depende também de uma reforma tributária e de um novo pacto federativo, “que vão dar uma sobrevida econômica e financeira aos estados e, principalmente, aos municípios, e consequentemente beneficiar o setor produtivo e empresarial”.  

 

 

E observa que no Brasil, atualmente, existem 14 milhões de desempregados, 38 milhões na informalidade, 65 milhões de brasileiros estão com nome negativado no SPC e no Serasa e 11 mil indústrias fecharam as portas nos últimos três anos.