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Saúde


Medicamento para Covid-19
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Anvisa autoriza Butantan a testar soro contra a Covid-19 em humanos

O soro desenvolvido pelo Instituto Butantan ainda não foi testado em humanos. Pesquisa da USP pode chegar à primeira comprovação científica de medicamento efetivo para sintomas da Covid-19
- Atualizada em
Descrição: Imagem ilustrativa. Divulgação/Pexels

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu na quarta-feira, 24, a autorização ao Instituto Butantan para a realização da pesquisa clínica com o soro hiperimune anti-Sars-CoV-2, que permite o teste do soro em humanos. O pedido de autorização do estudo foi solicitado pelo Butantan no dia 2 de março.

O Butantan deve apresentar informações complementares, que ainda não foram disponibilizadas à Anvisa. O Ministério da Saúde informa que será enviado ofício exigindo o cumprimento das pendências conforme o Termo de Compromisso acordado entre a Anvisa e o Instituto.

A pesquisa clínica será realizada em busca de dados que possam assegurar a eficácia e segurança do uso do soro, que pode ser o primeiro medicamento com efetividade cientificamente comprovada para o tratamento da Covid-19.

O Instituto Butantan informa que possui 3 mil frascos do soro disponíveis para o início dos testes, que serão realizados com pacientes já infectados para que se observe a amenização dos sintomas decorrentes da Covid-19. Os médicos Esper Kallás e José Medina, da Universidade de São Paulo (USP), vão coordenar os testes.

Em entrevista concedida ao G1 em São Paulo, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou os primeiros testes do soro serão realizados com as contribuições do Hospital do Rim e do Hospital das Clínicas da Capital paulista, e terão foco em pacientes recentemente infectados e que apresentem e alto risco de evolução da Covid-19 para estágio grave.

"Kit Covid"

O Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), referência no Estado de São Paulo, identificou o primeiro diagnóstico de hepatite medicamentosa decorrente do uso do chamado "kit covid", composto pelos fármacos hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina.

O dano hepático foi detectado em um paciente de 50 anos de idade, morador de Indaiatuba (SP). Em entrevista coletiva concedida na quarta-feira, 24, no Hospital das Clínicas da Unicamp, a professora e médica da unidade de transplante hepático do HC, Ilka Boin, informou que o paciente foi diagnosticado com coronavírus há três meses e começou a apresentar sintomas de hepatite um mês após o uso do "kit covid", zinco e vitamina D.
 
Embora pesquisas confirmem a ineficácia destes fármacos contra o chamado novo coronavírus (Sars-Cov-2), a indicação deste trio de medicamentos foi adotada como tratamento precoce pelo Ministério da Saúde. A aplicação destes medicamentos e a doença no fígado foi confirmada pela Unicamp ao Correio Braziliense.

Ivermectina

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou na quarta-feira, 24, que serão divulgadas na próxima semana as instruções para uso da ivermectina no tratamento contra a Covid-19.

Janet Diaz, chefe da equipe clínica encarregada pela OMS para estudos sobre a pandemia do coronavírus, declarou que a organização reuniu especialistas para analisar as evidências da efetividade do uso da ivermectina.

O pronunciamento da OMS ocorreu dias depois da Agência Europeia de Medicamentos recomendar a interrupção do uso deste fármaco como tratamento precoce da Covid-19.