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Após polêmica
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Em carta a embaixador, Kátia relembra a forte relação comercial entre Brasil e China

Uma crise foi deflagrada por uma série de postagens do parlamentar Eduardo Bolsonaro no Twitter, atacando a posição da China no combate ao coronavírus.
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Reprodução

A senadora do Tocantins, Kátia Abreu (PP), emitiu uma carta ao embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, nesta sexta-feira, 20, reiterando a cordialidade que existe entre os dois povos, principalmente nas relações comerciais. O documento enviado pela senadora vem após a declaração do deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, feita em uma rede social sua. Na publicação do deputado, ele afirma que a pandemia do novo coronavírus foi a forma que o país asiático encontrou para “dominar” o mundo. 

 

Na carta a Wanming nesta sexta-feira, Kátia afirmou que “mais fortes que eventuais palavras impensadas e inconsequentes são os princípios de sinceridade, efetividade, afinidade e boa-fé” que unem Brasil e China. “Como Senadora da República e como cidadã brasileira, quero dizer que ninguém poderá sabotar a grande união dos povos da China e do Brasil”, garantiu a senadora tocantinense.

 

Kátia Abreu ressalta, no documento, que foi uma dezena de vezes na última década na China e que viu com meus olhos o desenvolvimento das cidades chinesas, além da aspiração do povo chinês - “exatamente como a aspiração do povo brasileiro — pela felicidade”.
 

A senadora menciona no texto, em números, a relação comercial que o Brasil tem com o país oriental, a segunda maior economia do mundo. Ela diz que agropecuária, setor que gera mais de 30 milhões de empregos diretos e que corresponde por R$ 1,4 trilhão de ganhos à nossa economia, tem a China como um dos seus maiores aliados "é responsável por US$ 102 bilhões ao ano, com superávits comerciais anuais superiores a US$ 88 bilhões. Os números mostram as conquistas notáveis da cooperação Brasil-China por meio da Agricultura” pontuou.   

 

 

Kátia diz, ainda, que mais de 80% da soja produzida no Brasil é consumida pelos chineses. A soja, além da carne bovina, é um dos principais produtos de exportação do Tocantins.

 

Entenda 

 

Na quarta-feira, 18, o deputado federal Eduardo Bolsonaro endossou em seu perfil no Twitter uma postagem que responsabiliza o Partido Comunista Chinês pela pandemia do coronavírus.  A atitude do filho do presidente criou um incidente diplomático entre os dois países, que já envolve o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

 

A postagem de Eduardo foi rebatida no mesmo dia pela Embaixada da China no Brasil, também via Twitter. "As suas palavras são extremamente irresponsáveis”, escreveu o autor dos tuítes. "Ao voltar de Miami, contraiu, infelizmente, vírus mental, que está infectando a amizades entre os nossos povos", acrescentou.

 

Em sua conta pessoal, o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, fez críticas fortes a Eduardo. Além disso, pediu o apoio de Alcolumbre – que afirmou que “o Congresso Nacional repudia qualquer acusação irresponsável ao povo chinês” – e de Maia – para quem “a atitude de Eduardo “não condiz com a importância da parceria estratégica Brasil-China e com os ritos da diplomacia”.

 

O chanceler Ernesto Araújo não colocou panos quentes na discussão e disse em nota que a reação de Wanming foi “desproporcional e feriu a boa prática diplomática”. “Já comuniquei ao embaixador da China a insatisfação do governo brasileiro com seu comportamento”, acrescentou."


 

Carta da Senadora na íntegra: 


 

Venho apresentar sinceros cumprimentos e cordiais saudações ao povo chinês!

 

Como Senadora da República e como cidadã brasileira, quero dizer que ninguém poderá sabotar a grande união dos povos da China e do Brasil. Mais fortes que eventuais palavras impensadas e inconsequentes são os princípios de sinceridade, efetividade, afinidade e boa-fé que nos unem. Tenho a mais firme convicção de que o futuro das relações Brasil-China é ilimitado, está cheio de esperança, de amizade, de ganhos compartilhados e cooperação amistosa e benevolente.

 

Estive na China uma dezena de vezes na última década. Vi com meus olhos as cidades chinesas, o desenvolvimento vigoroso do país, a aspiração do povo chinês — exatamente como a aspiração do povo brasileiro — pela felicidade. Acredito que nossos países hão de realizar em sua plenitude a vocação de nações com grande projeção internacional, não como um fim em si mesmo, não como exercício de políticas de poder, mas como um instrumento do desenvolvimento e bem-estar dos seus povos.

 

Sou defensora incondicional da Agropecuária, setor que gera mais de 30 milhões de empregos diretos e responde por R$ 1,4 trilhão de ganhos à nossa economia. Mais de 80% da soja produzida aqui é consumida pelos chineses. Nossas exportações agrícolas ultrapassam os US$ 102 bilhões ao ano, com superávits comerciais anuais superiores a US$ 88 bilhões. Os números mostram as conquistas notáveis da cooperação Brasil-China por meio da Agricultura.   

 

Sr. Embaixador, transmita ao povo chinês minha solidariedade e meu apelo para que possamos seguir avançando na mesma direção neste processo de ajuda mútua, trilhando um caminho de amizade, cooperação e ganhos compartilhados com peculiaridades distintas. Como aprendi com os chineses: "uma árvore com raízes profundas dá bons frutos, uma lâmpada com óleo suficiente emana luz brilhante".

 

Atenciosamente,

 

Senadora Kátia Abreu (PP-TO)