Palmas, Tocantins -
Dívidas de R$ 1,3 bilhão
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Ex-governador Marcelo Miranda rebate afirmações de Carlesse sobre dívidas do Estado

O ex-governador afirmou que o quadro anunciado por Carlesse e sua equipe é fruto do cenário comum à maioria dos estados brasileiros, diante da situação econômica pela qual o país vem atravessando
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Marcelo Miranda teve o mandato cassado Divulgação

O ex-governador do Tocantins, Marcelo Miranda (MDB), afastado do cargo por decisão do Tribunal Superior Eleitoral, rebateu na noite de ontem, 7, declarações feitas pelo governador interino do Estado, Mauro Carlesse (PHS) e membros de sua equipe, sobre a situação financeira do Tocantins. Carlesse anunciou ontem, em coletiva à imprensa, um “caos” nas contas do Estado e uma dívida que, segundo ele, ultrapassa R$ 1,3 bilhão. “Eu quero que as pessoas saibam realmente a situação que o estado está vivendo e que fique muito claro, que o que estamos vivendo, não fui eu, nem os secretários que criamos”, afirmou ontem Carlesse, referindo-se à gestão de Miranda.

 

“É gravíssimo que esse senhor e sua equipe venham a público distorcer os dados e a realidade, em função do medo de não sair vitorioso no processo eleitoral. O desespero demonstrado pelo senhor Mauro Carlesse só prova o quanto ele não possui capacidade de administrar a máquina pública. Se minha gestão foi tão desastrosa por que ele manteve em sua equipe de primeiro escalão nomes que faziam parte do nosso Governo?”, questionou Marcelo Miranda.

 

O ex-governador afirmou ainda que o quadro anunciado por Carlesse e sua equipe é fruto do cenário comum à maioria dos estados brasileiros, diante da situação econômica pela qual o país vem atravessando. “Vale ressaltar, talvez pelo desconhecimento por parte deste governo interino, que a situação do Tocantins, apesar de não ser a ideal, já teve evolução considerável, comparada a dos demais estados da Federação, em todos os setores. Essa situação agravada se deve ao fato desta gestão interina ter decidido não honrar com compromissos e parcelamentos assumidos, que estavam em dia, e pagar apenas os gastos que ele e a própria equipe estão fazendo, totalmente sem controle, visando apenas conseguir votos”, rebateu.

 

Miranda destacou também que, quando eleito em 2014, ele recebeu um Estado quebrado e sucateado. “Quando assumi não encontrei o Estado em condições ideais para ser governado, e a realidade, à época, foi amplamente divulgada para conhecimento público. Havia 4 bilhões em dívidas. A diferença é que, eu e minha equipe, procuramos não fazer dessas dívidas herdadas, nem das situações difíceis com as quais nos deparamos, razões para cruzarmos os braços, ou mesmo transformar aquela realidade em moeda eleitoreira diante da população. Nós trabalhamos e conseguimos, durante a pior crise fiscal que o País já passou, quitar 75% da dívida herdada, sem prejuízo dos serviços públicos básicos da população”, ressaltou.

 

O ex-gestor relembrou ainda que as dívidas apontadas por Carlesse já existiam quando ele assumiu o Governo em 1º de janeiro de 2015. “No caso do Igeprev, por exemplo, este é um assunto que está nas mãos da Justiça para elucidar quem, de fato, desviou o dinheiro da garantia de uma aposentadoria tranquila para tantos servidores no Tocantins. Na nossa gestão fizemos foi recuperar milhares de reais que estavam investidos em fundos sem garantia e fazer o dinheiro render novamente em aplicações seguras”, frisou.

 

Marcelo Miranda também criticou “a forma desumana como Mauro Carlesse tem tratado os servidores públicos, atribuindo a eles a acunha de ‘cabos eleitorais’. Não adotei a política do desemprego, como o fez este governo interino que, no meu entendimento, fez uma ação sem qualquer critério, sem mesmo levar em conta as centenas de pessoas que engrossaram os números do desemprego em nosso Estado”, pontuou.

 

O ex-governador disse ser “estranho e constrangedor” que Mauro Carlesse, por encontrar-se presidente da Assembleia Legislativa, e por ser candidato a governador, “ainda não possua o real conhecimento das condições em que se encontra o Estado. É lamentável que o governo interino que aí está, esteja se valendo de uma visão meramente eleitoreira, tentando entrar para a história do Tocantins pela porta dos fundos, forjando a democracia, sem conhecimento de causa, e desprovido de qualquer projeto de Governo para o Estado do Tocantins”, criticou.

 

Em relação à dívida anunciada pelo Governo Interino na área da Saúde, Marcelo explicou que a situação já foi pior e que seu governo, quando assumiu, encontrou um déficit de 30%, pontuando que atualmente esse valor é de 8%. “Para chegar nessa redução fizemos negociação para redução das dívidas, cortes em aluguéis e criamos uma comissão de atenção a fornecedores e do colegiado financeiro. Nós conseguimos dobrar o tamanho do HGP, retirar as tendas, entregar os equipamentos necessários para a UTI Pediátrica de Araguaína, implantar o Integra Saúde e reformar diversos centros cirúrgicos e prontos socorros. Além disso, mantivemos a regularidade do abastecimento de insumos e medicamentos nos hospitais e movemos ação na Justiça para garantir o abastecimento de remédios oncológicos”, disse.

 

Marcelo também elencou outros setores que tiveram avanços durante sua gestão. “Por meio de um governo legitimado nas urnas, procurei cortar a sangria que encontrei nas contas públicas. Além das ações na saúde, entregamos importantes obras de infraestrutura rodoviária realizadas de norte a sul do Tocantins, com a manutenção e recuperação de mais de 3 mil quilômetros de rodovias. O trabalho seguiu firme na área da Educação, com a inauguração de novas escolas e investimentos na capacitação dos professores. Levamos para o homem do campo mais apoio fomentando a agricultura familiar e fortalecendo as cadeias produtivas do estado. No ano de 2017, o Tocantins foi uma das poucas unidades da federação que registraram desempenho positivo na expansão do agronegócio, batendo recordes com as exportações. Ainda na área rural, o Governo se destacou com as ações da regularização fundiária, com um aumento de mais de 300% nas titulações entregues, beneficiando diretamente centenas de tocantinenses. Na região sudeste, colocamos fim a um longo período de sofrimento da população em razão da forte estiagem que assola os municípios. Levamos mais dignidade por meio de programas que deram acesso à água para milhares de pessoas, como o ‘Água para Todos’, com a entrega e instalação de mais de 11 mil cisternas e as barraginhas, que possibilitaram ao cidadão cuidar do cultivo das suas plantações e dos animais. É um absurdo que esta gestão interina não esteja cumprindo o acordo de parcelamento da dívida com o abastecimento de água dos caminhões pipa. Quando assumimos em 2015, havia uma dívida enorme que foi parcelada em 5 anos. Nunca deixamos de pagar as parcelas, que agora não são mais honradas, mesmo tendo dinheiro em caixa. Quando eles assumiram havia R$ 6 milhões”, afirmou. 

 

Marcelo lembrou ainda sobre as melhorias em outros setores. “Na área da habitação, entregamos mais de 2 mil moradias para famílias carentes e servidores públicos, em um programa pioneiro no país. Ainda deixamos mais de 2.800 unidades habitacionais para serem entregues. A segurança pública foi outra área que deu um grande salto de qualidade, com os investimentos realizados nas polícias Civil e Militar e no Sistema Penitenciário. Construímos e reformamos delegacias, entregamos veículos e equipamentos e promovemos a nomeação de candidatos aprovados em concursos públicos e também realizamos o maior concurso da história da Polícia Militar, com mais de 1.000 vagas, paralisado por causa da instabilidade política que o Tocantins atravessa”, pontuou.