Palmas, Tocantins -

Política


Operação Reis do Gado
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Com 280 homens PF cumpre mandados em Palmas para conduzir Miranda e prender Leão

A Polícia Federal desembarcou ontem na Capital, avião próprio com reforços para executar mandados de busca de documentos, condução coercitiva e até de prisão temporária investigando lavagem de dinheir
- Atualizada em
Descrição: PF cumpre mandados na casa do governador Foto: Reprodução

A Polícia Federal deflagra a terceira operação em Palmas nos dois últimos meses em Palmas, desta vez com mandado de busca na residência do Governador Marcelo Miranda (PMDB), do seu pai, Brito Miranda, condução coercitiva para que o governador preste depoimento e, ainda, mandados de prisão temporária, entre os quais, para o secretário de Infraestrutura do Estado, Sérgio Leão. O advogado do governador neste caso é Solano Donato.

 

Mandados

Há mandados de condução coercitiva contra o governador Marcelo Miranda, contra seu pai, Brito Miranda, e contra sua irmã Maria da Glória Carvalho Miranda. Também há mandados de prisão temporária contra o secretário de Infraestrutura Sérgio Leão e Júnior Miranda (Brito Júnior), irmão do governador.

 

Os policiais começaram a atuar na madrugada desta segunda-feira, 28, e a Polícia Federal divulgou na primeira hora da manhã um release explicando tratar-se de investigação sobre compra e venda de gado como forma de lavar dinheiro obtido de forma ilícita. Confira as informações da PF na íntegra:

 

PF deflagra Operação Reis do Gado

A Polícia Federal deflagrou, nesta segunda-feira (28), a Operação Reis do Gado, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa que atuava no Estado do Tocantins praticando crimes contra a administração pública e promovendo a lavagem de capitais por meio da dissimulação e ocultação dos lucros ilícitos no patrimônio de membros da família do governador do Estado.

 

Participam da operação cerca de 280 policiais federais. Ao todo estão sendo cumpridos 108 mandados judiciais expedidos pelo STJ sendo, 8 mandados de prisão temporária, 24 de condução coercitiva e 76 de busca e apreensão nas cidades de Palmas e Araguaína no Tocantins, Goiânia/GO, Brasília/DF, Caraguatatuba/SP Canãa dos Carajás, Redenção, Santa Maria, São Felix do Xingu e Sapucaia/PA.

 

A investigação apontou um esquema de fraudes em contratos de licitações públicas com empresas de familiares e pessoas de confiança do chefe do executivo estadual, que teria gerado enorme prejuízo aos cofres públicos. As autoridades identificaram, até o momento, um montante de mais de 200 milhões de reais efetivamente lavados. 

 

A ocultação do dinheiro desviado ilicitamente era feita por meio de transações imobiliárias fraudulentas, contratos de gaveta e manobras fiscais ilegais dentre os quais a compra de fazendas e de grandes quantidades de gado. Parte do valor teve por destino a formação de caixa dois para campanhas realizadas no Estado.

 

Chamou atenção dos policiais o volume de algumas transações financeiras do grupo que, pela sua desproporcionalidade, denotam claramente a intenção de dissimular as vultosas movimentações ilícitas do grupo. Em um dos casos foi identificada um contrato de compra de gado cujo volume, segundo a perícia realizada, não caberia sequer dentro da propriedade onde pretensamente deveriam se encontrar o rebanho. Essa técnica foi apelidada pelos investigadores como “Gados de Papel”.

 

Em outro caso, um contrato de prestação de serviços entre o governo e uma empresa de transportes aéreos alcançou valores tão exorbitantes que, sendo dimensionadas em horas de voo, obrigariam os aviões a serem abastecidos no ar para que se pudesse suprir o valor integral do contrato. 

 

Os investigados responderão pelos crimes de lavagem de dinheiro, peculato, corrupção passiva, fraudes à licitação e organização criminosa. 

 

O nome da operação “Reis do gado” foi dado em razão dos principais investigados serem grandes pecuaristas no Estado do Pará e o gado era a destinação de grande parte do dinheiro desviado, onde se operava verdadeira lavagem de dinheiro.

 

(Com informações da PF -- Atualizada às 12h com correção)