Palmas, Tocantins -
Tensão interna em Palmas
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Folha critica prefeita no zap, Cinthia reage com ironia e Amastha exclui grupo

Em grupo no WhatsApp, o vereador José do Lago Folha Filho criticou a prefeita atual, Cinthia Ribeiro, e reclamou duramente da programação do evento Temporada de Férias 2018
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Programação de férias de Palmas é alvo de críticas Divulgação

Um dos principais grupos de WhatsApp do núcleo mais próximo ao ex-prefeito e pré-candidato a governador Carlos Amastha(PSB), o “Agenda 40”, teve seus membros excluídos e o diálogo finalizado após um intenso bate boca entre o secretário Kariello Coelho, o vereador José do Lago Folha Filho, envolvendo o ex-prefeito e a prefeita atual, Cinthia Ribeiro. Nele, o presidente da Câmara Municipal reclamou duramente da programação do Temporada de Férias 2018, na Praia da Graciosa, que trará nesta quinta-feira, 12, uma programação gospel. Folha recebeu uma longa, dura e irônica resposta por parte de Cinthia, no sábado à noite, e voltou a criticá-la neste domingo, 8.

 

Folha começou questionando a falta de programação para a Praia das Arnos, mas atingiu a prefeita, afirmando que o que estava faltando era “vontade política” dela. Antes disso a crítica era quanto ao fato da temporada de praia ter se transformado numa espécie de extensão do Carnaval da Fé. Entrou na discussão o atual secretário de Turismo, Eudes de Assis, evangélico, militante do PSB, um dos poucos da cota Amastha a permanecer na gestão da prefeita. O secretário explicou estar trabalhando com o que tem recurso aprovado na prefeitura de Palmas.

 

Intermediando o debate para acalmar a situação, Carlos Amastha defendeu a prefeita, dizendo que o assunto não tinha absolutamente nada a ver com ela e que quem deve viabilizar os eventos são os secretários das pastas. Aparentemente fora de área, a prefeita só viu e respondeu as mensagens na noite do sábado, 7.

 

Num texto irônico, Cinthia Ribeiro sugeriu ao presidente da Câmara que, pela postura, ele deveria estar “pós-graduado” em gestão e preparado para comandar Palmas, uma vez que sua gestão na Câmara estava muito bem avaliada pelos seus pares. “Com você prefeito Palmas vai viver um paraíso de gestão, igualzinho ao que faz na Câmara. Os vereadores estão super satisfeitos. Se pensasse como você, em priorizar show em praia, e com as demais despesas da cidade batendo à porta, seria um caos”.

 

Em outro ponto da mensagem, à qual o T1 Notícias teve acesso, a prefeita afirma que sempre esteve aberta ao diálogo e que se tinha críticas o presidente da Câmara deveria procurá-la pessoalmente: “sabe onde me encontrar para uma boa e civilizada conversa, ou como preferir o tom, mas não use grupo de WhatsApp para faniquitos”, disparou Cinthia.

 

Na manhã de domingo, Amastha cumprimentou o grupo, afirmando que o espaço era para discutir política e não gestão, e que lamentava que tivesse chegado a este nível. “Lavar roupa suja, com ou sem razão, deve ser feita nos fóruns competentes e com as pessoas certas. Fui o primeiro a errar, perguntando pelas outras praias. Peço desculpas”, disse.

 

Em seguida à Amastha, na manhã do domingo, Folha voltou à carga, respondendo a prefeita: “respeito a sua condição de estar prefeita. Estou no meu terceiro mandato de vereador eleito”, começou. “Não herdei cargo ou função nenhuma. Não sou músico tocando instrumento alheio, sou legítimo”. O vereador seguiu criticando a prefeita por ter usado de ironia com ele. Como ficou claro nos bastidores nas últimas semanas, Folha perdeu espaço entre os parlamentares, por ser considerado mais um aliado do ex-prefeito do que propriamente companheiro dos seus pares.

 

Em seguida ao vereador, Carlos Amastha respondeu: “Folha…. novamente, não… Por favor, você é presidente da Câmara…. Procura a prefeita, como ela já disse, e resolvam”. Em seguida o ex-prefeito começou a remover todos os participantes e acabou com o grupo.

 

Tensão aumenta entre dois grupos

 

Com a mudança na gestão, as primeiras medidas de Cinthia Ribeiro e as exonerações que promoveu de próprio punho ou “a pedido” (leia-se pedidos negociados antecipadamente), acabou gerando tensão entre o grupo remanescente da gestão Amastha, de primeiro escalão, e o grupo que já se forma em torno da prefeita. De lá para cá, ela só aumentou. Funcionando como uma espécie de ponte entre os dois grupos, Marcílio Ávila foi exonerado em meio ao fogo promovido pela oposição a Amastha junto ao MPE, e retornou para Curitiba.

 

Nos bastidores, auxiliares da prefeita já registravam uma pressão do presidente da Câmara sobre ela, especialmente na cobrança de pagamento de emendas. A pasta que cuidava da questão e que era comandada pelo ex-secretário Adir Gentil, no entanto, foi entregue com o orçamento esvaziado.

 

O núcleo duro de Amastha perdeu poder na gestão, sendo o vereador Tiago Andrino o maior exemplo. Na noite de domingo, um dos aliados do prefeito avaliava, em off, que a relação entre Amastha e Cinthia segue bem, no entanto, a dela com o grupo dele “acabou”. Restaram na gestão, de peso, o secretário da Educação, Danilo de Melo, e o secretário de Indústria e Comércio, Kariello Coelho

 

Show de Fernandinho já estava pago

 

O motivo de toda a discussão, gerada pela pergunta do ex-prefeito se haveria programação de shows de férias em outras praias, foi um show que já está pago. Na época da edição do “Palmas, Capital da Fé”, uma grande chuva impediu o show de Fernandinho, que já estava contratado. A gestão então acertou que ele voltaria em outra data, fosse no Festival Gastronômico ou em outra programação. Como o show já estava pago, foi utilizado nesta temporada de férias. Ocorre que não existem recursos para a contratação de novos shows, nem a obra da praia das Arnos foi concluída para liberação pelo Corpo de Bombeiros, conforme explicação de Kariello no grupo.

 

O tensionamento das relações entre a prefeita e o presidente da Câmara Municipal pode render novos capítulos na política palmense onde, atualmente, a oposição parece estar mais próxima da prefeita que o próprio grupo onde foi escolhida e eleita vice-prefeita.